Nelson Ascher, que vocês sabem muito bem quem é, mandou-me um comentário. O texto, de fato, é um artigo, e eu decidi publicá-lo aqui. Abaixo, segue a primeira parte. Continua nos posts seguintes. Concordamos em praticamente tudo o que diz respeito à questão israelo-palestina. Boa parte dos leitores, sei disto, também concorda. E as divergências, desde que respeitosas e que não façam a apologia do terrorismo, serão publicadas.
*
Caro Reinaldo,
Algumas reações a seus posts sobre o atentado a judeus civis inocentes em Jerusalém (e imagino quantas piores você teve de apagar) fazem-me pensar que, quando o tema é a querela Judaico-Árabe (e não só Israelense-Palestina), ainda há muito pouca gente disposta a questionar as mentiras e calúnias anti-semitas e anti-sionistas (o anti-sionismo é o anti-semitismo hipócrita ou, na melhor das hipóteses, inconsciente, pelo menos entre os idiotas) promovidas pela imensa máquina de propaganda árabe-palestina-muçulmana (com seus petrodólares) e repetida por toda a esquerdalha do planeta, seja na imprensa, seja nas universidades etc.
Nunca um, e um só, dos quase 200 países do mundo foi tão vilificado a toda hora quanto Israel, e o único paralelo que existe é a antiqüíssima e ininterrupta até agora vilificação dos próprios judeus. É desalentador ver que, até certa medida, isso vale mesmo para uma parte de seu público, um público diferenciado, que vem aprendendo a pôr em dúvida as certezas propagadas pela esquerda e impostas pela correção política. Preocupa-me, sim, que essa pouca disposição a começar a examinar os demais aspectos do problema se deva sobretudo ao fato de que isso implicaria ver Israel e, em especial, os judeus sob uma luz mais favorável, talvez até positiva.
Nelson Ascher 2 – “Quem roubou o quê de quem?”
Veja só. O atrito entre a Colômbia, o Equador e a Venezuela não levou ninguém a se meter a historiador ou especialista e começar a discorrer sobre 100 ou mais anos de disputas fronteiriças, sobre padrões de colonização, sobre o fato de que todas as minúcias históricas dos três países envolvidos teriam de ser discutidas antes que pudéssemos julgar quem é culpado, quem é inocente. Não é o que ocorre com Israel. Oito civis são barbaramente executados a sangue-frio em Jerusalém, que é uma cidade que (embora isso pouco importe) nunca deixou de ter uma população judaica, majoritária, aliás, desde pelo menos meados do século 19, e lá vem gente falar de “ocupação”, “terra roubada” (quem roubou o quê de quem? Que tal essa gente se unir aos fascistas que acham que muçulmanos não têm o direito de viver na Europa ou que os milhões de imigrantes mexicanos devem ser imediatamente expulsos dos EUA – mas tratar a história do conflito em poucas linhas, como eles, cheios de certeza, fazem é desonesto, e eu não vou fazê-lo aqui), “ciclo de violência” como se os terroristas e assassinos palestinos fossem forçados pela história (são autômatos, certo?) a assassinarem civis desarmados a queima-roupa. Aí se fala também que Israel mata civis (e isso com muito mais alarde, sem nenhum “mas, contudo, todavia ou porém”, sem qualquer adversativa), e ninguém senta para fazer as contas, para comparar ou buscar fontes fidedignas.
Durante a Segunda Intifada morreram mais palestinos do que judeus. Ocorre que os palestinos mortos eram quase exclusivamente homens em idade militar (que seus conterrâneos, segundo a conveniência, glorificavam às vezes como combatentes martirizados e, às vezes, choravam, diante das câmeras internacionais, como vítimas civis). Entre os israelenses mortos, a distribuição em termos de sexo e idade era a mesma da população geral. Ou seja, Israel ia atrás de terroristas e, de vez em quando, acertava inocentes envolvidos no que os outros palestinos haviam transformado num campo de batalha. Se houvesse crime aqui (mas, de acordo com os tratados internacionais, não há), poderíamos falar, no máximo, em homicídio culposo. Já os palestinos matavam indiscriminadamente, de preferência os alvos mais fáceis, crianças, velhos, mulheres, gente desarmada, passageiros de ônibus, clientes de shopping center e restaurantes. Sua estratégia sempre foi a de perpetrar homicídios dolosos no atacado.
Nelson Ascher 3 – “Ainda que a causa fosse justa, ela daria carta branca para matar?”
Um leitor chamado Kenji está entre os que melhor representam os vilificadores de Israel e, por tabela, dos judeus. Há, aliás, um André Kenji que diz coisas semelhantes em outros blogs e no “Hora do Povo”, o jornal de um partido que eu pus para correr do Centro Acadêmico da [faculdade] Getúlio Vargas, o MR-8. Talvez sejam a mesma pessoa, não sei. Mas ele, por exemplo, argumenta que os palestinos não aceitaram a partilha da Palestina porque ela não refletia as realidades demográficas. Besteira!
Israel ficou com todo o deserto do Neguév quase inabitável e deveria, ademais, receber, como recebeu, centenas de milhares de refugiados imediatamente. Ele diz que teria partido para a guerra, como os palestinos. Eles, de fato, partiram para a guerra e perderam. Isso tem um preço, não? Ele também diz que os principais responsáveis pela crise dos refugiados (dos árabes, porque dos refugiados judeus, sejam os que deixaram suas terras legalmente compradas na Palestina, sejam os 800 mil expulsos dos países árabes, onde haviam vivido sob “apartheid” etno-religioso desde as invasões árabes-muçulmanas do Oriente Médio, Mesopotâmia e África do Norte, ele não fala: esses são apenas judeus, ora bolas) foram os exércitos dos países árabes vizinhos. É verdade: quem criou o problema que o resolva.
Mas fiquemos por aqui. A notícia é simples: oito estudantes foram assassinados a sangue frio, em sua cidade, em sua escola, por fanáticos anti-semitas em nada diferentes dos nazistas. Em vez de repudiar isso claramente e de se concentrar nessa barbárie clara e transparente, já estamos tendo de discutir o que aconteceu há 60, 100, 1.500 anos. Esse é o estratagema árabe-palestino, não muito diferente do esquerdista: trata-se de turvar as águas, remeter a causas remotas e não-verificáveis, desconversar crimes reais com questões bizantinas e sem pertinência alguma para o caso, tudo exceto atribuir responsabilidade pessoal aos criminosos. A morte intencional de civis é assassinato, é covardia e, mesmo que a tal da pseudocausa palestina fosse justa e pura como a neve recém-caída (mas não é, longe disso), ainda assim ela não daria a seus sequazes carta branca para perpetrar massacres, comemorá-los e pregar o genocídio.
