Sunday, July 22, 2007
Friday, July 20, 2007
Os Nojentos - Blog do Reinaldo Azevedo - 20/07/2007
Asquerosa!
Deprimente!
Revoltante!
Vagabunda!
Delinqüente!
A que outras palavras se pode recorrer para definir os gestos despudorados do velho Marco Aurélio Garcia (publico acima, de novo, o vídeo), assessor especial de Lula, e do ainda jovem Bruno Gaspar, assessor de Imprensa? Vejam aí: a maturidade não faz o decoro. Num, a idade foi acrescentando tolice, fatuidade, arrogância. No outro, a falta dela confere jactância, fanfarrice, prepotência. E o velho, ali, era o retrato bem-sucedido do moço. Marco Aurélio é Bruno quando maduro. Bruno é Marco Aurélio quando jovem. Essa gente é uma espécie.
O Brasil ainda chora quase 200 vítimas; enlutadas, as famílias anseiam, ao menos, pelos despojos de seus mortos, para que possam concluir suas respectivas tragédias, já que aqueles a quem amavam lhes foram arrancados, surrupiados, seqüestrados por um governo incompetente; que, quando não é só incompetente, consegue ser pior porque incompetente e corrupto. Corrupção e incompetência fartamente documentadas justamente na Infraero, especialmente na reforma do Aeroporto de Congonhas, mortalha de inocentes; picadeiros de palhaços da morte; valhacouto de assassinos.
O que tanto comemoravam aquelas duas tristes figuras? Quem Marco Aurélio achava que estava f_ _ _ _ _o? Quem estava sendo violado pelo sr. Bruno Gaspar? Quais eram seus inimigos imaginários que estavam ali sendo subjugados em seu festim patético? Por que tripudiavam, eufóricos, sobre 200 mortos, sobre histórias interrompidas, sobre famílias moralmente destruídas, que, a esta altura, não têm de seu nem os corpos para enterrar, carbonizados que foram na pira da incúria, da loucura, da irresponsabilidade, da prevaricação? Por que festejam estes vândalos? Qual foi a grande vitória que obtiveram? Quem o assessorzinho chama de “filho da puta”?
A resposta é simples e chegou a este blog na pena dos acólitos, da Al Qaeda eletrônica, dos esbirros menores da ditadura da corrupção, da incompetência e da vulgaridade. Para estas alimárias, a matéria de William Bonner, no Jornal Nacional, provando que a aeronave estava com um dos reversores desativado (e que enfrentara problema no dia anterior ao do acidente) livrava o governo de qualquer responsabilidade. Mais uma vez, a “mídia”, inimiga eterna de ditadores e, por que não?, dos petistas, seria, então, acusada de conspiração. Como se a informação não tivesse sido tornada pública pela própria mídia que se procurava execrar, ferrar, violar, subjugar, submeter, humilhar.
Feios! Sujos! Malvados!
Só que não prova nada! O reversor desativado lhes saiu pela culatra. Todos os técnicos, incluindo a voz oficial da Aeronáutica, sustentam que, em pista adequada, é perfeitamente possível aterrissar sem o reversor — de fato, sem os dois reversores. Ele pode ajudar a diminuir a velocidade de um avião, mas, deixam claríssimos os especialistas, naquela situação vivida pelo AirBus, teria sido inútil. Sabem o que isso significa? Que a hipótese de problema na pista, em vez de ter diminuído, aumentou. A reportagem do Jornal Nacional, não obstante, é muito importante: em sua entrevista coletiva, Marco Antonio Blogna, presidente da TAM, omitira tal dado. Disse que a aeronave estava em perfeitas condições. Poderiam até ser adequadas, mas perfeitas não eram. Também omitiu que a mesma aeronave quase saíra na pista no dia anterior ao acidente. A relação Infraero-empresas-Anac, vai ficando evidente a cada dia, não pode ser mais obscura, confusa, estranha. Sargento Garcia e o Tonto vibraram inutilmente.
Vocês leram; os posts estão nos arquivos. Desde a primeira hora do acidente, apontei a responsabilidade do governo, seja lá qual for a causa desta tragédia em particular. Tanto é, que Lula vai hoje à TV anunciar medidas. Os três órgãos que cuidam do setor são subordinados ao Executivo: Infraero, Anac e Ministério da Aeronáutica. Lembrem-se: quase uma hora depois do acidente, não se sabia que avião ardia em chamas, não se sabia o nº do vôo, não se sabia nada. Trata-se do maior acidente aéreo no mundo em cinco anos. Na história da aviação, é a primeira vez que um país registra dois casos tão graves em prazo tão curto: 10 meses. Não! Ocorre que este governo não suporta cobranças. Como fica claro num vídeo que postei ontem, Lula ainda espera que lhe sejamos gratos por cumprir tão mal as suas obrigações.
Desde o primeiro post sobre o caso, a Al Qaeda eletrônica tenta se infiltrar aqui. A acusação estúpida, maledicente, que segue o velho princípio de acusar os adversários dos vícios que “eles” têm, é que eu estaria contente com a tragédia. A cobrança política que fiz foi tachada de exploração da dor alheia; foi chamada de insensível. O lema passou a ser, então: “Vamos parar de politizar o acidente”. Revejam o vídeo de Marco Aurélio e de Bruno Gaspar. Agora respondam: quem, de fato, explora a tragédia? Quem se ocupa unicamente de sua dimensão política? Quem, com efeito, está mais preocupado com a imagem do governo do que com a dor das famílias dos mortos?
Marco Aurélio, o Dom Giovanni da ditadura do proletariado, e seu Leporello pegador, de crachá e camisa amarrotada, são mais indecorosos pelo que pensam do que pelos gestos obscenos que fazem. São o retrato de um governo mais interessado em achar uma desculpa do que uma resposta; mais interessado em se safar do juízo da opinião pública do que em resolver um problema. E poderia ser diferente? Garcia é um dos artífices de nossa política externa; foi o homem enviado por Lula à Venezuela, logo nos primeiros dias de seu primeiro mandato, para atestar a “democracia até em excesso” de Hugo Chávez. É o pensador por trás da aproximação de Lula com as ditaduras islâmicas. É, não custa lembrar, co-fundador, com o Apedeuta, do Foro de São Paulo, um ajuntamento de partidos e grupos de esquerda da América Latina em que as narcoguilheiras Farc têm assento. Presidiu o PT durante a crise do dossiê e foi um dos formuladores da tese de que se tratava, vejam só, de uma tentativa de golpe de Estado.
Tremores e desculpa
Marco Aurélio resolveu dar uma pequena entrevista se explicando, com seus óculos redondinhos, como a anunciar que atrás daquelas lentes mora um intelectual refinado. Nós vimos. Classificou as imagens de “clandestinas” e disse que, em público, não se comportaria daquela maneira. Falo já disso. Clandestinas? Ele estava no Palácio do Planalto, na sede do Poder Executivo. Talvez ignore, mas aquele é um espaço público, e ele podia ser visto próximo à janela. Ninguém invadiu a sua casa para flagrá-lo na intimidade. Muito ao contrário. O que ele esperava? Que o cinegrafista, vendo-o ali, desligasse por pudor a câmera? Talvez sim. Os indecorosos sempre esperam que os decorosos se intimidem. Contam com isso.
Mas estupenda e reveladora é sua afirmação de que jamais faria aquilo em público. Ora, todos sabemos, não é? A frase é um emblema. Existe o petismo público e existe o petismo de corredor; existe o petismo para a massa de néscios, e existe o petismo para os escolhidos; existe o petismo oficial, e existe o petismo não-contabilizado, paralelo, caixa dois. Estamos falando, afinal, desde sempre, de um esquerdista para quem, por definição, a moral está a serviço de um projeto. E, na trajetória da esquerda, nunca importou quantos poderiam ou precisariam morrer para que esse projeto se realizasse.
“A nossa moral e a deles”
Marco Aurélio não vem da banda do PT stalinista. Vem do trotskismo — e ele não se curou: ficou mais doente. Porque agora aderiu também à vida pançuda da burocracia estatal. Trotsky é autor de um célebre texto em que fala da “nossa moral [dos socialistas] e da deles [dos burgueses]” Saibam, leitores: tudo aquilo que reconhecemos como escrúpulo, decência, limite, individualidade, respeito ao outro, tudo isso não passa da moral burguesa, a ser descartada liminarmente em nome de uma outra moral, uma doutrina aberta que, supostamente, vai-se construindo na história, mas que, de fato, atende exclusivamente aos interesses do partido encarregado da revolução. No caso, a revolução possível: essa porcaria que o PT vem fazendo.
Para realizar seus objetivos, temos outros exemplos, essa gente já demonstrou não ter limites e não se intimidar jamais. Nas suas explicações, ao ajeitar os seus óculos redondinhos, Marco Aurélio tremia feito uma gelatina. Era alguém acostumado, como se viu, a gestos bastante eloqüentes nos bastidores obrigando-se a fingir uma civilidade que, com efeito, não tem. Pelo menos, vá lá, é um medalhão do partido. E aquele outro coitado? E o Robin ideológico do Batman pançudo do socialismo?
Acusam seus adversários daquilo que eles próprios fazem. Não! Eu não celebrei a morte de ninguém. Lamentei. Lamentei todas elas e uma em particular, a do deputado Julio Redecker (PSDB-RS), e já expus aqui os motivos. Ah, eles sim. Eles tentaram comemorar o que seria a vitória sobre os adversários. Na entrevista, Marco Aurélio teve o mau gosto adicional de citar os mortos, que seriam a causa original de sua indignação. Conversa! Ele julgou, junto com o seu “Menino Prodígio” rompedor, que a fatura estava liquidada. Para ele, Lula havia ganhado mais essa. Para ele, Lula havia derrotado os 200 mortos.
Mas não derrotou. Eles lhe pesam sobre os ombros, junto com os 154 do avião da Gol. Hoje o demiurgo fala. Embora “não tenha nada com isso”, vai anunciar medidas. Se não der um pé no traseiro do Batman Gorducho e do Robin matusquela, estará repetindo ele próprio o gesto de seus subordinados. E, aí, para todo o povo brasileiro. Nunca uma gente tão baixa chegou tão alto. E, por isso, morremos assim: esturricados na fogueira de sua incompetência.
E saibam: eles sempre podem ir um pouco mais longe.