Abs
Nelson Ascher
Por Reinaldo Azevedo
Monday, March 10, 2008
A reação dos humanistas palestinos ao atentado em Jerusalém - Blog do Reinaldo Azevedo 06/03/08
Foram oito os mortos num seminário rabínico em Jerusalém, e não sete, como se informou inicialmente e publiquei abaixo. As pobres vítimas de Gaza, aqueles humanistas esmagados pela brutalidade insraelense, fizeram o quê? Ora, o que fazem os humilhados quando têm um singular senso de superioridade moral: saíram às ruas para comemorar, entendem?
O humanismo dessa gente não conhece limites.
Mas não foi só o “povo”, incitado pelo Hamas, que comemorou. O próprio grupo — que o Brasil também não reconhece como terrorista — saudou o evento e prometeu que vêm por aí novas ações humanitárias.
O que disse o Hamas? “NÓS ABENÇOAMOS A AÇÃO”.
E sabem como o Hamas é chamado por boa parte da nossa imprensa? “Grupo militante”. Isso: grupo militante que mata civis que estão estudando.
Já imaginaram a população de Israel saindo às ruas para comemorar vítimas palestinas? Mas o que acontece no país é o contrário: quando há manifestações públicas, elas são contra a guerra.
Por Reinaldo Azevedo
O humanismo dessa gente não conhece limites.
Mas não foi só o “povo”, incitado pelo Hamas, que comemorou. O próprio grupo — que o Brasil também não reconhece como terrorista — saudou o evento e prometeu que vêm por aí novas ações humanitárias.
O que disse o Hamas? “NÓS ABENÇOAMOS A AÇÃO”.
E sabem como o Hamas é chamado por boa parte da nossa imprensa? “Grupo militante”. Isso: grupo militante que mata civis que estão estudando.
Já imaginaram a população de Israel saindo às ruas para comemorar vítimas palestinas? Mas o que acontece no país é o contrário: quando há manifestações públicas, elas são contra a guerra.
Por Reinaldo Azevedo
O abismo moral a que nos levou o terrorismo - Blog do Reinaldo Azevedo - 06/03/08
Dois iluministas das utopias redentoras do extremismo islâmico, pensando apenas no bem da humanidade e movidos pelo sacrossanto (ops!) direito de reagir ao expansionismo sionista — vocês sabem, né?, a velha conspiração judaica revelada pelos Protocolos — invadiram uma escola judaica de Jerusalém e resolvem fazer justiça, matando ao menos sete pessoas e ferindo, estima-se, outras 40. Ouvirei Marco Aurélio Garcia a respeito. Seria a ação um ato terrorista? Seria a ação um ato beligerante? Seria a ação apenas uma forma um tanto enfática de construir a paz? Ah, sim: o Brasil não reconhece o Hamas, o Hizbollah e outras ONGs humanitárias da mesma espécie como terroristas.
Como os israelenses são péssimos em propaganda, os corpos não serão exibidos como troféus pelas ruas de Jerusalém. A tendência é que façam cerimônias fúnebres discretas. Mas vocês sabem: Israel tende a reagir, o que é uma coisa muito feia. Eu agora mudei: também virei esquerdista, anti-sionista, palestinista, “saidista”, o diabo que nos carregue: acho que os judeus deveriam apenas ficar imprecando no Muro das Lamentações, enquanto os democratas iluministas do Islã os vão empurrando em direção ao mar.
Mal de nossa era
Então não é assim que a esquerda deveria dar a notícia acima? Ora, vejam que maravilha: os culpados pela existência de vítimas do terror, agora, são as vítimas do terror!!! As Farc seqüestram pessoas? Cumpre a Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, ceder às exigências dos seqüestradores — mais as da Venezuela, Brasil, França e idiotas menos cotados. Os terroristas islâmicos matam estudantes? Cumpre a Israel não reagir e proteger os palestinos.
Cabe a Israel, inclusive, vejam que fantástico, pensar na população civil de Gaza, onde o terror usa crianças e mulheres como escudo.
Então fica combinado assim: os terroristas de Gaza ou mesmo da Cisjordância dedicam o seu tempo a fazer vítimas civis em Israel — e notem que toda a política de segurança do país busca distinguir civis de militares. Mas não basta ao país proteger apenas os seus civis. Tem de proteger também os civis de quem o ataca, de sorte que a segurança do povo palestino também é uma obrigação israelense.
Se prestarmos atenção ao detalhe do que diz essa gente, chega-se facilmente ao Holocausto. E o corolário é este: um povo que passou por isso não tem o direito de matar ninguém nem sob o pretexto de se defender.
É verdade, gente! O único direito do povo judeu é continuar a morrer.
Por Reinaldo Azevedo
Como os israelenses são péssimos em propaganda, os corpos não serão exibidos como troféus pelas ruas de Jerusalém. A tendência é que façam cerimônias fúnebres discretas. Mas vocês sabem: Israel tende a reagir, o que é uma coisa muito feia. Eu agora mudei: também virei esquerdista, anti-sionista, palestinista, “saidista”, o diabo que nos carregue: acho que os judeus deveriam apenas ficar imprecando no Muro das Lamentações, enquanto os democratas iluministas do Islã os vão empurrando em direção ao mar.
Mal de nossa era
Então não é assim que a esquerda deveria dar a notícia acima? Ora, vejam que maravilha: os culpados pela existência de vítimas do terror, agora, são as vítimas do terror!!! As Farc seqüestram pessoas? Cumpre a Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, ceder às exigências dos seqüestradores — mais as da Venezuela, Brasil, França e idiotas menos cotados. Os terroristas islâmicos matam estudantes? Cumpre a Israel não reagir e proteger os palestinos.
Cabe a Israel, inclusive, vejam que fantástico, pensar na população civil de Gaza, onde o terror usa crianças e mulheres como escudo.
Então fica combinado assim: os terroristas de Gaza ou mesmo da Cisjordância dedicam o seu tempo a fazer vítimas civis em Israel — e notem que toda a política de segurança do país busca distinguir civis de militares. Mas não basta ao país proteger apenas os seus civis. Tem de proteger também os civis de quem o ataca, de sorte que a segurança do povo palestino também é uma obrigação israelense.
Se prestarmos atenção ao detalhe do que diz essa gente, chega-se facilmente ao Holocausto. E o corolário é este: um povo que passou por isso não tem o direito de matar ninguém nem sob o pretexto de se defender.
É verdade, gente! O único direito do povo judeu é continuar a morrer.
Por Reinaldo Azevedo
Saturday, March 01, 2008
Os embriões, os cientistas de verdade e os charlatões ideológicos - Blog do Reinaldo Azevedo - 01/03/2008
Na quarta-feira, o STF começará a julgar uma ação direta de inconstitucionalidade contra o artigo da Lei de Biossegurança que autorizou a realização de pesquisas com células-tronco de embriões. Vocês querem uma opinião inteligente, fundamentada — não coisa de chicaneiro que não perde uma chance de atacar a Igreja Católica? Leiam a entrevista que a bióloga Mayana Zatz concede às Páginas Amarelas da VEJA que está chegando aos leitores (aqui para assinantes). Com 300 trabalhos científicos publicados na área, é uma das maiores especialistas em células-tronco do país e favorável à liberação de pesquisas com embriões. Sim, na coluna à esquerda deste blog, há um link para a sua página da VEJA.com. Ela é minha colega na versão on line da revista.