Por Reinaldo Azevedo
Monday, July 16, 2007
Ódio à liberdade alheia - Blog do Reinaldo Azevedo, 16/07/2007
Os petistas odeiam a liberdade. Dos outros.Quem, como eu, tinha 21 anos quando o partido disputou a sua primeira eleição importante — a do governo de São Paulo, com Lula — sabe que o PT foi quem introduziu (na verdade, reintroduziu) o humor nas disputas eleitorais. Vivíamos sob um regime de exceção, uma ditadura mitigada, mas ditadura ainda assim. A cara das campanhas eleitorais era a da Lei Falcão: os santinhos congelados na TV, com uma voz em off lendo a sua biografia. E não qualquer biografia. Em 1978, a referência à aposentadoria compulsória de FHC determinada pelo AI-5 foi vetada. Ele concorria a senador na sublegenda do MDB. Franco Montoro foi eleito, venceu a disputa para o governo de São Paulo em 1982, e aquele que viria ser presidente da República por oito anos assumiu a sua vaga no Senado. O PT percebeu que a irreverência, contrastando com sua pregação socialista então iracunda, era um bom caminho para falar aos trabalhadores, aos estudantes, àqueles que haviam se acostumado com a política mui vetusta dos militares.Com a chegada da propaganda eleitoral gratuita, o partido foi investindo mais e mais em marketing — com freqüência, contou com o trabalho voluntário de publicitários. Observem: não estou aqui fazendo necessariamente a defesa da disputa política como guerra publicitária. Não! Estou procedendo a uma pequena memória histórica: o PT sempre foi mestre em apelar ao humor para transformar seus adversários políticos numa caricatura. E, reitero, chegou a fazê-lo ainda durante o regime militar — não porque lhe sobrasse coragem, mas porque a ditadura brasileira já estava moribunda.É o representante máximo desse partido, ninguém menos do que o presidente da República, quem pede a uma empresa — no caso, a Peugeot — que retire do ar uma propaganda que faz uma brincadeira bem-humorada com a ministra do Turismo, Marta Suplicy. Convenham: o rapaz que encarna a personagem (vejam abaixo) é engraçado, jamais agressivo; é galhofeiro, simpático e, já que recomenda a compra de um automóvel, tem de conquistar a simpatia do espectador. É o exato oposto de Marta, especialmente depois da frase infeliz do “relaxa e goza” (ver filme acima).Se a propaganda tinha algum efeito sobre a imagem a ministra, era, certamente, mais positivo do que negativo. Transferia uma frase típica de uma dondoca alienada e deslumbrada para o terreno da graça. Sei, a cada vez que a propaganda ia ao ar, o fato original era lembrado. Pergunto: Marta acha que ele será esquecido? Acredita que essa doce truculência de pedir a censura a um comercial de TV ajuda a compor a sua imagem?A reação da PeugeotAlguns leitores estão criticando com azedume a Peugeot por ter cedido a uma pressão — a que não era obrigada legalmente a se submeter, notem bem. Ao site do Clube de Criação de São Paulo, Jáder Rossetto, da agência Euro RSCG Brasil, que tem a conta do produto, mostra-se um tanto contrariado, mas deixa claro que “pedido de presidente da República não pode ser negado”. Eis aí. Não pode no Brasil. Se o famigerado Jorjibúxi das esquerdas se metesse numa propaganda de TV nos Estados Unidos, levaria da empresa e da agência um sonoro “Sai pra lá; meta-se com a sua vida”.Acreditem: há no Brasil um regime econômico muito parecido com o capitalismo, mas capitalismo não é. Sim, senhores: as empresas, por aqui, têm enorme dificuldade — receio, medo mesmo — de dizer “não” ao presidente da República, ao governo. Ou vocês já se esqueceram que a Volks recriou o Fusca em 1993 só porque o então presidente Itamar Franco acordou invocado e cismou que era uma boa idéia relançar o carro? Em 1996, o Fusca morreu pela segunda vez. E por que tanto medo? Porque o estado é gigante e tudo pode.Um país de JecasO que é estúpido nessa história é que a frase infeliz de Marta não foi censurada por Lula ou pelo governo. No máximo, ela soltou uma notinha se desculpando. Quem acabou arcando com as conseqüência da imprudência da ministra do Turismo foram a Peugeot, a agência, a liberdade de expressão e o bom humor. Neste ponto, alguns dirão: “A liberdade de expressão não foi atingida; o presidente fez um simples pedido. A Peugeot atende se quiser”. Conversa para boi dormir. Se Marta se sentiu agravada, que recorresse à Justiça. Ainda que a decisão fosse igualmente equivocada, ao menos se teria seguido o ritual do estado de direito. Não! Em vez disso, opta-se pela carteirada, pela pressão da “otoridade”.Qual é a diferença entre a “ministra” da Peugeot e a Marta Suplichique do humorista Marcelo Madureira, de Casseta & Planeta? Aliás, a criação da agência estava mais para a graça de Madureira do que para a truculência frívola da personagem original. O humor pelo humor é moralmente superior ao humor que vende automóveis? Por quê? Digo mais: a Suplichique de Casseta é, necessariamente, uma crítica. O ator carrega nas tintas, digamos, um tanto soberbas de Marta; a da Peugeot era só engraçada: emprestava à ministra uma graça que ela não tem.Acontece que estamos nos tornando um país de Jecas, de gente dodói, que reclama de tudo, que se sente ofendida por qualquer coisa, que sai logo gritando, reivindicando direitos, acusando discriminações. A própria Peugeot teve de tirar do ar uma outra propaganda em que um sujeito tenta, inutilmente, subir uma ladeira com um carro velho. Ele e a namorada vão se livrando das tranqueiras para deixar o veículo mais leve. E nada. Até que sobra apenas a... sogra. Pronto! Tornou-se incorreto até fazer piada de sogra. Será preciso banir a língua-de-sogra dos aniversários de criança. No Carnaval, quando começar a marchinha “Trocaram o coração da minha sogra/ puseram o coração de um jacaré...”, você pára de dançar e sai do salão em sinal de protesto.Logo, alguém vai propor uma Lei Falcão para a publicidade. Mostra-se o produto (em preto e branco, para não excitar o espírito consumista), informa-se a sua finalidade, expõem-se as características do produto (texto previamente revisado pelo Comissariado Contra o Consumismo) e se informa o preço. Tudo muito sóbrio. Tenham a santa paciência. Já se apelou até a um sósia do papa para vender mercadoria. A Igreja Católica pode não ter gostado. Aliás, eu, como católico, não gostei: achei fútil, banal, de mau gosto. E daí? Eu que proteste onde achar conveniente. Vocês sabem: procuro dizer da maneira mais inequívoca e menos ambígua possível o que penso; sempre que possível, evito os tons de cinza — não partilho da idéia idiota de que a verdade está no meio (não está). Mas não tento calar o outro.NeocensuraA verdade bastante incômoda é que estamos vivendo tempos que flertam com a censura, agora considerada uma variante da democracia. Volto ao ponto inicial: o PT é um partido hostil à liberdade alheia. Quando não busca enrijecer os mecanismos de estado para limitar a liberdade de expressão, recorre a expedientes como o que se expõe aqui. O partido quis expulsar um jornalista estrangeiro por suposta ofensa ao presidente da República. Naufragou. Quis criar o Conselho Federal de Jornalismo. Naufragou. Quis impor uma bula à Ancinav. Naufragou. Quis recriar a censura prévia no Brasil. Naufragou. Quer agora criar uma certa TV Pública que tem a única finalidade de cantar as glórias do demiurgo. Tomara que naufrague também — ah, claro, não custa lembrar: premia os veículos bem-comportados ou alinhados com publicidade oficial. Até o jornaleco do MR-8 já recebeu anúncios da Receita Federal e da Caixa Econômica. Há uma certa revista semanal que ninguém lê, quase clandestina, como aquelas cartilhas de Luiz Gushiken, que vive de propaganda de estatais e do governo.O leitor poderá dizer: “Bem, tantos naufrágios indicam, então, que não corremos riscos”. Errado. Nenhuma dessas iniciativas foi irrelevante. A cada uma, a liberdade se retraiu um pouco. Até porque, como lembrou muito bem José Dirceu em recente seminário na CUT, uma parte da imprensa, hoje, está com Lula. Vocês acham o quê? Os publicitários, a partir desta segunda, tendem a evitar referências a figuras do mundo político. Quando o PT, no auge do escândalo do dossiê, saiu gritando que estava em curso um “golpe da imprensa”, é claro que sabia se tratar de uma mentira deslavada, primitiva até. Mas contava com a reação que, de fato, se verificou: muitos veículos passaram a se policiar mais, a se questionar se não estavam mesmo exagerando, a se esforçar para deixar claro que não se tratava de uma campanha contra Lula. O PT é mestre em empurrar quem tem razão para uma posição de defesa. E como faz isso? Atacando sempre, especialmente quando está errado.
Batuque na cozinha
Só pra encerrar a crônica destes dias: num texto sobre a festa do Pan, afirmei, um tanto galhofeiro, que a variedade de instrumentos de percussão numa cultura é inversamente proporcional à civilização. Pronto! Foi um deus-nos-acuda. Se tentassem provar a minha ignorância musical, até antropológica (“Mas o que é civilização para você, Reinaldo?), talvez eu esperneasse, mas o capeta não baixaria em mim. Agora não venham me dizer o famoso “Você não pode escrever isso”. Não posso por quê? Já escrevi. E escrevo de novo: a variedade de batuques num país costuma ser inversamente proporcional ao respeito aos direitos individuais. O máximo que se pode debater aqui é o seguinte: alguém dá exemplo de uma sociedade cheia de batuques e direitos individuais, e eu tento desqualificá-lo. O meu direito de escrever isso só pode estar em questão numa ditadura. Será que é preciso desenhar?
Por Reinaldo Azevedo
Saturday, May 05, 2007
Por um STF sem fascistas. E sem comunistas
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/ - 04/05/07
Num tribunal literário, o romancista Eros Grau seria sentenciado à pena máxima. E ele a pagaria até o último vocábulo impróprio, até o ultimo pernosticismo, até a última tolice, até a última literatice, até a última lorota erótica, com seus “peitinhos de perdiz”, “pênis como se fosse ferro em brasa, que chega até a garganta” (???) e “flatulências vaginais” — tenho uma hipótese para essa ocorrência sonora, mas prefiro me abster. Ao estrear como autor fescenino, Eros Grau só conseguiu ser cafona, flechando o bom gosto, o bom senso e o decoro da língua.
Mas isso é problema dele. O senso de ridículo é uma das coisas mais mal-distribuídas no mundo. A melhor coisa do romance de Grau — Triângulo no Ponto — é a liberdade que temos de ignorá-lo. Em suma: não somos obrigados a lê-lo. Grau não pode nos submeter a seus juízos sobre o que é ou não é boa literatura. Mas a sua opinião sobre o direito e a Justiça, infelizmente, é problema nosso. Na entrevista concedida a Ricardo Noblat, publicada em O Globo, o juiz Eros Grau, um dos 11 membros do Supremo Tribunal Federal, foi muito além do razoável.
Também isso vamos ignorar, porque estamos nos acostumando a ignorar tudo. Poucos se dão conta do paulatino e contínuo rebaixamento das instituições brasileiras. São tantas as barbaridades do romancista Eros Grau, que elas deitam uma sombra sobre as barbaridades que diz o juiz Eros Grau. A pergunta que resta óbvia é a seguinte: dadas as suas palavras, ele tem condições de julgar com isenção? Sua opinião sobre a Justiça brasileira é depreciativa; sua conduta como juiz, ele nos diz, busca interferir na realidade com as tintas de sua utopia — comunista, ele faz questão de revelar.
Afirma o ministro: “(...) Diria que o Direito que está aí é mais comprometido com a preservação da ordem. Mais com ela do que com a própria Justiça, porque é necessário que essa ordem burguesa seja mantida." E então informa o repórter: “A palavra ‘burguesa’ remete Eros ao seu livro de ficção. Ele lê: ‘Eu digo: nós transportávamos a utopia nos nossos ombros’”. A seqüência merece ser reproduzida na íntegra:
Essa utopia se perdeu?
Para mim, não. Tento preservá-la nos votos que dou. É quando a minha mulher diz: “Mas você é terrível, você deixa sempre a sua marca”.
Qual é essa marca?
O Poder Judiciário é uma arena onde se joga a luta de classes. Por exemplo: a greve no setor privado é uma disputa de mais-valia. A greve no setor público é uma disputa de classe. Sempre faço algumas coisas mostrando a minha preocupação com o social.
As palavras de Grau não deixam margem a interpretações nem severas nem benevolentes. Valem pelo que são. Ele vê no país um regime burguês, mais preocupado com a ordem do que com a justiça, apanágio, entende-se, do comunismo, de cuja crença ele ainda não declinou. É a sua utopia. E, como juiz, ele nos adverte: “Tento preservá-la nos votos que dou.” Àquela altura da conversa, já havia passado uma informação errada aos leitores — “Lúcio de Mendonça inventou o romance realista”; é falso! No trecho acima, fica evidente que ele, embora lide com categorias marxistas como “mais valia” e “classe”, ignora absolutamente o significado das expressões. Vai além das suas sandálias, frase que quase escrevo em latim para homenagear o professor de direito da São Francisco (USP).
Vejam lá. Um juiz da nossa Suprema Corte, que nunca deixou de ser comunista, acredita que a justiça é o delta da luta de classes, que ele toma como um dado da natureza, cuja existência ele declara com a naturalidade de quem afirma: “Hoje é sexta-feira”. A luta de classes não é um evento do mundo físico, não é como a lei da gravidade. Trata-se de uma teoria, de uma escolha, com uma marca ideológica — mesmo para quem, feito Eros Grau, cultiva um marxismo chinfrim, desinformado, rombudo. O problema é que, se é assim que ele vê o mundo, as contendas que chegam às suas mãos já passaram por esse filtro. Só posso concluir que, à altura em que decide, já identificou os "oprimidos" e os "opressores" da contenda. Utopista que é, bom comunista que nunca deixou de ser, há sempre de escolher o lado do “oprimido”. Afinal, ele quer corrigir o excesso de ordem do nosso direito com um pouco de justiça, certo?