Mas vocês querem uma opinião que só serve ao confronto estéril e à desinformação? Vejam o que disse ontem o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Segundo o homem, que não pode ver o equívoco passar com seus vistosos arreios, que ele logo cavalga, “podemos entrar em uma época de obscurantismo e atraso ou seguir o caminho da ciência e nos capacitar a enfrentar doenças". Sempre que um amante da humanidade fala, eu me protejo de sua fúria. Eu tenho especial aversão aos amantes da humanidade.
Lembro outra vez as observações de Edmund Wilson sobre a freqüência com que Karl Marx, o capetão, gostava de falar que trabalhava para o bem do homem... Deu no que deu. Qual é o problema dos “defensores do çerumano”? Ele estão convictos de que aqueles que se opõem a seu ponto de vista são... inimigos da humanidade. Não é fantástico? Se você escreve que os debates sobre o aquecimento global têm um tanto de histeria, então é porque você quer transformar o planeta numa frigideira — eles não; ah, eles querem nos salvar. Se você opõe a questão ética, pertinente, sim, à manipulação de embriões, então é porque você é favorável, sei lá eu, à esclerose múltipla.
Temporão é contra o obscurantismo? Temporão é um iluminista? Quando o vir, devo pensar em Voltaire? Em John Locke talvez? É aquele ministro que queria o plebiscito sobre o aborto e cujo ministério libera pílulas do dia seguinte, sem que os pais saibam, a crianças de 11 anos? É aquele que não consegue vencer um mosquito vagabundo, embora queira arrostar com as fronteiras do desconhecido? Temporão segue célere em seu alazão de bobagens. (leia abaixo notícia sobre manipulação do número de mortos da dengue).
Ponderada, Mayana não faz esse jogo estúpido, pueril, coisa de militantes imbecis contra a Igreja Católica (e qualquer forma de religião), entre iluministas e obscurantistas. Ao contrário até: ela se ocupa de estabelecer matizes. Sua argumentação de que o uso do embrião nada tem a ver com o aborto é sólida. Ainda não estou com ela; ainda sou contrário a esse tipo de pesquisa — “se eu fosse outro, fazia-lhes a todos a vontade; assim como sou, tenham paciência” —, mas gosto de aprender com quem pensa de modo diferente.
Leiam o que ela diz: “(...) é preciso que se entenda a diferença entre aborto e pesquisa com células-tronco embrionárias. No aborto, há uma vida dentro do útero de uma mulher. Se não houver intervenção humana, essa vida continuará. Já na reprodução assistida, é exatamente o contrário: não houve fertilização natural. Quem procura as clínicas de fertilização são os casais que não conseguem procriar pelo método convencional. Só há junção do espermatozóide com o óvulo por intervenção humana. E, novamente, não haverá vida se não houver uma intervenção humana para colocar o embrião no útero.” O trecho que assinalei em vermelho, queira Mayana ou não, é um argumento absolutamente consistente contra o aborto. E a honestidade intelectual me obriga a considerar que ela demonstra, sim, que se trata de coisas diferentes.
Portanto, nada de pôr a bióloga no mesmo saco de gatos pardos do anticristianismo — ou, mais especificamente, anticatolicismo — militante, que quer meter goela abaixo da sociedade um pacote, de que a liberação do aborto e a pesquisa com células embrionárias seriam pautas gêmeas. Mayana demonstra que não são. Ela fala como um cientista, interessada nos relevos da diferença, não como um ideólogo, geralmente ocupado em descaracterizar as particularidades para nos impor uma pauta que é política.
Mayana me ajuda a pensar, como no exemplo acima, contra a minha própria convicção, mas também me ajuda a pensar a favor. Afirma ela na entrevista: “Acho um absurdo manipular um embrião para que a criança nasça com olhos azuis, por exemplo. Sou totalmente contra. (...) As células-tronco servem para curar e salvar, não para fazer experiências exóticas.” A questão, então, é saber quais são os limites, quem se encarrega de vigiar a sua aplicação e como é que se evitam as transgressões “exóticas”.
Qual é o código ou o conhecimento que protege no princípio, não apenas na circunstância, a dignidade humana? As noções sobre ciência e o que é ou não aceitável, segundo códigos de ética que se vão criando, são variáveis no tempo. Para certos comportamentos anti-sociais, por exemplo, já se recomendaram choque elétrico e lobotomia. Modelos totalitários, notadamente o nazismo, ambicionaram ter seu lado científico.
Afirmar que a Igreja Católica exerce um papel obscurantista nesse debate é fazer proselitismo ideológico vagabundo, negando, inclusive, a história. Ao contrário: ela tem contribuído para disciplinar a, vá lá, sanha investigativa dos cientistas. Ademais, pergunto: deve-se pôr uma mordaça nos católicos? Estabelecer, como querem alguns, terrenos distintos e inconciliáveis entre a ciência e a fé faz supor, o que é falso, que todo cientista é, quando menos, agnóstico. Então não os há também contrários à pesquisa com embriões? Há, sim. Aos montes. Mas reitero: Mayana está longe de simplificações estúpidas.
Dou graças a Deus pela existência de uma Igreja que fala em nome de um princípio e que, ao fazê-lo, estabelece um debate na sociedade e contribui para disciplinar os cientistas, forçando-os a explicitar seus critérios e a ser rigorosa no aprimoramento de um código de ética. Se a opinião da Igreja não servisse para mais nada, essa já seria uma grande contribuição.
Se eu votasse num colegiado que definisse essa questão em escala mundial, mesmo diante de exposições sólidas e ponderadas como as de Mayana, diria “não”. Tenho a impressão de que, no que concerne ao respeito à inviolabilidade da vida e à dignidade do homem, uma espera de alguns anos, apostando-se no avanço das pesquisas com células-tronco adultas, poderia nos ser, como espécie, mais benéfica. A manipulação de embriões, estou certo, traz um risco maior do que o perigo de não manipulá-los.
Mas é preciso olhar o que acontece à volta. O mundo já se dedica a essa pesquisa, e o Brasil não será uma ilha protegida de suas conquistas e de seus eventuais desatinos. Creio mesmo que a decisão do STF será pela liberação. E, dadas as circunstâncias, talvez seja mesmo o melhor. Mas que se noite: ganhou-se muito nessa trajetória; o debate ético impôs restrições importantes. E, à diferença do que disse dom Dimas Lara Barbosa, secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), não creio que a decisão possa ser um ensaio para o aborto. Bem pensado, pode é ser o contrário. E Mayana nos fornece um argumento e tanto.
PS: Alguns ateus militantes dão como certo que o mundo sem religião nos levaria a uma espécie de nirvana da razão. O mundo conheceu, ou conhece, sociedades em que as religiões foram oficialmente banidas. A China de Mao é um bom exemplo: 70 milhões de mortos. A URSS de Stálin é outro: 30 milhões. “Ah, não foi o ateísmo que matou, mas a ditadura”. E fato. Mas, por alguma razão, aqueles “iluministas” decidiram que, para fazer a sua obra, era preciso antes decretar a extinção de Deus.
Pergunto: foi bom?
Por Reinaldo Azevedo
Mas vocês querem uma opinião que só serve ao confronto estéril e à desinformação? Vejam o que disse ontem o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Segundo o homem, que não pode ver o equívoco passar com seus vistosos arreios, que ele logo cavalga, “podemos entrar em uma época de obscurantismo e atraso ou seguir o caminho da ciência e nos capacitar a enfrentar doenças". Sempre que um amante da humanidade fala, eu me protejo de sua fúria. Eu tenho especial aversão aos amantes da humanidade.
Lembro outra vez as observações de Edmund Wilson sobre a freqüência com que Karl Marx, o capetão, gostava de falar que trabalhava para o bem do homem... Deu no que deu. Qual é o problema dos “defensores do çerumano”? Ele estão convictos de que aqueles que se opõem a seu ponto de vista são... inimigos da humanidade. Não é fantástico? Se você escreve que os debates sobre o aquecimento global têm um tanto de histeria, então é porque você quer transformar o planeta numa frigideira — eles não; ah, eles querem nos salvar. Se você opõe a questão ética, pertinente, sim, à manipulação de embriões, então é porque você é favorável, sei lá eu, à esclerose múltipla.
Temporão é contra o obscurantismo? Temporão é um iluminista? Quando o vir, devo pensar em Voltaire? Em John Locke talvez? É aquele ministro que queria o plebiscito sobre o aborto e cujo ministério libera pílulas do dia seguinte, sem que os pais saibam, a crianças de 11 anos? É aquele que não consegue vencer um mosquito vagabundo, embora queira arrostar com as fronteiras do desconhecido? Temporão segue célere em seu alazão de bobagens. (leia abaixo notícia sobre manipulação do número de mortos da dengue).
Ponderada, Mayana não faz esse jogo estúpido, pueril, coisa de militantes imbecis contra a Igreja Católica (e qualquer forma de religião), entre iluministas e obscurantistas. Ao contrário até: ela se ocupa de estabelecer matizes. Sua argumentação de que o uso do embrião nada tem a ver com o aborto é sólida. Ainda não estou com ela; ainda sou contrário a esse tipo de pesquisa — “se eu fosse outro, fazia-lhes a todos a vontade; assim como sou, tenham paciência” —, mas gosto de aprender com quem pensa de modo diferente.
Leiam o que ela diz: “(...) é preciso que se entenda a diferença entre aborto e pesquisa com células-tronco embrionárias. No aborto, há uma vida dentro do útero de uma mulher. Se não houver intervenção humana, essa vida continuará. Já na reprodução assistida, é exatamente o contrário: não houve fertilização natural. Quem procura as clínicas de fertilização são os casais que não conseguem procriar pelo método convencional. Só há junção do espermatozóide com o óvulo por intervenção humana. E, novamente, não haverá vida se não houver uma intervenção humana para colocar o embrião no útero.” O trecho que assinalei em vermelho, queira Mayana ou não, é um argumento absolutamente consistente contra o aborto. E a honestidade intelectual me obriga a considerar que ela demonstra, sim, que se trata de coisas diferentes.
Portanto, nada de pôr a bióloga no mesmo saco de gatos pardos do anticristianismo — ou, mais especificamente, anticatolicismo — militante, que quer meter goela abaixo da sociedade um pacote, de que a liberação do aborto e a pesquisa com células embrionárias seriam pautas gêmeas. Mayana demonstra que não são. Ela fala como um cientista, interessada nos relevos da diferença, não como um ideólogo, geralmente ocupado em descaracterizar as particularidades para nos impor uma pauta que é política.
Mayana me ajuda a pensar, como no exemplo acima, contra a minha própria convicção, mas também me ajuda a pensar a favor. Afirma ela na entrevista: “Acho um absurdo manipular um embrião para que a criança nasça com olhos azuis, por exemplo. Sou totalmente contra. (...) As células-tronco servem para curar e salvar, não para fazer experiências exóticas.” A questão, então, é saber quais são os limites, quem se encarrega de vigiar a sua aplicação e como é que se evitam as transgressões “exóticas”.
Qual é o código ou o conhecimento que protege no princípio, não apenas na circunstância, a dignidade humana? As noções sobre ciência e o que é ou não aceitável, segundo códigos de ética que se vão criando, são variáveis no tempo. Para certos comportamentos anti-sociais, por exemplo, já se recomendaram choque elétrico e lobotomia. Modelos totalitários, notadamente o nazismo, ambicionaram ter seu lado científico.
Afirmar que a Igreja Católica exerce um papel obscurantista nesse debate é fazer proselitismo ideológico vagabundo, negando, inclusive, a história. Ao contrário: ela tem contribuído para disciplinar a, vá lá, sanha investigativa dos cientistas. Ademais, pergunto: deve-se pôr uma mordaça nos católicos? Estabelecer, como querem alguns, terrenos distintos e inconciliáveis entre a ciência e a fé faz supor, o que é falso, que todo cientista é, quando menos, agnóstico. Então não os há também contrários à pesquisa com embriões? Há, sim. Aos montes. Mas reitero: Mayana está longe de simplificações estúpidas.
Dou graças a Deus pela existência de uma Igreja que fala em nome de um princípio e que, ao fazê-lo, estabelece um debate na sociedade e contribui para disciplinar os cientistas, forçando-os a explicitar seus critérios e a ser rigorosa no aprimoramento de um código de ética. Se a opinião da Igreja não servisse para mais nada, essa já seria uma grande contribuição.
Se eu votasse num colegiado que definisse essa questão em escala mundial, mesmo diante de exposições sólidas e ponderadas como as de Mayana, diria “não”. Tenho a impressão de que, no que concerne ao respeito à inviolabilidade da vida e à dignidade do homem, uma espera de alguns anos, apostando-se no avanço das pesquisas com células-tronco adultas, poderia nos ser, como espécie, mais benéfica. A manipulação de embriões, estou certo, traz um risco maior do que o perigo de não manipulá-los.
Mas é preciso olhar o que acontece à volta. O mundo já se dedica a essa pesquisa, e o Brasil não será uma ilha protegida de suas conquistas e de seus eventuais desatinos. Creio mesmo que a decisão do STF será pela liberação. E, dadas as circunstâncias, talvez seja mesmo o melhor. Mas que se noite: ganhou-se muito nessa trajetória; o debate ético impôs restrições importantes. E, à diferença do que disse dom Dimas Lara Barbosa, secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), não creio que a decisão possa ser um ensaio para o aborto. Bem pensado, pode é ser o contrário. E Mayana nos fornece um argumento e tanto.