Serão os oprimidos do “comunismo” os mesmos oprimidos da ordem liberal, que é a nossa e que dá feição ao nosso direito? Acho que não são. Se não são e se Eros é ministro de um Supremo conformado segundo essa ordem, ele tem de pedir afastamento — o que seria um gesto de grandeza — ou de ser afastado. Fica difícil ao ministro negar que tenha confessado um pendor subversivo. Isto mesmo: subversão da ordem em nome do seu entendimento muito particular do que é justiça.
Vocês se lembram: há dias escrevi aqui qual é, para mim, a diferença mais importante entre esquerda e direita. A primeira, afirmei, solapa a ordem em nome de um entendimento particular do que é justiça; a segunda, não. Grau, sem dúvida, é um esquerdista infiltrado no STF. Não. Não estou cobrando que haja lá 11 ministros de direita. Estou cobrando que haja lá 11 ministros preocupados com o que está nos autos e na Constituição. E que entendam o direito que temos, derivado da ordem democrática, como o consenso possível numa sociedade aberta — que, Santo Deus!, não é comunista!!!
Se a Justiça é o terreno da luta de classes, suponho que o bandido da história marxista — o burguês — estará sempre em maus lençóis quando cair nas mãos de Eros Grau , ainda que esteja certo; ainda que a letra da lei acolha a sua demanda. Não! Não sou eu que estou a dizer isso; é ele. Ora, o corolário é óbvio e vem em forma de pergunta: existe estado de direito assim? Sim, é fato, pode existir um estado de direito numa ordem ditatorial. Mas é o nosso caso? Não vivemos numa democracia? Ah, pelo visto, o marxista Eros Grau — ainda que de um marxismo meio chinfrim — deve considerar, como seus pares de ideologia, que a democracia burguesa só mascara as injustiças sociais: que não passa, como queria Lênin, de uma trapaça.
Diogo lembrou bem, e eu mesmo já escrevi isso aqui algumas vezes: não suportamos os fascistas, os nazistas, a delinqüência moral e política de direita. Por que o comunismo goza dessa reputação positiva, pode ser vendido como “utopia”? Um regime que matou 40 milhões na ex-URSS, 70 milhões na China, 3 milhões no Camboja, outros milhões mundo afora em guerras civis, esse regime pode reivindicar o estatuto de coisa benigna? Um ministro que se declarasse ainda fascista — “quem foi nunca deixa de ser” — seria suportado no Supremo, ainda que não declarasse pôr um pouco de sua utopia em seus votos? E que se note: eu defenderia que esse ministro fosse impedido de integrar o Supremo. E defendo o mesmo para um comunista.
Eros Grau faz 70 anos em agosto de 2010 e será, então, obrigado a deixar o Supremo. Eu o convido a fazê-lo já, para que possa, então, exercer livremente o seu credo ideológico e seus talentos de literato.
Nota: E não que eu censure o escritor Eros Grau por causa de seus temas. Só lhe deploro o gosto. Reparem nestes versos:
A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
rebunda.
É Carlos Drummond de Andrade. Que fazia versos e não era ministro do Supremo.
Se você ainda não ouviu o Podcast de Diogo Mainardi, clique aqui
Por Reinaldo Azevedo 04:15
Num tribunal literário, o romancista Eros Grau seria sentenciado à pena máxima. E ele a pagaria até o último vocábulo impróprio, até o ultimo pernosticismo, até a última tolice, até a última literatice, até a última lorota erótica, com seus “peitinhos de perdiz”, “pênis como se fosse ferro em brasa, que chega até a garganta” (???) e “flatulências vaginais” — tenho uma hipótese para essa ocorrência sonora, mas prefiro me abster. Ao estrear como autor fescenino, Eros Grau só conseguiu ser cafona, flechando o bom gosto, o bom senso e o decoro da língua.
Mas isso é problema dele. O senso de ridículo é uma das coisas mais mal-distribuídas no mundo. A melhor coisa do romance de Grau — Triângulo no Ponto — é a liberdade que temos de ignorá-lo. Em suma: não somos obrigados a lê-lo. Grau não pode nos submeter a seus juízos sobre o que é ou não é boa literatura. Mas a sua opinião sobre o direito e a Justiça, infelizmente, é problema nosso. Na entrevista concedida a Ricardo Noblat, publicada em O Globo, o juiz Eros Grau, um dos 11 membros do Supremo Tribunal Federal, foi muito além do razoável.
Também isso vamos ignorar, porque estamos nos acostumando a ignorar tudo. Poucos se dão conta do paulatino e contínuo rebaixamento das instituições brasileiras. São tantas as barbaridades do romancista Eros Grau, que elas deitam uma sombra sobre as barbaridades que diz o juiz Eros Grau. A pergunta que resta óbvia é a seguinte: dadas as suas palavras, ele tem condições de julgar com isenção? Sua opinião sobre a Justiça brasileira é depreciativa; sua conduta como juiz, ele nos diz, busca interferir na realidade com as tintas de sua utopia — comunista, ele faz questão de revelar.
Afirma o ministro: “(...) Diria que o Direito que está aí é mais comprometido com a preservação da ordem. Mais com ela do que com a própria Justiça, porque é necessário que essa ordem burguesa seja mantida." E então informa o repórter: “A palavra ‘burguesa’ remete Eros ao seu livro de ficção. Ele lê: ‘Eu digo: nós transportávamos a utopia nos nossos ombros’”. A seqüência merece ser reproduzida na íntegra:
Essa utopia se perdeu?
Para mim, não. Tento preservá-la nos votos que dou. É quando a minha mulher diz: “Mas você é terrível, você deixa sempre a sua marca”.
Qual é essa marca?
O Poder Judiciário é uma arena onde se joga a luta de classes. Por exemplo: a greve no setor privado é uma disputa de mais-valia. A greve no setor público é uma disputa de classe. Sempre faço algumas coisas mostrando a minha preocupação com o social.
As palavras de Grau não deixam margem a interpretações nem severas nem benevolentes. Valem pelo que são. Ele vê no país um regime burguês, mais preocupado com a ordem do que com a justiça, apanágio, entende-se, do comunismo, de cuja crença ele ainda não declinou. É a sua utopia. E, como juiz, ele nos adverte: “Tento preservá-la nos votos que dou.” Àquela altura da conversa, já havia passado uma informação errada aos leitores — “Lúcio de Mendonça inventou o romance realista”; é falso! No trecho acima, fica evidente que ele, embora lide com categorias marxistas como “mais valia” e “classe”, ignora absolutamente o significado das expressões. Vai além das suas sandálias, frase que quase escrevo em latim para homenagear o professor de direito da São Francisco (USP).
Vejam lá. Um juiz da nossa Suprema Corte, que nunca deixou de ser comunista, acredita que a justiça é o delta da luta de classes, que ele toma como um dado da natureza, cuja existência ele declara com a naturalidade de quem afirma: “Hoje é sexta-feira”. A luta de classes não é um evento do mundo físico, não é como a lei da gravidade. Trata-se de uma teoria, de uma escolha, com uma marca ideológica — mesmo para quem, feito Eros Grau, cultiva um marxismo chinfrim, desinformado, rombudo. O problema é que, se é assim que ele vê o mundo, as contendas que chegam às suas mãos já passaram por esse filtro. Só posso concluir que, à altura em que decide, já identificou os "oprimidos" e os "opressores" da contenda. Utopista que é, bom comunista que nunca deixou de ser, há sempre de escolher o lado do “oprimido”. Afinal, ele quer corrigir o excesso de ordem do nosso direito com um pouco de justiça, certo?
Serão os oprimidos do “comunismo” os mesmos oprimidos da ordem liberal, que é a nossa e que dá feição ao nosso direito? Acho que não são. Se não são e se Eros é ministro de um Supremo conformado segundo essa ordem, ele tem de pedir afastamento — o que seria um gesto de grandeza — ou de ser afastado. Fica difícil ao ministro negar que tenha confessado um pendor subversivo. Isto mesmo: subversão da ordem em nome do seu entendimento muito particular do que é justiça.
Vocês se lembram: há dias escrevi aqui qual é, para mim, a diferença mais importante entre esquerda e direita. A primeira, afirmei, solapa a ordem em nome de um entendimento particular do que é justiça; a segunda, não. Grau, sem dúvida, é um esquerdista infiltrado no STF. Não. Não estou cobrando que haja lá 11 ministros de direita. Estou cobrando que haja lá 11 ministros preocupados com o que está nos autos e na Constituição. E que entendam o direito que temos, derivado da ordem democrática, como o consenso possível numa sociedade aberta — que, Santo Deus!, não é comunista!!!
Se a Justiça é o terreno da luta de classes, suponho que o bandido da história marxista — o burguês — estará sempre em maus lençóis quando cair nas mãos de Eros Grau , ainda que esteja certo; ainda que a letra da lei acolha a sua demanda. Não! Não sou eu que estou a dizer isso; é ele. Ora, o corolário é óbvio e vem em forma de pergunta: existe estado de direito assim? Sim, é fato, pode existir um estado de direito numa ordem ditatorial. Mas é o nosso caso? Não vivemos numa democracia? Ah, pelo visto, o marxista Eros Grau — ainda que de um marxismo meio chinfrim — deve considerar, como seus pares de ideologia, que a democracia burguesa só mascara as injustiças sociais: que não passa, como queria Lênin, de uma trapaça.
Diogo lembrou bem, e eu mesmo já escrevi isso aqui algumas vezes: não suportamos os fascistas, os nazistas, a delinqüência moral e política de direita. Por que o comunismo goza dessa reputação positiva, pode ser vendido como “utopia”? Um regime que matou 40 milhões na ex-URSS, 70 milhões na China, 3 milhões no Camboja, outros milhões mundo afora em guerras civis, esse regime pode reivindicar o estatuto de coisa benigna? Um ministro que se declarasse ainda fascista — “quem foi nunca deixa de ser” — seria suportado no Supremo, ainda que não declarasse pôr um pouco de sua utopia em seus votos? E que se note: eu defenderia que esse ministro fosse impedido de integrar o Supremo. E defendo o mesmo para um comunista.
Eros Grau faz 70 anos em agosto de 2010 e será, então, obrigado a deixar o Supremo. Eu o convido a fazê-lo já, para que possa, então, exercer livremente o seu credo ideológico e seus talentos de literato.
Nota: E não que eu censure o escritor Eros Grau por causa de seus temas. Só lhe deploro o gosto. Reparem nestes versos:
A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
rebunda.
É Carlos Drummond de Andrade. Que fazia versos e não era ministro do Supremo.