PS: Alguns ateus militantes dão como certo que o mundo sem religião nos levaria a uma espécie de nirvana da razão. O mundo conheceu, ou conhece, sociedades em que as religiões foram oficialmente banidas. A China de Mao é um bom exemplo: 70 milhões de mortos. A URSS de Stálin é outro: 30 milhões. “Ah, não foi o ateísmo que matou, mas a ditadura”. E fato. Mas, por alguma razão, aqueles “iluministas” decidiram que, para fazer a sua obra, era preciso antes decretar a extinção de Deus.
Pergunto: foi bom?
Por Reinaldo Azevedo
Ele provoca em mim os instintos mais primitivos... - Blog do Reinaldo Azevedo - 01/03/2008
Esse tal deputado dirceuzista Luiz Sérgio (PT-RJ) mexe com os meus piores instintos. O PT rompeu com qualquer senso de decoro da representação e da independência do Congresso. Quem se lembra ainda da CPI do PC, no governo Collor, sabe: a presidência coube a Benito Gama, então do PFL da Bahia, partido aliado do presidente. Comportou-se com impecável correção. Jamais se levantou a suspeita de que pudesse estar lá para não investigar. A simples hipótese, na imprensa, seria tratada como outro escândalo.
Hoje em dia, é diferente. Este tristíssimo Luiz Sérgio, um pândego, um bobo da corte petista, não tem vergonha, pejo, constrangimento de dizer que acredita que uma CPI deve começar ignorando o fato que a gerou para, vejam só, chamar um ministro do governo FHC... Será que ele quer mesmo apurar, como Benito Gama queria? Mais: ele propõe transformar a CPI na Escolinha do Professor Raimundo para o Uso de Cartões. Será que ele quer mesmo investigar, como queriam os membros da CPI do PC?
Quando Collor caiu, lembro-me de ter escrito um texto afirmando o óbvio: as instituições se fortaleciam — a começar do Congresso e de sua comissão de inquérito. O petismo rebaixou isso também. A própria escolha de Luiz Sérgio já foi uma provocação e um sinal: “Aqui não se investiga nada; aqui se faz é chicana partidária”.
Leia o que esta na Folha de hoje. Por Andreza Matais e Maria Clara Cabral:
Adversários ferrenhos, PSDB e PT dividirão o comando da CPI dos Cartões. A convivência promete ser polêmica. A presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), e o relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), divergem sobre como devem ser as investigações -desde o foco até como deve ser o início dos trabalhos. A seguir, trechos das entrevistas feitas separadamente.
FOLHA - Por onde as investigações devem começar?
LUIZ SÉRGIO - Acho que o primeiro a ser convidado deve ser o Jorge Hage [ministro da Controladoria Geral da União] porque foi ele quem criou o site da transparência [onde são divulgadas as informações sobre os gastos com os cartões]. Dentro desse contexto, inclusive, acho que o ex-ministro [do Planejamento no governo FHC, hoje no Banco Mundial] Paulo Paiva, que assinou o ato que cria os cartões, pode dar uma enorme contribuição. Quais problemas ele detectou na época?
MARISA SERRANO - O começo de uma CPI tem que ser a partir dos fatos conhecidos, que são de domínio público. Se você tem uma investigação, você tem os fatos, é o natural começar por eles.
FOLHA - Qual o foco a CPI deve ter?
LUIZ SÉRGIO - Devemos primeiro fazer um debate na CPI se o cartão é bom ou não, se as contas "tipo B" são boas ou não. Eu acho que os cartões são melhores. Acho que a CPI precisará debater isso.
MARISA SERRANO - O foco tem que ser se houve corrupção ou não e, principalmente, que tipo de medidas podemos sugerir ao Congresso para que esses fatos não se repitam.
Assinante lê mais aqui
Por Reinaldo Azevedo
Hoje em dia, é diferente. Este tristíssimo Luiz Sérgio, um pândego, um bobo da corte petista, não tem vergonha, pejo, constrangimento de dizer que acredita que uma CPI deve começar ignorando o fato que a gerou para, vejam só, chamar um ministro do governo FHC... Será que ele quer mesmo apurar, como Benito Gama queria? Mais: ele propõe transformar a CPI na Escolinha do Professor Raimundo para o Uso de Cartões. Será que ele quer mesmo investigar, como queriam os membros da CPI do PC?
Quando Collor caiu, lembro-me de ter escrito um texto afirmando o óbvio: as instituições se fortaleciam — a começar do Congresso e de sua comissão de inquérito. O petismo rebaixou isso também. A própria escolha de Luiz Sérgio já foi uma provocação e um sinal: “Aqui não se investiga nada; aqui se faz é chicana partidária”.
Leia o que esta na Folha de hoje. Por Andreza Matais e Maria Clara Cabral:
Adversários ferrenhos, PSDB e PT dividirão o comando da CPI dos Cartões. A convivência promete ser polêmica. A presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), e o relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), divergem sobre como devem ser as investigações -desde o foco até como deve ser o início dos trabalhos. A seguir, trechos das entrevistas feitas separadamente.
FOLHA - Por onde as investigações devem começar?
LUIZ SÉRGIO - Acho que o primeiro a ser convidado deve ser o Jorge Hage [ministro da Controladoria Geral da União] porque foi ele quem criou o site da transparência [onde são divulgadas as informações sobre os gastos com os cartões]. Dentro desse contexto, inclusive, acho que o ex-ministro [do Planejamento no governo FHC, hoje no Banco Mundial] Paulo Paiva, que assinou o ato que cria os cartões, pode dar uma enorme contribuição. Quais problemas ele detectou na época?
MARISA SERRANO - O começo de uma CPI tem que ser a partir dos fatos conhecidos, que são de domínio público. Se você tem uma investigação, você tem os fatos, é o natural começar por eles.
FOLHA - Qual o foco a CPI deve ter?
LUIZ SÉRGIO - Devemos primeiro fazer um debate na CPI se o cartão é bom ou não, se as contas "tipo B" são boas ou não. Eu acho que os cartões são melhores. Acho que a CPI precisará debater isso.
MARISA SERRANO - O foco tem que ser se houve corrupção ou não e, principalmente, que tipo de medidas podemos sugerir ao Congresso para que esses fatos não se repitam.
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Por Reinaldo Azevedo
Nem vem que não tem: Lula e Marco Aurélio não são equivalentes - Blog do Reinaldo Azevedo - 29/02/2008
Começou a turma do nem-nem. Previ para amanhã o que vai abaixo. Mas já começou hoje. Leiam. Volto depois:
Por Gabriela Guerreiro, na Folha Online:
O presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), Walter Nunes, criticou nesta sexta-feira a virtual crise entre os Poderes Judiciário e Executivo provocada pelo embate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Marco Aurélio Mello, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Nunes disse à Folha Online que Lula agiu de forma inadequada ao afirmar que o Judiciário não deve "meter o nariz" no Executivo, enquanto Mello não deveria se manifestar sobre assuntos que tramitam na Justiça."Eu achei as palavras do presidente Lula muito ácidas e inadequadas, especialmente porque ele se reportou ao Judiciário. Nas democracias modernas, o Judiciário é o órgão de controle dos atos de todos, inclusive do Legislativo e Executivo", afirmou.
Segundo Nunes, o presidente deveria usar sua "sensibilidade" ao direcionar críticas a dirigentes de outros Poderes. "Ainda que critique, ele tem que saber que os Poderes constitucionais merecem respeito."
O embate entre Lula e Mello teve início depois que o presidente do TSE criticou a criação do programa Territórios da Cidadania, lançado pelo governo federal nesta semana, em ano de eleições municipais. O programa vai destinar R$ 11,3 bilhões para 958 municípios do país.
Em discurso nesta quinta-feira, Lula afirmou que "seria tão bom se o Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas dele". "Iríamos criar a harmonia que está prevista na Constituição para que democracia seja garantida. [...] O governo não se mete no Legislativo e não se mete no Judiciário. Se cada um ficar no seu galho, o Brasil tem chance de ir em frente", afirmou.
Crítica
Na opinião de Nunes, o presidente do TSE também deveria ter evitado criticar o programa federal porque o lançamento do Territórios da Cidadania foi questionado na Justiça por partidos de oposição. "Que cabe ao Judiciário examinar isso, cabe. Mas nenhum juiz deve antecipar em pronunciamentos o seu pensamento. Ele não pode dizer o que acha de um programa que está judicializado", afirmou.
Em resposta às declarações de Lula, Mello disse à Folha Online que estranhou a "acidez" das colocações do presidente. "Eu relevo porque o presidente estava num ambiente político. Mas eu, Marco Aurélio Mello, como ministro, não atuo em ambiente político", afirmou ao descartar qualquer pretensão de disputar cargos eleitorais nos próximos anos.
"Da minha parte, não almejo nenhum cargo político, como penso que ele também não almeja cadeira no Judiciário. O presidente não precisa se preocupar", ironizou.
Voltei
O sr. Walter Nunes está errado. Erradíssimo. Lembram-se? Falei da Sociologia dos Motoristas de Táxi: “Nestepaiz, todo mundo está errado, não tem jeito”. Quando o ministro Marco Aurélio tratou do caso, não havia causa judicial nenhuma. E não há nada, rigorosamente, no terreno constitucional ou ético, que o impeça de falar. O PSDB e o PFL recorreram à Justiça depois.
Estamos no maldito hábito “nem-nem” que toma conta do país: nem Lula estaria certo nem Marco Aurélio. Ou, vá lá, ambos estariam errados. Uma ova! Uma pinóia! Uma coisa, ademais, é um ministro — antes de qualquer causa judicial — opinar sobre uma medida específica do governo; outra, diferente, é um presidente da República referir-se a todo um Poder nos termos em que fez.
A resposta de Marco Aurélio foi boa, inteligente, como de hábito. Mesmo quando discordo dele, já disse, acho que jamais desdoura o Poder Judiciário. Muito ao contrário. Notem, ademais, a noção que Lula tem de harmonia entre os Poderes: cada um cuida do seu feudo. É tolice. Até porque os três Poderes estão subordinados ao império da lei — pelo qual é o Judiciário que responde.
Por Reinaldo Azevedo
Por Gabriela Guerreiro, na Folha Online:
O presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), Walter Nunes, criticou nesta sexta-feira a virtual crise entre os Poderes Judiciário e Executivo provocada pelo embate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Marco Aurélio Mello, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Nunes disse à Folha Online que Lula agiu de forma inadequada ao afirmar que o Judiciário não deve "meter o nariz" no Executivo, enquanto Mello não deveria se manifestar sobre assuntos que tramitam na Justiça."Eu achei as palavras do presidente Lula muito ácidas e inadequadas, especialmente porque ele se reportou ao Judiciário. Nas democracias modernas, o Judiciário é o órgão de controle dos atos de todos, inclusive do Legislativo e Executivo", afirmou.
Segundo Nunes, o presidente deveria usar sua "sensibilidade" ao direcionar críticas a dirigentes de outros Poderes. "Ainda que critique, ele tem que saber que os Poderes constitucionais merecem respeito."
O embate entre Lula e Mello teve início depois que o presidente do TSE criticou a criação do programa Territórios da Cidadania, lançado pelo governo federal nesta semana, em ano de eleições municipais. O programa vai destinar R$ 11,3 bilhões para 958 municípios do país.
Em discurso nesta quinta-feira, Lula afirmou que "seria tão bom se o Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas dele". "Iríamos criar a harmonia que está prevista na Constituição para que democracia seja garantida. [...] O governo não se mete no Legislativo e não se mete no Judiciário. Se cada um ficar no seu galho, o Brasil tem chance de ir em frente", afirmou.
Crítica
Na opinião de Nunes, o presidente do TSE também deveria ter evitado criticar o programa federal porque o lançamento do Territórios da Cidadania foi questionado na Justiça por partidos de oposição. "Que cabe ao Judiciário examinar isso, cabe. Mas nenhum juiz deve antecipar em pronunciamentos o seu pensamento. Ele não pode dizer o que acha de um programa que está judicializado", afirmou.
Em resposta às declarações de Lula, Mello disse à Folha Online que estranhou a "acidez" das colocações do presidente. "Eu relevo porque o presidente estava num ambiente político. Mas eu, Marco Aurélio Mello, como ministro, não atuo em ambiente político", afirmou ao descartar qualquer pretensão de disputar cargos eleitorais nos próximos anos.
"Da minha parte, não almejo nenhum cargo político, como penso que ele também não almeja cadeira no Judiciário. O presidente não precisa se preocupar", ironizou.
Voltei
O sr. Walter Nunes está errado. Erradíssimo. Lembram-se? Falei da Sociologia dos Motoristas de Táxi: “Nestepaiz, todo mundo está errado, não tem jeito”. Quando o ministro Marco Aurélio tratou do caso, não havia causa judicial nenhuma. E não há nada, rigorosamente, no terreno constitucional ou ético, que o impeça de falar. O PSDB e o PFL recorreram à Justiça depois.
Estamos no maldito hábito “nem-nem” que toma conta do país: nem Lula estaria certo nem Marco Aurélio. Ou, vá lá, ambos estariam errados. Uma ova! Uma pinóia! Uma coisa, ademais, é um ministro — antes de qualquer causa judicial — opinar sobre uma medida específica do governo; outra, diferente, é um presidente da República referir-se a todo um Poder nos termos em que fez.
A resposta de Marco Aurélio foi boa, inteligente, como de hábito. Mesmo quando discordo dele, já disse, acho que jamais desdoura o Poder Judiciário. Muito ao contrário. Notem, ademais, a noção que Lula tem de harmonia entre os Poderes: cada um cuida do seu feudo. É tolice. Até porque os três Poderes estão subordinados ao império da lei — pelo qual é o Judiciário que responde.