Se você ainda não ouviu o Podcast de Diogo Mainardi, clique aqui
Por Reinaldo Azevedo 04:15
Monday, March 26, 2007
LESÃO CEREBRAL OU CULTURA DA SEM-VERGONHICE - Do site www.diegocasagrande.com.br em 23/03/07
por Maria Lucia Victor Barbosa, socióloga
Atualmente algumas pessoas que se envergonham de serem brasileiras, perguntam: “Será que nosso povo perdeu a vergonha, pois acha natural tudo o que esse governo faz e ainda o reelege” Bem, isto faz parte de uma longa história, a nossa história, e seria necessário escrever um “Tratado de Sociologia da Sem-vergonhice” para formular resposta adequada. Em todo caso, tentarei dá-la, ainda que de modo bastante resumido. Começo lembrando uma interpretação biológica baseada em leitura da Folha de S.Paulo, de 22/03/07. Segundo o jornal, neurocientistas pesquisaram e levantaram a hipótese de que existe uma parte específica do cérebro, (córtex prefrontal ventromedial) onde se alojam emoções, e que parece ser crítica para certos aspectos da moralidade. As pesquisas feitas com grupos de pacientes que apresentavam lesão nessa região cerebral mostraram que eles exibiam menos empatia, compaixão, culpa, vergonha e arrependimento.Se analisarmos o governo que aí está notaremos que nunca dantes nesse país, autoridades, que deveriam dar bom exemplo, tiveram tão pouca empatia ou compaixão com relação ao povo. Vimos idosos de noventa anos ou mais em filas para provar que estavam vivos. A Saúde é um descalabro e nos atendimentos do SUS se observa a crueldade dispensada aos doentes. A violência vai vitimando, inclusive, crianças como João Hélio que foi morto barbaramente no país da impunidade e da indiferença dos governantes para com a dor alheia. Rebaixaram os rendimentos da poupança para premiar os grandes investidores, prejudicando os menores. O FGTS poderá ser afetado do mesmo modo e o trabalhador, que sempre votou no Partido dos Trabalhadores, vai perder renda se perder da inflação. O apagão aéreo parece divertir o governo que nega a crise, enquanto o presidente da República finge que está tomando providências. A lista de maldades é vasta, sendo impossível enumerá-las todas em curto artigo.Quanto aos sentimentos de culpa, vergonha e arrependimento inexistem. O presidente da República nada sabe, nada vê, se permite brincadeiras grosseiras como a do ponto G e deixa a vida levá-lo, que a vida dos poderosos é doce e boa. José Dirceu faz festa de aniversário, recebe Delúbio, “os quarenta” e muitos mais. Dizem que o ex-guerrilheiro é consultor regiamente pago em moldes capitalistas, não ficando claro que tipo de consultoria ele dá. Pode-se apenas imaginar. Não se sabe se seu fiel auxiliar, Waldomiro Diniz, ou o gerente do PT, Marcos Valério, estavam presentes à festança. Mas, se não estavam, devem continuar festejando por aí, enquanto no Congresso mensaleiros e sanguessugas voltaram e tiveram seu contingente ampliado. É como se dissessem: Se o Executivo mandar, faremos todos. Quanto à maioria dos brasileiros, se fosse estudada pelos neurocientistas provavelmente seria apontada como portadora da tal lesão cerebral. Mas, como penso que as teorias sobre o cérebro ainda engatinham nos caminhos da ciência, prefiro a opinião de Michael Koenigs que afirmou: “a reação da maquinaria emocional com respeito a questões morais é sem dúvida moldada por forças culturais”.Em se tratando de cultura entendida como o complexo de valores, comportamentos e atitudes de uma dada sociedade, é válido afirmar que desde tempos coloniais fomos dúbios em questão morais. Individualistas por excelência. Preferimos nossa adorável bagunça à organização das associações baseadas em trabalho competente. Buscamos privilégios sem merecê-los. De nossas matrizes étnicas herdamos o culto ao ócio abençoado, o jeitinho, a festa, o atraso. E pesou sobre nós a Igreja da Contra-Reforma e da Inquisição.Hoje em dia continuamos a viver atrás de facilidades preferivelmente alcançadas por esperteza ou doação de alguma autoridade paternal. Não temos de modo geral o sentido de conquista no tocante ao esforço pessoal, não nos faltando, porém, a capacidade predatória. Não sabemos exercer o poder, mas tão-somente nos beneficiar do poder. Simulamos democracia, mas somos autoritários. Preferimos sempre culpar alguém ou algo para nos eximirmos de nossas responsabilidades. Somos ufanistas com relação à nossa cultura da malandragem e da sem-vergonhice.Recentemente chegamos ao fundo do poço. A ausência total de valores estimula a mentira e a corrupção. O mínimo de moralidade pública e privada foi corroída no país onde todos são “heróis”. Será que o povo brasileiro sofre de lesão cerebral? Não creio, pois isto nos eximiria de qualquer responsabilidade. Prefiro dizer que levamos ao paroxismo a cultura da sem-vergonhice, consentida e consciente, aquela que as mais altas autoridades esbanjam como patrimônio nacional. Na pátria de Macunaíma quem rouba, faz. Quem mata tem seus direito humanos preservados. Afinal, somos todos éticos e “não existe pecado do lado de baixo do Equador”. Não há do que se queixar.
Atualmente algumas pessoas que se envergonham de serem brasileiras, perguntam: “Será que nosso povo perdeu a vergonha, pois acha natural tudo o que esse governo faz e ainda o reelege” Bem, isto faz parte de uma longa história, a nossa história, e seria necessário escrever um “Tratado de Sociologia da Sem-vergonhice” para formular resposta adequada. Em todo caso, tentarei dá-la, ainda que de modo bastante resumido. Começo lembrando uma interpretação biológica baseada em leitura da Folha de S.Paulo, de 22/03/07. Segundo o jornal, neurocientistas pesquisaram e levantaram a hipótese de que existe uma parte específica do cérebro, (córtex prefrontal ventromedial) onde se alojam emoções, e que parece ser crítica para certos aspectos da moralidade. As pesquisas feitas com grupos de pacientes que apresentavam lesão nessa região cerebral mostraram que eles exibiam menos empatia, compaixão, culpa, vergonha e arrependimento.Se analisarmos o governo que aí está notaremos que nunca dantes nesse país, autoridades, que deveriam dar bom exemplo, tiveram tão pouca empatia ou compaixão com relação ao povo. Vimos idosos de noventa anos ou mais em filas para provar que estavam vivos. A Saúde é um descalabro e nos atendimentos do SUS se observa a crueldade dispensada aos doentes. A violência vai vitimando, inclusive, crianças como João Hélio que foi morto barbaramente no país da impunidade e da indiferença dos governantes para com a dor alheia. Rebaixaram os rendimentos da poupança para premiar os grandes investidores, prejudicando os menores. O FGTS poderá ser afetado do mesmo modo e o trabalhador, que sempre votou no Partido dos Trabalhadores, vai perder renda se perder da inflação. O apagão aéreo parece divertir o governo que nega a crise, enquanto o presidente da República finge que está tomando providências. A lista de maldades é vasta, sendo impossível enumerá-las todas em curto artigo.Quanto aos sentimentos de culpa, vergonha e arrependimento inexistem. O presidente da República nada sabe, nada vê, se permite brincadeiras grosseiras como a do ponto G e deixa a vida levá-lo, que a vida dos poderosos é doce e boa. José Dirceu faz festa de aniversário, recebe Delúbio, “os quarenta” e muitos mais. Dizem que o ex-guerrilheiro é consultor regiamente pago em moldes capitalistas, não ficando claro que tipo de consultoria ele dá. Pode-se apenas imaginar. Não se sabe se seu fiel auxiliar, Waldomiro Diniz, ou o gerente do PT, Marcos Valério, estavam presentes à festança. Mas, se não estavam, devem continuar festejando por aí, enquanto no Congresso mensaleiros e sanguessugas voltaram e tiveram seu contingente ampliado. É como se dissessem: Se o Executivo mandar, faremos todos. Quanto à maioria dos brasileiros, se fosse estudada pelos neurocientistas provavelmente seria apontada como portadora da tal lesão cerebral. Mas, como penso que as teorias sobre o cérebro ainda engatinham nos caminhos da ciência, prefiro a opinião de Michael Koenigs que afirmou: “a reação da maquinaria emocional com respeito a questões morais é sem dúvida moldada por forças culturais”.Em se tratando de cultura entendida como o complexo de valores, comportamentos e atitudes de uma dada sociedade, é válido afirmar que desde tempos coloniais fomos dúbios em questão morais. Individualistas por excelência. Preferimos nossa adorável bagunça à organização das associações baseadas em trabalho competente. Buscamos privilégios sem merecê-los. De nossas matrizes étnicas herdamos o culto ao ócio abençoado, o jeitinho, a festa, o atraso. E pesou sobre nós a Igreja da Contra-Reforma e da Inquisição.Hoje em dia continuamos a viver atrás de facilidades preferivelmente alcançadas por esperteza ou doação de alguma autoridade paternal. Não temos de modo geral o sentido de conquista no tocante ao esforço pessoal, não nos faltando, porém, a capacidade predatória. Não sabemos exercer o poder, mas tão-somente nos beneficiar do poder. Simulamos democracia, mas somos autoritários. Preferimos sempre culpar alguém ou algo para nos eximirmos de nossas responsabilidades. Somos ufanistas com relação à nossa cultura da malandragem e da sem-vergonhice.Recentemente chegamos ao fundo do poço. A ausência total de valores estimula a mentira e a corrupção. O mínimo de moralidade pública e privada foi corroída no país onde todos são “heróis”. Será que o povo brasileiro sofre de lesão cerebral? Não creio, pois isto nos eximiria de qualquer responsabilidade. Prefiro dizer que levamos ao paroxismo a cultura da sem-vergonhice, consentida e consciente, aquela que as mais altas autoridades esbanjam como patrimônio nacional. Na pátria de Macunaíma quem rouba, faz. Quem mata tem seus direito humanos preservados. Afinal, somos todos éticos e “não existe pecado do lado de baixo do Equador”. Não há do que se queixar.
Thursday, March 15, 2007
UMA ESCOLHA MINISTERIAL EXTREMAMENTE GRAVE! DZERZHINSKI, BERIA, HIMMLER, HEYDRICH, HEINRICH MULLER, TARSO GENRO! - Ex bolg Cesar Maia de 14/03/07
01. Hindenburg e as demais forças políticas alemãs convergentes se dobraram ao partido nacional socialista -nazi- e aceitaram uma coalizão majoritária com Hitler como chanceler (primeiro ministro). A 30 de janeiro de 1933, jurou perante o Reichstag. A composição do governo surpreendeu a seus aliados. Hitler não quis saber do ministério da economia, nem das forças armadas naquele momento. Queria o controle da Polícia. A partir desta foi controlando o próprio Estado por dentro, investigando, reprimindo e eliminando seus opositores. Construiu a Geheime Staatspolizei -conhecida resumidamente como Gestapo- sua polícia secreta, sem farda, que atuou com o poder de uma força armada paralela, sem limites. Inicialmente dirigida por Himmler, e em seguida por Heydrich a partir de 1936 e por Muller em 1939, impôs o terror de Estado a seus adversários políticos e aos que perseguia, usando a eliminação física como penalidade banal.
02. Uma vez no poder a fins de 1917 os bolcheviques organizaram o exército vermelho sob o comando de Trotsky. Para isso chamaram de volta vários oficiais do exército do Czar, especialistas em organização militar. Mas a Polícia deveria ser uma força pura composta exclusivamente de militantes comunistas treinados e automaticamente leais às ordens recebidas. Assim foi criada a Cheka -comissariado extraordinário para o combate à contra-revolução e a sabotagem. Foi sucedida pela GPU -administração política do Estado- e pela KGB que aos moldes da Gestapo e sob o comando de Beria, impôs o terror de Estado e a eliminação física de seus adversários dentro e fora do partido, na lógica estalinista.
03. Para construir e dirigir a Cheka foi chamado Félix Edmundovich Dzerzhinski, polonês de nascimento membro do partido na Lituânia e um dos fundadores do Partido na Polônia em 1900 e que foi transferido ao Partido Bolchevique em 1917, assim que foi solto de uma condenação a prisão de cinco anos. Lenin se referia a Dzerzhisnki como "herói, revolucionário profissional comunista e destacada personalidade do Partido Comunista e do Estado Soviético". Sua importância pode ser medida pela recente inauguração de seu busto por Putin em novembro de 2005.
04. A entrega por Lula da Polícia Federal a um militante partidário como Tarso Genro é fato de extrema gravidade. Será entregar os arquivos, as investigações e a ação da Polícia Federal a um militante político-ideológico que não terá limites para levar as informações para o setor de inteligência do PT, que ficou a descoberto nas eleições de 2006. Que não terá limites em direcionar as operações da Polícia Federal no sentido de seus adversários políticos. Que assombrará as empresas com essa possibilidade tornando os pedidos de financiamento do Partido como ordens implícitas. Que entrará inevitavelmente na vida privada de seus adversários através dos grampos -ditos autorizados. Que trará os meios de comunicação sob o risco de suas operações.
05. Essa decisão equivale potencialmente ao que ocorreu na Alemanha Nazi e na Rússia Bolchevique. Será transformar a Polícia Federal -de fato- num braço da Gestapo, da KGB petista. Nunca em tempos democráticos os governos brasileiros ousaram tanto. Nunca na história política do Brasil em tempos de democracia -desde o Império- se designa para chefiar o ministério da justiça e portanto a Polícia, um militante partidário ideológico. A vocação autoritária de Lula-PT crescentemente nítida se torna agora transparente e translúcida. Que os partidos políticos e os lideres sociais, sindicais e empresariais que não rezam na cartilha petista se cuidem, pois vem aí a Cheka brasileira. Tarso Genro: Lenin, Coração e Mente! Não se trata de crítica, mas de uma publicação sua. Quem viver, verá!
06. A tempo! Entre 14/11/2001 e 3/4/2002 um antigo militante no partido do governo ocupou o ministério da justiça. Foi o suficiente para uma central de grampos cercar a candidata a presidente que se igualava nas pesquisas a Lula. Um dinheiro caixa 2 foi localizado e a candidatura dela desmontada. Coincidência? Reforça a lógica descrita acima? E foram só 4 meses no ministério.
02. Uma vez no poder a fins de 1917 os bolcheviques organizaram o exército vermelho sob o comando de Trotsky. Para isso chamaram de volta vários oficiais do exército do Czar, especialistas em organização militar. Mas a Polícia deveria ser uma força pura composta exclusivamente de militantes comunistas treinados e automaticamente leais às ordens recebidas. Assim foi criada a Cheka -comissariado extraordinário para o combate à contra-revolução e a sabotagem. Foi sucedida pela GPU -administração política do Estado- e pela KGB que aos moldes da Gestapo e sob o comando de Beria, impôs o terror de Estado e a eliminação física de seus adversários dentro e fora do partido, na lógica estalinista.
03. Para construir e dirigir a Cheka foi chamado Félix Edmundovich Dzerzhinski, polonês de nascimento membro do partido na Lituânia e um dos fundadores do Partido na Polônia em 1900 e que foi transferido ao Partido Bolchevique em 1917, assim que foi solto de uma condenação a prisão de cinco anos. Lenin se referia a Dzerzhisnki como "herói, revolucionário profissional comunista e destacada personalidade do Partido Comunista e do Estado Soviético". Sua importância pode ser medida pela recente inauguração de seu busto por Putin em novembro de 2005.
04. A entrega por Lula da Polícia Federal a um militante partidário como Tarso Genro é fato de extrema gravidade. Será entregar os arquivos, as investigações e a ação da Polícia Federal a um militante político-ideológico que não terá limites para levar as informações para o setor de inteligência do PT, que ficou a descoberto nas eleições de 2006. Que não terá limites em direcionar as operações da Polícia Federal no sentido de seus adversários políticos. Que assombrará as empresas com essa possibilidade tornando os pedidos de financiamento do Partido como ordens implícitas. Que entrará inevitavelmente na vida privada de seus adversários através dos grampos -ditos autorizados. Que trará os meios de comunicação sob o risco de suas operações.
05. Essa decisão equivale potencialmente ao que ocorreu na Alemanha Nazi e na Rússia Bolchevique. Será transformar a Polícia Federal -de fato- num braço da Gestapo, da KGB petista. Nunca em tempos democráticos os governos brasileiros ousaram tanto. Nunca na história política do Brasil em tempos de democracia -desde o Império- se designa para chefiar o ministério da justiça e portanto a Polícia, um militante partidário ideológico. A vocação autoritária de Lula-PT crescentemente nítida se torna agora transparente e translúcida. Que os partidos políticos e os lideres sociais, sindicais e empresariais que não rezam na cartilha petista se cuidem, pois vem aí a Cheka brasileira. Tarso Genro: Lenin, Coração e Mente! Não se trata de crítica, mas de uma publicação sua. Quem viver, verá!
06. A tempo! Entre 14/11/2001 e 3/4/2002 um antigo militante no partido do governo ocupou o ministério da justiça. Foi o suficiente para uma central de grampos cercar a candidata a presidente que se igualava nas pesquisas a Lula. Um dinheiro caixa 2 foi localizado e a candidatura dela desmontada. Coincidência? Reforça a lógica descrita acima? E foram só 4 meses no ministério.
Sunday, March 11, 2007
Visita de Bush - Do Blog Prosa&Política de 10/03/07
O New Idiota
Por Adauto Medeiros, engenheiro civil e empresário.
http://www.pep-home.blogspot.com/
Luciana Genro (PSOL/RS) - declarou em alto e bom som: “George Bush senhor da opressão dos povos latino-americanos, não é bem vindo”. Essa afirmação dita pela passagem do presidente americano pelo país, tinha que partir de político jovem e acima de tudo pautado no medo que a esquerda sempre teve de fazer uma avaliação da realidade econômica e principalmente em se tratando de uma política jovem de classe média que pode freqüentar a universidade e pegou uma gonorréia juvenil, ma que apesar das várias evidências como a queda do muro de Berlim ainda não se vacinou com a penicilina ideológica, claro, como diz Roberto Campos no prefácio do livro “Manual do perfeito idiota latino americano”.
Luciana Genro, no entanto, esqueceu dos 27 Bancos estaduais que quebraram pela má administração estatal, esqueceu as 27 companhias de eletricidade que só serviam aos funcionários e aos políticos como ela, cujo maior sonho é ser “empresário estatal”, uma vez que não precisa de competência, talento e dinheiro. São empresários sem risco que não precisam empreender e trabalhar; ela esqueceu as 27 empresas telefônicas dos estados que nós, usuários, precisávamos pagar por um telefone, antecipadamente, e esperar três anos para recebê-lo. O governo federal (no governo Lula) investiu 84 bilhões de reais em infra-estrutura, enquanto a telefonia privada já investiu 160 bilhões de reais desde a privatização. Isso mostra
Mas não foram os americanos que encheram as assembléias e o Congresso de funcionários fantasmas e desviaram o dinheiro dos investimentos produtivos. Ao contrário, foram eles que deram a siderúrgica de Volta Redonda toda montada (em acordo entre Roosevelt e Getúlio Vargas, feito inclusive em Natal/RN) e sem ela jamais poderíamos termos nos industrializados. Não foram os americanos que quebraram a Embraer que quando foi vendida fabricava 4 aviões por ano e hoje (depois de privatizada) é a 3º companhia de aviação do mundo. Não foram os americanos que criaram uma oligarquia empresarial, trabalhando, produzindo sem concorrência, nem uma burocracia sufocante cobrando impostos, nem clientelismo político, nem centrais sindicais fazendo acordos salariais incômodos para o contribuinte e nem a burocracia paranóica e corrupta.
Não foi os americanos que fizeram o Brasil ser o último país a libertar os escravos, aliás, quem libertou a nossa escravidão foram os ingleses para vender suas máquinas; a princesa Isabel apenas levou a culpa. Não foram os americanos que impediram a revolução industrial e nem a tecnológica em nosso país. Devemos reconhecer que até hoje os problemas se arrastam, mas não há convergência política porque somos um país autoritário e a nossa classe dominante foi e continua sendo a pior que pode existir. Veja a segurança pública. Nossa cultura é a do estado perfeito que através dos tempos só tem servido aos poderosos da vez como é o caso da nossa deputada.
Talvez a solução fosse o governo criar uma estatal só para a nobre deputada ter o maior prazer da vida em gastar o dinheiro dos outros como faz no Congresso. E esta potencia que tem um PIB de 13 trilhões de dólares que são os EUA não foi feito com empresas estatais, e sim com a iniciativa privada, a única capaz de gerar riqueza e não déficits como o nosso. Só mesmo o idiota latino americano pode pensar assim, principalmente os que continuam colocando a sua incompetência e suas frustrações nos outros.
Por outro lado, as riquezas naturais do Brasil são petróleo, que é explorado por uma estatal há mais de 50 anos, o minério de ferro que era explorada por uma estatal, a Vale do Rio Doce e que hoje é privada e comandada por empresários brasileiros; a mata amazônica que quem está derrubando são brasileiros e não americanos, e que no dia em que os países ricos deixarem de comprar nossos produtos, nós não vamos comprar nem uma cibalena por que não temos tecnologia para fazer nada. Resta a pergunta: os americanos estão roubando de nós o quê? Eu gostaria muito é que eles tivessem levado para muito longe a incompetência brasileira. Mas isso, infelizmente eles também não fizeram.
adautomedeiros@bol.com.br
Por Adauto Medeiros, engenheiro civil e empresário.
http://www.pep-home.blogspot.com/
Luciana Genro (PSOL/RS) - declarou em alto e bom som: “George Bush senhor da opressão dos povos latino-americanos, não é bem vindo”. Essa afirmação dita pela passagem do presidente americano pelo país, tinha que partir de político jovem e acima de tudo pautado no medo que a esquerda sempre teve de fazer uma avaliação da realidade econômica e principalmente em se tratando de uma política jovem de classe média que pode freqüentar a universidade e pegou uma gonorréia juvenil, ma que apesar das várias evidências como a queda do muro de Berlim ainda não se vacinou com a penicilina ideológica, claro, como diz Roberto Campos no prefácio do livro “Manual do perfeito idiota latino americano”.
Luciana Genro, no entanto, esqueceu dos 27 Bancos estaduais que quebraram pela má administração estatal, esqueceu as 27 companhias de eletricidade que só serviam aos funcionários e aos políticos como ela, cujo maior sonho é ser “empresário estatal”, uma vez que não precisa de competência, talento e dinheiro. São empresários sem risco que não precisam empreender e trabalhar; ela esqueceu as 27 empresas telefônicas dos estados que nós, usuários, precisávamos pagar por um telefone, antecipadamente, e esperar três anos para recebê-lo. O governo federal (no governo Lula) investiu 84 bilhões de reais em infra-estrutura, enquanto a telefonia privada já investiu 160 bilhões de reais desde a privatização. Isso mostra
Mas não foram os americanos que encheram as assembléias e o Congresso de funcionários fantasmas e desviaram o dinheiro dos investimentos produtivos. Ao contrário, foram eles que deram a siderúrgica de Volta Redonda toda montada (em acordo entre Roosevelt e Getúlio Vargas, feito inclusive em Natal/RN) e sem ela jamais poderíamos termos nos industrializados. Não foram os americanos que quebraram a Embraer que quando foi vendida fabricava 4 aviões por ano e hoje (depois de privatizada) é a 3º companhia de aviação do mundo. Não foram os americanos que criaram uma oligarquia empresarial, trabalhando, produzindo sem concorrência, nem uma burocracia sufocante cobrando impostos, nem clientelismo político, nem centrais sindicais fazendo acordos salariais incômodos para o contribuinte e nem a burocracia paranóica e corrupta.
Não foi os americanos que fizeram o Brasil ser o último país a libertar os escravos, aliás, quem libertou a nossa escravidão foram os ingleses para vender suas máquinas; a princesa Isabel apenas levou a culpa. Não foram os americanos que impediram a revolução industrial e nem a tecnológica em nosso país. Devemos reconhecer que até hoje os problemas se arrastam, mas não há convergência política porque somos um país autoritário e a nossa classe dominante foi e continua sendo a pior que pode existir. Veja a segurança pública. Nossa cultura é a do estado perfeito que através dos tempos só tem servido aos poderosos da vez como é o caso da nossa deputada.
Talvez a solução fosse o governo criar uma estatal só para a nobre deputada ter o maior prazer da vida em gastar o dinheiro dos outros como faz no Congresso. E esta potencia que tem um PIB de 13 trilhões de dólares que são os EUA não foi feito com empresas estatais, e sim com a iniciativa privada, a única capaz de gerar riqueza e não déficits como o nosso. Só mesmo o idiota latino americano pode pensar assim, principalmente os que continuam colocando a sua incompetência e suas frustrações nos outros.
Por outro lado, as riquezas naturais do Brasil são petróleo, que é explorado por uma estatal há mais de 50 anos, o minério de ferro que era explorada por uma estatal, a Vale do Rio Doce e que hoje é privada e comandada por empresários brasileiros; a mata amazônica que quem está derrubando são brasileiros e não americanos, e que no dia em que os países ricos deixarem de comprar nossos produtos, nós não vamos comprar nem uma cibalena por que não temos tecnologia para fazer nada. Resta a pergunta: os americanos estão roubando de nós o quê? Eu gostaria muito é que eles tivessem levado para muito longe a incompetência brasileira. Mas isso, infelizmente eles também não fizeram.
adautomedeiros@bol.com.br
Sunday, February 25, 2007
Saturday, February 24, 2007
Tuesday, February 20, 2007
Monday, February 19, 2007
Thursday, February 15, 2007
Silva, um morto sem sepultura. E Dorothy Stang, o vitimismo como ideologia - Blog do Reinaldo Azevedo em 13/02/07
Silva, um morto sem sepultura. E Dorothy Stang, o vitimismo como ideologia
Foi realizado ontem um ato ecumênico em Belém em homenagem à freira Dorothy Stang, assassinada com sete tiros em 12 de fevereiro de 2005, em Anapu, no Pará. Era militante de uma organização de esquerda. Já se criou uma mitologia sobre as circunstâncias de sua morte. Consta que, antes de disparar contra ela, os assassinos teriam indagado se estava armada. Ela, então, brandiu a Bíblia dizendo: “Eis a minha arma”. E ainda leu alguns trechos antes de morrer. O que vocês querem que eu diga? Não foram os bandidos que contaram essa versão. Não foi a vítima. Consta ter sido uma “testemunha”, que, creio, assistia à história atrás da moita. Por que pistoleiros indagariam a uma freira se ela estava armada? É uma narrativa sem pé nem cabeça, feita para criar mártires. O assassinato da freira foi uma estupidez, e a homenagem é justa. Aproveito para homenagear outra vítima da crueldade brasileira, um brasileiro, pernambucano, preto e pobre, assassinado depois de brutalmente torturado. Como ninguém vai rezar uma missa por ele, faço aqui a minha homenagem particular, que divido com vocês. Escrevi o texto abaixo no dia 15 de fevereiro de 2005.