Por Reinaldo Azevedo
Se o país estivesse crescendo 13%, Lula baixava o AI-5 - Blog do Reinaldo Azevedo - 29/02/2008
Vejam vocês.
A economia brasileira cresce 5% ao ano, e Lula chuta o traseiro do Judiciário e do Legislativo com aquela sua sem-cerimônia de sempre, como se estivesse numa mesa de boteco, numa rodada de truco, com o cotovelo apoiado no balcão, friccionando, volta e meia, a Nederland, um palito preso entre os dentes, cuspindo, de vez em quando, à distância, dando uma pinguinha pro santo.
Essa vulgaridade toda dá nojo. Recende ao mundo-cão da democracia. Isso nada tem a ver com a cultura operária, não, senhores! É depredação da institucionalidade. Só isso.
Imaginem se o país crescesse a taxas de 11% a 13% ao ano, como aconteceu durante a ditadura militar... O que ele não faria? Já teria proposto, quem sabe?, o paredão democrático. Ou um novo AI-5.
Amanhã, aguardem para ver, aparecerão os tocadores de tuba para garantir que isso não tem a menor importância; que há gente querendo magnificar o problema; que, se Lula é assim, as oposições, o Congresso e o Judiciário não são muito melhores. Como se o chefe do estado e do governo não ocupasse uma posição ímpar nisso tudo.
Lula não reconhece o valor da democracia, não. Embora ela lhe tenha franqueado o poder, ele, com efeito, a detesta. Revelou isso há dois dias, não foi? “Se eu pudesse, resolveria tudo por decreto”. Vai na frase uma confissão: “Eu, Apedeutakoba, acho que decreto é que resolve”. A exemplo dos decretos-lei da ditadura.
O sujeito entrou na política na vigência da ditadura. Seu sonho, como se vê, não era acabar com ela, mas substituí-la. Ainda não pode. Na sua fantasia, um dia chega lá.
Por Reinaldo Azevedo
A economia brasileira cresce 5% ao ano, e Lula chuta o traseiro do Judiciário e do Legislativo com aquela sua sem-cerimônia de sempre, como se estivesse numa mesa de boteco, numa rodada de truco, com o cotovelo apoiado no balcão, friccionando, volta e meia, a Nederland, um palito preso entre os dentes, cuspindo, de vez em quando, à distância, dando uma pinguinha pro santo.
Essa vulgaridade toda dá nojo. Recende ao mundo-cão da democracia. Isso nada tem a ver com a cultura operária, não, senhores! É depredação da institucionalidade. Só isso.
Imaginem se o país crescesse a taxas de 11% a 13% ao ano, como aconteceu durante a ditadura militar... O que ele não faria? Já teria proposto, quem sabe?, o paredão democrático. Ou um novo AI-5.
Amanhã, aguardem para ver, aparecerão os tocadores de tuba para garantir que isso não tem a menor importância; que há gente querendo magnificar o problema; que, se Lula é assim, as oposições, o Congresso e o Judiciário não são muito melhores. Como se o chefe do estado e do governo não ocupasse uma posição ímpar nisso tudo.
Lula não reconhece o valor da democracia, não. Embora ela lhe tenha franqueado o poder, ele, com efeito, a detesta. Revelou isso há dois dias, não foi? “Se eu pudesse, resolveria tudo por decreto”. Vai na frase uma confissão: “Eu, Apedeutakoba, acho que decreto é que resolve”. A exemplo dos decretos-lei da ditadura.
O sujeito entrou na política na vigência da ditadura. Seu sonho, como se vê, não era acabar com ela, mas substituí-la. Ainda não pode. Na sua fantasia, um dia chega lá.
Por Reinaldo Azevedo
Lula não sabe o que é democracia. E não saberá nunca - Blog do Reinaldo Azevedo - 29/02/2008
Naquele videozinho que há aí na coluna à esquerda do blog, afirmo que Lula não é Hugo Chávez, não é de fato. Mas não porque não queira, e sim porque não pode. A tentação é grande. Leia o que vai abaixo, por Leonencio Nossa, de O Estado de S.Paulo. Volto depois:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou nesta sexta-feira, 29, que não há uma crise entre Executivo e Judiciário. Reafirmou, porém, as críticas feitas na noite de quinta a declarações do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) . Sem a irritação e emoção do comício em Aracaju, Lula manteve as palavras duras: "É importante ter claro que no Brasil, quando se trata de palpite e opinião, as pessoas precisam concordar que outras podem dar palpite e opinião diferente das delas".
No comício de quinta a noite, Lula reagiu a uma declaração do ministro Marco Aurélio que questionou os programas sociais do governo definindo-os como eleitoreiros.
"Primeiro: eu não citei o nome do ministro; segundo: eu disse que se a lógica prevalecer, o governo federal não poderá fazer parcerias com municípios e Estados em ano de eleição, e que, num mandato de quatro anos, vai governar dois anos", afirmou em entrevista. E continuou: "É impossível governar o Brasil de forma diferenciada, fazendo justiça, se não envolver pacto federativo com Estados e municípios. São os municípios que estão na ponta".O presidente frisou que o cartão do Bolsa-Família, programa visado pela oposição, não é entregue pelo presidente da República, mas pelos prefeitos de todos os partidos políticos. "Eu não sei de uma única pessoa por nome que recebe o Bolsa-Família", disse.
Lula também comentou as reações de parlamentares às suas declarações: "O Congresso tem direito de não gostar, mas eu não falei do Congresso. Falei de partidos". Ressaltou ainda que o PSDB e DEM estão questionando os programas sociais do governo por ser este um ano eleitoral.
Para ele, a troca de farpas entre os poderes da República não representa uma crise: "Não tem, não existe crise de poderes neste País. Até porque cada poder tem autonomia suficiente. E aprendemos que a estabilidade da democracia está no fato de respeitar a autonomia de cada um."
E completou: "da mesma forma que como ser humano e brasileiro as pessoas dão palpite sobre as coisas, o presidente da república pode dar palpite e julgar o palpite dos outros. Afinal de contas, estamos num debate político. "Quanto alguém dá uma opinião, pode ouvir uma opinião discordante".
Comento
Trata-se de delinqüência política, pura e simplesmente. Nas democracias, líderes usam a sua popularidade para encaminhar reformas que melhorem a vida da população. O Apedeuta usa a sua como instrumento de chantagem. Dêem uma olhada nas críticas feitas ao Congresso e ao Judiciário e depois pense: o que aconteceria com Bush se fizesse o mesmo nos EUA? O que aconteceria com Sarkozy se a tanto se atrevesse na França?
Mas aqui pode. Porque aqui, aos poucos, tudo vai podendo. Pior: ao tratar do assunto, os auxiliares de Lula, em vez de jogarem água na fervura, como seria o normal, põem ainda mais lenha na fogueira, como fez ninguém menos do que o ministro da Justiça, Tarso Genro. Comportam-se como completos irresponsáveis.