Silva, um morto sem sepultura
Quantos Luiz Pereira da Silva vale uma Dorothy Stang? Como? Você não se lembra, leitor, de Luiz Pereira da Silva? Não o condeno por isso. Ninguém dá bola para um Silva no Brasil, a menos que ele seja adotado pela patrulha politicamente correta, torne-se um burguês sem capital, reproduza o sistema de exclusão que jurou combater e se torne um cronista das injustiças brasileiras, admitido nos salões requintados para exibir o seu humor rombudo.
É verdade, leitor, a mídia também deu pouco destaque a Luiz Pereira da Silva e confere ao assassinato de Dorothy Stang dimensões épicas. Ela, não há como ignorar, é a missionária americana assassinada em Anapu, no Pará, por pistoleiros que estavam a serviço, tudo indica, de grileiros de terra. Um evento sem dúvida bárbaro, que merece o repúdio de que está sendo objeto no Brasil e no mundo. Faz bem o jornalismo brasileiro em se interessar pela questão. Está correto o presidente Luiz Inácio Lula Incluído da Silva ao mobilizar três ministros de Estado para prantear a sua morte e buscar os culpados. Que esse crime não fique impune e que seus autores e mandantes sejam trancafiados. Mas e quanto a Luiz Pereira da Silva?
Ninguém assistiu ao nada formidável enterro de Silva. Ninguém foi regar o seu cadáver na esperança de que estivesse fertilizando uma causa. O Estado brasileiro, por meio do governo, grita seu silêncio cúmplice e covarde diante de seu corpo. Ele não é nada. Ele não adula as culpas dos intelectuais incluídos de esquerda que pretendem teleguiar o movimento de libertação dos oprimidos a partir da universidade; ele não serve à estranha escatologia de Dom Tomás Balduino, este impressionante bispo que responsabiliza o agronegócio pela morte da religiosa; ele não serve à maior empresa jamais criada de produtos ideológicos no país chamada MST; seu corpo não se presta à mística da luta do Bem contra o mal; de seu cadáver seco das lágrimas das ONGs, das lágrimas dos povos da floresta, das lágrimas de Lula, das lágrimas de Miguel Rossetto, ministro da Reforma Agrária, das lágrimas de Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça, das lágrimas de Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, de seu cadáver seco, enfim, não brota a epifania pagã, não se constroem ideologias finalistas, não se vislumbra o fim dos tempos, não se promove o julgamento dos vivos e dos mortos.
Luiz Pereira da Silva é um morto sem sepultura; Luiz Pereira da Silva é um morto de quinta categoria; Luiz Pereira da Silva confunde as afinidades eletivas dos demagogos brasileiros; Luiz Pereira da Silva pertence àquela estranha categoria de homens que, por mais que sofram, jamais vão se tornar mártires de coisa nenhuma; Luiz Pereira da Silva era pobre demais, desimportante demais, vulgar demais até para ser oferecido em holocausto no altar de fantasmagorias de dom Balduíno; Luiz Pereira da Silva não serve como cordeiro do Deus justiceiro do MST.
Sim, para quem ainda não sabe, é chegada a hora de dizer quem era Luiz Pereira da Silva, doravante agora só conjugado o verbo no passado: “era”, pretérito imperfeito, verbo interrompido pela “luta” dos oprimidos de carteirinha convertidos em assassinos impunes e incensados pelo Estado. Fez-se um “não ser”. Luiz Pereira da Silva era o policial da boa gente pernambucana, um Silva que não fez direito a lição de casa, tornado prisioneiro, torturado e assassinado num assentamento do MST. O episódio se deu no dia 5 de fevereiro na cidade de Quipapá, em Pernambuco.
Outro Silva, Cícero Jacinto, também vítima de tortura, foi feito refém por algumas horas. Ambos estavam no encalço de um assentado convertido em bandido comum. Lula não disse nada. Nilmário Miranda não disse nada. Márcio Thomaz Bastos não disse nada. Miguel Rossetto não disse nada. A própria imprensa não disse quase nada. Dorothy Stang, ao menos, é um ser que se conjuga no futuro. Seu corpo pranteado frutificará. De Silva, dentro em breve, não terá restado senão a memória privada de sua família, uma gente a que também não se dá muita importância. Um dia vai sumir. Historiadores ainda hão de incluir Dorothy Stang no capítulo do que chamam, com aquele vitimismo do triunfo que lhes é bem típico, a “história dos vencidos”. Já o Silva, coitado!, terá sumido na poeira dos tempos: pobre demais para que os “vencedores” se importem com ele; demasiadamente humano para que os vencidos oficiais o transformem em símbolo.
E não me venham acusar de cínico ou impiedoso pela pergunta que abre este texto. A contabilidade macabra não é minha, mas do governo Lula. Quem discrimina cadáveres, atribuindo a uns a santidade política e a outros o desprezo covarde, é o Planalto, não eu. Qualquer morte, reza aquele clichê, belo e profundo ainda assim, nos diminui. A cada uma, é por nós, sem dúvida, que os sinos dobram. A despeito disso, vejo-me compelido a escrever: a do soldado Silva evidencia com mais agudeza alguns riscos que corremos do que a de Dorothy Stang.
Sintomas
Espero que a polícia encontre os responsáveis pelas mortes do policial e da missionária e que, no segundo caso, também sejam presos os mandantes, se houver. Que a Justiça se encarregue deles e lhes dê a pena máxima admitida pela lei brasileira. Assim como jamais condescendi com causas que justificariam o terrorismo, nada, nada mesmo, justifica o homicídio de quem não pode nem mesmo se defender. Não há considerandos a respeito. A questão é absoluta. Mas as duas mortes, conquanto remetam ao mesmo mal, frutificam de forma diferente.
O mal que às duas mortes tem nome: desídia, incompetência do governo federal, que, por ação e omissão, vê explodir a violência no campo. É por ação quando, sabidamente, órgãos do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (e o Incra é a prova escancarada disso) se transformam em aparelhos da militância política, renunciando àquela que é sua condição imanente — ser um corpo técnico para arbitrar as disputas segundo o bem comum — para se tornarem agência de um dos lados do conflito.
Há dias, Miguel Rossetto foi aplaudir a inauguração de uma escola superior de invasões criada pelo MST. Ali, ouviu impassível o discurso de líderes que, sem receio, advogaram a invasão também de terras produtivas. Age para estimular a violência no campo um governo que, dispondo de uma lei para coibir invasões, decide, de forma consciente e acintosa, não aplicá-la. E os demais Poderes e instâncias da República, a começar pela Justiça e pelo Ministério Público, se calam. Age para estimular a violência no campo um governo que, pela boca de seu ministro da Justiça, prega a acomodação tática da Constituição diante dos abusos óbvios do MST.
Omite-se o governo — e, portanto, estimula a violência no campo — quando permite que, ao arrepio de qualquer controle ou acompanhamento responsável, a questão fundiária se transforme em objeto de disputas de organizações não-governamentais e grupos de pressão que põem seus preconceitos e idiossincrasias acima das necessidades econômicas das comunidades nas quais atuam, elegendo, por critérios que lhes são próprios e alheios a qualquer estratégia pública, os perdedores e os vencedores, satanizando uns, incensando outros, fazendo de uns as bestas do apocalipse e, de outros, os anjos da redenção. Ademais, que se observe: outro cadáver se conta em Anapu: trata-se de Adalberto Xavier Leal, funcionário de um suspeito de ser o mandante da morte da religiosa.
O campo voltou a ser palco de ajuste de contas que estão sendo feitos ao arrepio da polícia e dos poderes constituídos da República. À medida que o Estado brasileiro permite que uma força criminosa promova a indústria de invasões, arma, evidentemente, a mão dos que decidem resistir, que se torna, obviamente, não menos criminosa. A diferença importante é que os mortos de um dos lados desaparecem na poeira do tempo, o que vai acontecer com Leal; os do outro viram mártires. E, nesse caso, é impossível deixar de reconhecer: os mortos tornam-se combustível da causa, fertilizam a terra sangrenta regada com a água benta de alguns bispos e o delírio maoísta de alguns santos do pau oco.
As duas mortes, sem dúvida, envergonham as instituições brasileiras, mas há diferenças, volto ao ponto, que expõem aspectos distintos do mesmo mal. Os assassinos de Dorothy Stang são, sob qualquer ponto de vista, marginais; os assassinos do policial Silva têm o desplante de se dizerem vítimas; os assassinos de Dorothy Stang matam e fogem para o mato, e a polícia terá de caçá-los; os assassinos de Silva, na prática, justificam o seu ato e ainda penduram a conta de sua violência nas costas da sociedade brasileira; os assassinos de Dorothy Stang, com razão, tornam-se párias sociais; os de Silva reivindicam a santidade e o direito à justiça com as próprias mãos como se autodefesa fosse; os assassinos de Dorothy Stang praticam o ato nefando correndo, vá lá, os riscos e por empreitada privada; os assassinos de Silva, na prática, são financiados pelo poder público e sabem que não correm nenhum risco ou perigo; os assassinos de Dorothy Stang não merecem nenhuma consideração ou não têm nenhuma circunstância que atenue o horror praticado — e isso está certo; os assassinos de Silva reivindicam uma inocência inata que explica qualquer horror — e isso está errado.
E há mais: Dorothy Stang, é preciso reconhecer, estava numa luta cujos riscos não ignorava. Movia-se naquele espaço da militância que, sabemos todos, é obrigada a flertar com as franjas da ilegalidade, aonde o Estado ou ainda não chegou ou, como é o caso, por incompetência e decisão do governo, jamais chegará. Sua morte agride qualquer princípio da civilidade e da necessária tolerância, jamais se duvide. Mas, entendo, rebaixa menos a República do que o assassinato daquele policial. Enquanto os Silva, já sabidamente policiais, estavam sendo submetidos à tortura, era o Estado brasileiro que se fazia refém de um grupo que aplica suas próprias leis e tem sua própria compreensão do que seja a justiça.
A morte de Dorothy Stang é a prova de um Estado inepto, ausente e incapaz. A morte de Silva é a prova de um Estado contaminado, conspurcado, seqüestrado, feito ele também refém de alguns grupos de pressão. Quando o corpo de Dorothy Stang tombou, levantava-se justamente a indignação nacional. Quando o corpo de Silva tombou, armou-se apenas o silêncio pusilânime do governo, da mídia e das ONGs.
Tanto o silêncio, num caso, como o alarde, no outro, são sintomas evidentes de que, a essas mortes, outras se seguirão. Um dos corpos, o de Silva, já foi esquecido. O outro, o de Dorothy, é um cadáver que procria, é um cadáver que alimenta a causa, é um cadáver, no fim das contas, útil, é um cadáver cujo sentido é gerar outros cadáveres para que, do acúmulo de mortes e mártires, brote a pátria dos sonhos, que é puro horror, de certos grupos que hoje encabrestam a República.
Não pensem que, à feição do governo, também eu lamente mais uma morte do que outra. Não! Tenho a ambição de ter vergonha na cara. Considero indecente, essencialmente imoral, estabelecer o preço político de uma vida, seja para endeusar os mortos, seja para ignorá-los, justificando, tanto em um caso como no outro, a violência dos vivos.
Por Reinaldo Azevedo 13:45
Foi realizado ontem um ato ecumênico em Belém em homenagem à freira Dorothy Stang, assassinada com sete tiros em 12 de fevereiro de 2005, em Anapu, no Pará. Era militante de uma organização de esquerda. Já se criou uma mitologia sobre as circunstâncias de sua morte. Consta que, antes de disparar contra ela, os assassinos teriam indagado se estava armada. Ela, então, brandiu a Bíblia dizendo: “Eis a minha arma”. E ainda leu alguns trechos antes de morrer. O que vocês querem que eu diga? Não foram os bandidos que contaram essa versão. Não foi a vítima. Consta ter sido uma “testemunha”, que, creio, assistia à história atrás da moita. Por que pistoleiros indagariam a uma freira se ela estava armada? É uma narrativa sem pé nem cabeça, feita para criar mártires. O assassinato da freira foi uma estupidez, e a homenagem é justa. Aproveito para homenagear outra vítima da crueldade brasileira, um brasileiro, pernambucano, preto e pobre, assassinado depois de brutalmente torturado. Como ninguém vai rezar uma missa por ele, faço aqui a minha homenagem particular, que divido com vocês. Escrevi o texto abaixo no dia 15 de fevereiro de 2005.
Silva, um morto sem sepultura
Quantos Luiz Pereira da Silva vale uma Dorothy Stang? Como? Você não se lembra, leitor, de Luiz Pereira da Silva? Não o condeno por isso. Ninguém dá bola para um Silva no Brasil, a menos que ele seja adotado pela patrulha politicamente correta, torne-se um burguês sem capital, reproduza o sistema de exclusão que jurou combater e se torne um cronista das injustiças brasileiras, admitido nos salões requintados para exibir o seu humor rombudo.
É verdade, leitor, a mídia também deu pouco destaque a Luiz Pereira da Silva e confere ao assassinato de Dorothy Stang dimensões épicas. Ela, não há como ignorar, é a missionária americana assassinada em Anapu, no Pará, por pistoleiros que estavam a serviço, tudo indica, de grileiros de terra. Um evento sem dúvida bárbaro, que merece o repúdio de que está sendo objeto no Brasil e no mundo. Faz bem o jornalismo brasileiro em se interessar pela questão. Está correto o presidente Luiz Inácio Lula Incluído da Silva ao mobilizar três ministros de Estado para prantear a sua morte e buscar os culpados. Que esse crime não fique impune e que seus autores e mandantes sejam trancafiados. Mas e quanto a Luiz Pereira da Silva?
Ninguém assistiu ao nada formidável enterro de Silva. Ninguém foi regar o seu cadáver na esperança de que estivesse fertilizando uma causa. O Estado brasileiro, por meio do governo, grita seu silêncio cúmplice e covarde diante de seu corpo. Ele não é nada. Ele não adula as culpas dos intelectuais incluídos de esquerda que pretendem teleguiar o movimento de libertação dos oprimidos a partir da universidade; ele não serve à estranha escatologia de Dom Tomás Balduino, este impressionante bispo que responsabiliza o agronegócio pela morte da religiosa; ele não serve à maior empresa jamais criada de produtos ideológicos no país chamada MST; seu corpo não se presta à mística da luta do Bem contra o mal; de seu cadáver seco das lágrimas das ONGs, das lágrimas dos povos da floresta, das lágrimas de Lula, das lágrimas de Miguel Rossetto, ministro da Reforma Agrária, das lágrimas de Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça, das lágrimas de Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, de seu cadáver seco, enfim, não brota a epifania pagã, não se constroem ideologias finalistas, não se vislumbra o fim dos tempos, não se promove o julgamento dos vivos e dos mortos.
Luiz Pereira da Silva é um morto sem sepultura; Luiz Pereira da Silva é um morto de quinta categoria; Luiz Pereira da Silva confunde as afinidades eletivas dos demagogos brasileiros; Luiz Pereira da Silva pertence àquela estranha categoria de homens que, por mais que sofram, jamais vão se tornar mártires de coisa nenhuma; Luiz Pereira da Silva era pobre demais, desimportante demais, vulgar demais até para ser oferecido em holocausto no altar de fantasmagorias de dom Balduíno; Luiz Pereira da Silva não serve como cordeiro do Deus justiceiro do MST.
Sim, para quem ainda não sabe, é chegada a hora de dizer quem era Luiz Pereira da Silva, doravante agora só conjugado o verbo no passado: “era”, pretérito imperfeito, verbo interrompido pela “luta” dos oprimidos de carteirinha convertidos em assassinos impunes e incensados pelo Estado. Fez-se um “não ser”. Luiz Pereira da Silva era o policial da boa gente pernambucana, um Silva que não fez direito a lição de casa, tornado prisioneiro, torturado e assassinado num assentamento do MST. O episódio se deu no dia 5 de fevereiro na cidade de Quipapá, em Pernambuco.
Outro Silva, Cícero Jacinto, também vítima de tortura, foi feito refém por algumas horas. Ambos estavam no encalço de um assentado convertido em bandido comum. Lula não disse nada. Nilmário Miranda não disse nada. Márcio Thomaz Bastos não disse nada. Miguel Rossetto não disse nada. A própria imprensa não disse quase nada. Dorothy Stang, ao menos, é um ser que se conjuga no futuro. Seu corpo pranteado frutificará. De Silva, dentro em breve, não terá restado senão a memória privada de sua família, uma gente a que também não se dá muita importância. Um dia vai sumir. Historiadores ainda hão de incluir Dorothy Stang no capítulo do que chamam, com aquele vitimismo do triunfo que lhes é bem típico, a “história dos vencidos”. Já o Silva, coitado!, terá sumido na poeira dos tempos: pobre demais para que os “vencedores” se importem com ele; demasiadamente humano para que os vencidos oficiais o transformem em símbolo.
E não me venham acusar de cínico ou impiedoso pela pergunta que abre este texto. A contabilidade macabra não é minha, mas do governo Lula. Quem discrimina cadáveres, atribuindo a uns a santidade política e a outros o desprezo covarde, é o Planalto, não eu. Qualquer morte, reza aquele clichê, belo e profundo ainda assim, nos diminui. A cada uma, é por nós, sem dúvida, que os sinos dobram. A despeito disso, vejo-me compelido a escrever: a do soldado Silva evidencia com mais agudeza alguns riscos que corremos do que a de Dorothy Stang.
Sintomas
Espero que a polícia encontre os responsáveis pelas mortes do policial e da missionária e que, no segundo caso, também sejam presos os mandantes, se houver. Que a Justiça se encarregue deles e lhes dê a pena máxima admitida pela lei brasileira. Assim como jamais condescendi com causas que justificariam o terrorismo, nada, nada mesmo, justifica o homicídio de quem não pode nem mesmo se defender. Não há considerandos a respeito. A questão é absoluta. Mas as duas mortes, conquanto remetam ao mesmo mal, frutificam de forma diferente.
O mal que às duas mortes tem nome: desídia, incompetência do governo federal, que, por ação e omissão, vê explodir a violência no campo. É por ação quando, sabidamente, órgãos do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (e o Incra é a prova escancarada disso) se transformam em aparelhos da militância política, renunciando àquela que é sua condição imanente — ser um corpo técnico para arbitrar as disputas segundo o bem comum — para se tornarem agência de um dos lados do conflito.
Há dias, Miguel Rossetto foi aplaudir a inauguração de uma escola superior de invasões criada pelo MST. Ali, ouviu impassível o discurso de líderes que, sem receio, advogaram a invasão também de terras produtivas. Age para estimular a violência no campo um governo que, dispondo de uma lei para coibir invasões, decide, de forma consciente e acintosa, não aplicá-la. E os demais Poderes e instâncias da República, a começar pela Justiça e pelo Ministério Público, se calam. Age para estimular a violência no campo um governo que, pela boca de seu ministro da Justiça, prega a acomodação tática da Constituição diante dos abusos óbvios do MST.
Omite-se o governo — e, portanto, estimula a violência no campo — quando permite que, ao arrepio de qualquer controle ou acompanhamento responsável, a questão fundiária se transforme em objeto de disputas de organizações não-governamentais e grupos de pressão que põem seus preconceitos e idiossincrasias acima das necessidades econômicas das comunidades nas quais atuam, elegendo, por critérios que lhes são próprios e alheios a qualquer estratégia pública, os perdedores e os vencedores, satanizando uns, incensando outros, fazendo de uns as bestas do apocalipse e, de outros, os anjos da redenção. Ademais, que se observe: outro cadáver se conta em Anapu: trata-se de Adalberto Xavier Leal, funcionário de um suspeito de ser o mandante da morte da religiosa.
O campo voltou a ser palco de ajuste de contas que estão sendo feitos ao arrepio da polícia e dos poderes constituídos da República. À medida que o Estado brasileiro permite que uma força criminosa promova a indústria de invasões, arma, evidentemente, a mão dos que decidem resistir, que se torna, obviamente, não menos criminosa. A diferença importante é que os mortos de um dos lados desaparecem na poeira do tempo, o que vai acontecer com Leal; os do outro viram mártires. E, nesse caso, é impossível deixar de reconhecer: os mortos tornam-se combustível da causa, fertilizam a terra sangrenta regada com a água benta de alguns bispos e o delírio maoísta de alguns santos do pau oco.
As duas mortes, sem dúvida, envergonham as instituições brasileiras, mas há diferenças, volto ao ponto, que expõem aspectos distintos do mesmo mal. Os assassinos de Dorothy Stang são, sob qualquer ponto de vista, marginais; os assassinos do policial Silva têm o desplante de se dizerem vítimas; os assassinos de Dorothy Stang matam e fogem para o mato, e a polícia terá de caçá-los; os assassinos de Silva, na prática, justificam o seu ato e ainda penduram a conta de sua violência nas costas da sociedade brasileira; os assassinos de Dorothy Stang, com razão, tornam-se párias sociais; os de Silva reivindicam a santidade e o direito à justiça com as próprias mãos como se autodefesa fosse; os assassinos de Dorothy Stang praticam o ato nefando correndo, vá lá, os riscos e por empreitada privada; os assassinos de Silva, na prática, são financiados pelo poder público e sabem que não correm nenhum risco ou perigo; os assassinos de Dorothy Stang não merecem nenhuma consideração ou não têm nenhuma circunstância que atenue o horror praticado — e isso está certo; os assassinos de Silva reivindicam uma inocência inata que explica qualquer horror — e isso está errado.
E há mais: Dorothy Stang, é preciso reconhecer, estava numa luta cujos riscos não ignorava. Movia-se naquele espaço da militância que, sabemos todos, é obrigada a flertar com as franjas da ilegalidade, aonde o Estado ou ainda não chegou ou, como é o caso, por incompetência e decisão do governo, jamais chegará. Sua morte agride qualquer princípio da civilidade e da necessária tolerância, jamais se duvide. Mas, entendo, rebaixa menos a República do que o assassinato daquele policial. Enquanto os Silva, já sabidamente policiais, estavam sendo submetidos à tortura, era o Estado brasileiro que se fazia refém de um grupo que aplica suas próprias leis e tem sua própria compreensão do que seja a justiça.
A morte de Dorothy Stang é a prova de um Estado inepto, ausente e incapaz. A morte de Silva é a prova de um Estado contaminado, conspurcado, seqüestrado, feito ele também refém de alguns grupos de pressão. Quando o corpo de Dorothy Stang tombou, levantava-se justamente a indignação nacional. Quando o corpo de Silva tombou, armou-se apenas o silêncio pusilânime do governo, da mídia e das ONGs.
Tanto o silêncio, num caso, como o alarde, no outro, são sintomas evidentes de que, a essas mortes, outras se seguirão. Um dos corpos, o de Silva, já foi esquecido. O outro, o de Dorothy, é um cadáver que procria, é um cadáver que alimenta a causa, é um cadáver, no fim das contas, útil, é um cadáver cujo sentido é gerar outros cadáveres para que, do acúmulo de mortes e mártires, brote a pátria dos sonhos, que é puro horror, de certos grupos que hoje encabrestam a República.
Não pensem que, à feição do governo, também eu lamente mais uma morte do que outra. Não! Tenho a ambição de ter vergonha na cara. Considero indecente, essencialmente imoral, estabelecer o preço político de uma vida, seja para endeusar os mortos, seja para ignorá-los, justificando, tanto em um caso como no outro, a violência dos vivos.
Por Reinaldo Azevedo 13:45
Por que um certo Mano Brown é superior a Cristo - Blog Reinaldo Azevedo em 09/02/07
Por que um certo Mano Brown é superior a Cristo
Falemos um pouco sobre a glorificação da violência e da chamada cultura da periferia. É claro que eu nunca ouvi um troço chamado Racionais MCs. Nem vou ouvir. Ah, pai autoritário que sou, também não permitiria que minhas filhas ouvissem em casa. Podem ouvir fora? Não tenho como controlar. Com o meu assentimento, não. Já me basta o que volta e meia sai na mídia sobre esses pensadores. A Ilustrada, da Folha, traz hoje uma reportagem sobre o lançamento de um DVD do grupo. Um deles, o rapper Ice Blue, afirma: “A gente se vê como um movimento de guerrilha, e é isso o que queremos preservar". O Manual da Folha, às vezes, informa mais do que a reportagem. Está lá: o cara tem 36 anos. Taí uma coisa que eu nunca tinha imaginado: um rapper coroa. A última vez que fiquei com um pouco de vergonha vendo o que os outros fazem foi um flash de Mick Jagger rebolando no Rio. Parecia uma “cobra mar matada”, como se dizia no sítio de Dois Córregos em que passei parte da infância, onde lia Robinson Crusoé, como naquele poema de Drummond (clique aqui). Um lance de pura sorte.Bão, bão... Há uma crítica sobre o DVD intitulada “Cenas indicam a força de Mano Brown”. Deve ser o líder do grupo. Lê-se o que vai em vermelho. Comento em azul.
Se não fizerem mais nada de novo nos próximos anos, os Racionais já terão entrado para a história por dar uma voz e um rosto à periferia. Graças a eles, jovens de todas as "quebradas" do país têm orgulho de dizer de onde vêm e de mostrar sua moda, gíria e jeito de falar -até na TV Globo.
Vejam que os rapazes nem mesmo entraram para a história da música. É a história mesmo. Como Júlio César ou Churchill.
O registro desse fenômeno é o maior mérito do DVD, que dá uma idéia de quem são os Racionais e de seu poder de mobilização. Isso fica claro quando uma multidão de meninos e meninas acompanha Mano Brown, recitando o poema que abre a música "Vida Loka [Parte 1]".
Eu não sabia o que era isso e fui procurar na Internet. Achei. É uma letra imensa. Lê-se lá:
"- e ai brown é os espião irmão!
- to com os mao ai, eu vo, to indo ali na zona leste ai, tipo umas 11 horas eu já to voltando já moro?
- ta firmao ai brown ai mano eu vo disliga, mais tu manda um salve pros mano da quebrada ai moro? o giu moro mano? o batatao moro? pro pacheco, pro porquinho pro xande pro dé moro meu? ai no dia do jogo os manodo exautasamba vao vim manda um salve proa binha la moro? fica com Deus Irmão. Falou
"É o mesmo “salve” do PCC ou é outro? Poema? Como o de Drummond?
Assistir a Brown em ação é uma experiência que todos deveriam ter.
Obrigado, moça! Vejam só: jamais sairia num jornal de grande circulação algo como: “Crer no poder redentor do sangue de Cristo é uma experiência que todos deveriam ter”. Cheiraria a coisa carola, cafona, a imposição religiosa. Logo, você conclui que Mano Brown, na escala dos ungidos ou dos profetas, é superior a Cristo.
No palco, ele assume personagens. É o poeta que chora, o ladrão que tenta mudar de vida, o "cachorro" com várias meninas.
Gostei do “ladrão que tenta mudar de vida”. Não conheço a letra. Mas aposto Nederland (“países baixos”, em neerlandês) que o coitadinho tentou mudar de vida, mas a sociedade não deixou. A sociedade é má.
Nos bastidores, no entanto, cercado pelos filhos, rindo com os amigos ou falando sobre diferenças sociais, cai a imagem de durão e entra o pensador. Um dos maiores que temos no mundo musical.
Pensador? Como Platão, Schopenhauer, Kierkegaard, Kant? Ah, não. É “pensador do/no mundo musical”. Então tá. Mais um pouco de Vida Loka, a crítica da razão pura:e ai bandi do mal como que é meu parceiro?
- como que é brown firmão truta?
- firmeza total mano... e a quebrada ali?
- ta a pampa, aí fiquei sabendo do seu pai irmão, lamentável, um sentimento mesmo irmão!
- vai vendo brother, meu pai morreu e num deixaram eu ir nem no interro do meu coroa não irmão
- isso é loco, vc tava aonde na hora?
- tava batendo uma bola meu, fiquei mo na neurose irmão.
- ai vieram ti avisar?
- é vieram me avisar, mais ta firmao brother, eu to firmão, logo mais to ai na quebrada com vcs ai
- é quente, na rua tbm num ta facil nao moro truta? ums juntado inimigo, outros juntando dinheiro, sempre tem um pra testa sua fé mais cta ligado sempre tem ums corre pra nois faze, ai mano liga, liga nois ai qual quer coisa lado a lado nois até o fim moro mano?-to ligado!
Por Reinaldo Azevedo 18:01
Falemos um pouco sobre a glorificação da violência e da chamada cultura da periferia. É claro que eu nunca ouvi um troço chamado Racionais MCs. Nem vou ouvir. Ah, pai autoritário que sou, também não permitiria que minhas filhas ouvissem em casa. Podem ouvir fora? Não tenho como controlar. Com o meu assentimento, não. Já me basta o que volta e meia sai na mídia sobre esses pensadores. A Ilustrada, da Folha, traz hoje uma reportagem sobre o lançamento de um DVD do grupo. Um deles, o rapper Ice Blue, afirma: “A gente se vê como um movimento de guerrilha, e é isso o que queremos preservar". O Manual da Folha, às vezes, informa mais do que a reportagem. Está lá: o cara tem 36 anos. Taí uma coisa que eu nunca tinha imaginado: um rapper coroa. A última vez que fiquei com um pouco de vergonha vendo o que os outros fazem foi um flash de Mick Jagger rebolando no Rio. Parecia uma “cobra mar matada”, como se dizia no sítio de Dois Córregos em que passei parte da infância, onde lia Robinson Crusoé, como naquele poema de Drummond (clique aqui). Um lance de pura sorte.Bão, bão... Há uma crítica sobre o DVD intitulada “Cenas indicam a força de Mano Brown”. Deve ser o líder do grupo. Lê-se o que vai em vermelho. Comento em azul.
Se não fizerem mais nada de novo nos próximos anos, os Racionais já terão entrado para a história por dar uma voz e um rosto à periferia. Graças a eles, jovens de todas as "quebradas" do país têm orgulho de dizer de onde vêm e de mostrar sua moda, gíria e jeito de falar -até na TV Globo.
Vejam que os rapazes nem mesmo entraram para a história da música. É a história mesmo. Como Júlio César ou Churchill.
O registro desse fenômeno é o maior mérito do DVD, que dá uma idéia de quem são os Racionais e de seu poder de mobilização. Isso fica claro quando uma multidão de meninos e meninas acompanha Mano Brown, recitando o poema que abre a música "Vida Loka [Parte 1]".
Eu não sabia o que era isso e fui procurar na Internet. Achei. É uma letra imensa. Lê-se lá:
"- e ai brown é os espião irmão!
- to com os mao ai, eu vo, to indo ali na zona leste ai, tipo umas 11 horas eu já to voltando já moro?
- ta firmao ai brown ai mano eu vo disliga, mais tu manda um salve pros mano da quebrada ai moro? o giu moro mano? o batatao moro? pro pacheco, pro porquinho pro xande pro dé moro meu? ai no dia do jogo os manodo exautasamba vao vim manda um salve proa binha la moro? fica com Deus Irmão. Falou
"É o mesmo “salve” do PCC ou é outro? Poema? Como o de Drummond?
Assistir a Brown em ação é uma experiência que todos deveriam ter.
Obrigado, moça! Vejam só: jamais sairia num jornal de grande circulação algo como: “Crer no poder redentor do sangue de Cristo é uma experiência que todos deveriam ter”. Cheiraria a coisa carola, cafona, a imposição religiosa. Logo, você conclui que Mano Brown, na escala dos ungidos ou dos profetas, é superior a Cristo.
No palco, ele assume personagens. É o poeta que chora, o ladrão que tenta mudar de vida, o "cachorro" com várias meninas.
Gostei do “ladrão que tenta mudar de vida”. Não conheço a letra. Mas aposto Nederland (“países baixos”, em neerlandês) que o coitadinho tentou mudar de vida, mas a sociedade não deixou. A sociedade é má.
Nos bastidores, no entanto, cercado pelos filhos, rindo com os amigos ou falando sobre diferenças sociais, cai a imagem de durão e entra o pensador. Um dos maiores que temos no mundo musical.
Pensador? Como Platão, Schopenhauer, Kierkegaard, Kant? Ah, não. É “pensador do/no mundo musical”. Então tá. Mais um pouco de Vida Loka, a crítica da razão pura:e ai bandi do mal como que é meu parceiro?
- como que é brown firmão truta?
- firmeza total mano... e a quebrada ali?
- ta a pampa, aí fiquei sabendo do seu pai irmão, lamentável, um sentimento mesmo irmão!
- vai vendo brother, meu pai morreu e num deixaram eu ir nem no interro do meu coroa não irmão
- isso é loco, vc tava aonde na hora?
- tava batendo uma bola meu, fiquei mo na neurose irmão.
- ai vieram ti avisar?
- é vieram me avisar, mais ta firmao brother, eu to firmão, logo mais to ai na quebrada com vcs ai
- é quente, na rua tbm num ta facil nao moro truta? ums juntado inimigo, outros juntando dinheiro, sempre tem um pra testa sua fé mais cta ligado sempre tem ums corre pra nois faze, ai mano liga, liga nois ai qual quer coisa lado a lado nois até o fim moro mano?-to ligado!
Por Reinaldo Azevedo 18:01
Monday, January 15, 2007
O botão do crescimento
Lula terminou 2006 e até o início das "merecidas" férias de 2007 espalhou aos quatro cantos que iria achar como destravar o crescimento do Brasil. Podem acreditar que ele realmente acha isso. Na cabeça desse iluminado existe um botão que precisa ser acionado para as coisas todas começarem a acontecer. Uma atitude e nada mais segurará o Brasil e ele. E nenhum de seus áulicos, puxa-sacos e convivas em geral vai explicar à ele que o crescimento é uma soma de inúmeras atitudes, de um plano, de uma agenda executada ao longo do tempo por inúmeras áreas do governo e da iniciativa privada. Não tem coragem de avisá-lo que aquilo que andou bem no seu primeiro mandato foi resultado do trabalho de seus antecessores e que o nada feito também em seu primeiro mandato vai gerar os resultados do futuro. Teremos que tomar o cuidado para que não se criem "bolhas de crescimento" que é a única maneira de gerar um crescimento rápido, como já vimos diversas vezes, porém com um preço altíssimo a ser pago num futuro (negro) próximo. Começo a torcer pelo prolongamento indefinido de suas férias. Acho que os erros serão menores.
Monday, January 01, 2007
Novamente ele. Por mais longos e terríveis (?) 4 anos
Hoje inicia-se oficialmente o novo mandato do apedeuta. Lá vamos nós para quatro anos de agonia e riscos à nossa infante democracia. O pt quer corroe-la a qualquer custo. No primeiro mandato tivemos o lançamento do fome zero. Um belo projeto de marketing, como, via de regra é todo o marketing petista. Óbvio que como praticamente todas as coisas que o governo lula cria ou põe a mão, não deu em nada. Mas rendeu popularidade, que é o que interessa. Agora temos o PAC - programa de aceleração do crescimento. Como o fome zero, não tem plano de ação, agentes envolvidos, planejamento, nada. Mas já estará em toda a mídia amanhã, e servirá para "colar" a busca pelo crescimento ao apedeuta, que é o que interessa. Para eles. O que interessa para nós não é, definitivamente, problema deles. Um governo (ah, ah, ah) que já começa atrasado. Sem ministério, sem equipe. E se perderá pelo menos mais dois meses. Para quem já perdeu quarenta e oito, até que é pouco. E também podem apostar. Será um governo de colisão. Já nos foi demonstrado várias vezes a incapacidade de realizar coalisão. Sejamos bem vindos aos novos quatro infindáveis anos.
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