Lula não entendeu ainda a democracia. Não vai entender nunca. Não está aparelhado para isso. Ele entende é a linguagem de chefe de sindicato — que não se distingue, às vezes, do comportamento de chefe de máfia. Para maiores esclarecimentos, assistam ao filme Sindicato de Ladrões, do grande Elia Kazan. Por ali,o chefão bate na mesa, e a malta obedece sem dar um pio. Se necessário, saem às ruas de porrete na mão.
Volto a este tema daqui a pouco.
Por Reinaldo Azevedo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou nesta sexta-feira, 29, que não há uma crise entre Executivo e Judiciário. Reafirmou, porém, as críticas feitas na noite de quinta a declarações do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) . Sem a irritação e emoção do comício em Aracaju, Lula manteve as palavras duras: "É importante ter claro que no Brasil, quando se trata de palpite e opinião, as pessoas precisam concordar que outras podem dar palpite e opinião diferente das delas".
No comício de quinta a noite, Lula reagiu a uma declaração do ministro Marco Aurélio que questionou os programas sociais do governo definindo-os como eleitoreiros.
"Primeiro: eu não citei o nome do ministro; segundo: eu disse que se a lógica prevalecer, o governo federal não poderá fazer parcerias com municípios e Estados em ano de eleição, e que, num mandato de quatro anos, vai governar dois anos", afirmou em entrevista. E continuou: "É impossível governar o Brasil de forma diferenciada, fazendo justiça, se não envolver pacto federativo com Estados e municípios. São os municípios que estão na ponta".O presidente frisou que o cartão do Bolsa-Família, programa visado pela oposição, não é entregue pelo presidente da República, mas pelos prefeitos de todos os partidos políticos. "Eu não sei de uma única pessoa por nome que recebe o Bolsa-Família", disse.
Lula também comentou as reações de parlamentares às suas declarações: "O Congresso tem direito de não gostar, mas eu não falei do Congresso. Falei de partidos". Ressaltou ainda que o PSDB e DEM estão questionando os programas sociais do governo por ser este um ano eleitoral.
Para ele, a troca de farpas entre os poderes da República não representa uma crise: "Não tem, não existe crise de poderes neste País. Até porque cada poder tem autonomia suficiente. E aprendemos que a estabilidade da democracia está no fato de respeitar a autonomia de cada um."
E completou: "da mesma forma que como ser humano e brasileiro as pessoas dão palpite sobre as coisas, o presidente da república pode dar palpite e julgar o palpite dos outros. Afinal de contas, estamos num debate político. "Quanto alguém dá uma opinião, pode ouvir uma opinião discordante".
Comento
Trata-se de delinqüência política, pura e simplesmente. Nas democracias, líderes usam a sua popularidade para encaminhar reformas que melhorem a vida da população. O Apedeuta usa a sua como instrumento de chantagem. Dêem uma olhada nas críticas feitas ao Congresso e ao Judiciário e depois pense: o que aconteceria com Bush se fizesse o mesmo nos EUA? O que aconteceria com Sarkozy se a tanto se atrevesse na França?
Mas aqui pode. Porque aqui, aos poucos, tudo vai podendo. Pior: ao tratar do assunto, os auxiliares de Lula, em vez de jogarem água na fervura, como seria o normal, põem ainda mais lenha na fogueira, como fez ninguém menos do que o ministro da Justiça, Tarso Genro. Comportam-se como completos irresponsáveis.
Lula não entendeu ainda a democracia. Não vai entender nunca. Não está aparelhado para isso. Ele entende é a linguagem de chefe de sindicato — que não se distingue, às vezes, do comportamento de chefe de máfia. Para maiores esclarecimentos, assistam ao filme Sindicato de Ladrões, do grande Elia Kazan. Por ali,o chefão bate na mesa, e a malta obedece sem dar um pio. Se necessário, saem às ruas de porrete na mão.
Volto a este tema daqui a pouco.
Por Reinaldo Azevedo
Thursday, February 28, 2008
Sim, senhor!!! - Blog do Reinaldo Azevedo - 28/02/2008
Fizeram mais uma daquelas montagens em que filmes, e suas falsas legendas, servem de pretexto para tratar da realidade política do Brasil. Ficou divertida. Até eu entrei no rolo, hehe. Clique na imagem acima ou aqui. A brincadeira já foi acessada por 532 pessoas.
Por Reinaldo Azevedo
Lula e o revanchismo triunfalista - Blog do Reinaldo Azevedo - 28/02/08
FHC respondeu ontem, comento no post das 2h29 desta madrugada, às boçalidades que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva andou lhe dirigindo. Não são poucos os tucanos que acham que o ex-presidente poderia se poupar da refrega, uma vez que Lula parece contar com essa reação para estufar um tanto mais o... deveria escrever “peito”, mas escolherei “a barriga” — parece-me que carrega o simbolismo adequado a estes dias. Mais do que pelo orgulho, este governo se define pela jactância balofa. Segundo Lula, ele é pé-quente; FHC era pé-frio. Não basta ao Apedeuta privatizar os esforços de estabilidade que já são de uma geração. Ele precisa ser também o ungido. Lula e o PT criaram no país uma coisa bastante perversa à cultura política: o revanchismo do triunfo.
Ora, ele ganhou a eleição duas vezes depois de três derrotas — duas deles para FHC, e este fato não deve ser minimizado no seu rancor —; governa um pais que está com a economia em ordem porque, afinal, seus adversários de antes (e de agora) fizeram rigorosamente o contrário do que recomendava... Lula! E não seria difícil demonstrá-lo. Do Apedeuta — e isto não se faz com nenhum outro político no país —, não se cobra coerência, mas apenas eficiência. E ele é, sob certo ponto de vista, “eficiente”: justamente quando ignora tudo o que pregou o PT ao longo de mais de 20 anos. Como subsiste certo temor de que possa entrar em regressão, seus atos em favor da economia de mercado são calorosamente aplaudidos. Espera-se sempre que o som desses aplausos abafe certo alarido de seus esquerdistas, de seus nacional-desenvolvimentistas.
Lula tira, claro, proveito dessa figura sem passado em que se transformou. Explico: passado, ele tem, sim. Mas apenas o mítico: “o operário pobre que venceu as dificuldades, aderiu à esquerda e descobriu o mercado”. Ninguém dá bola é a seu passado histórico. Podem observar: cobra-se de FHC até hoje a união do intelectual marxista (que ele nunca foi, diga-se) com o PFL lá em 1994... Mas nada de perguntar o que faz Lula com os seus “conservadores”.
Peguei algumas estradas vicinais. Volto à principal. Essa condescendência, se concorre para amansar-lhe o espírito (ele adora dizer que supera FHC também nos valores, vá lá, de mercado), também cria uma figura que transita na política acima do bem e do mal. Por isso parece comum, até natural, que, mesmo vitorioso, surfando em índices formidáveis de aprovação, ele se comporte ainda como uma espécie de opositor do regime de... FHC!!!
Não basta que lhe reconheçam as obras, até as que não são suas: no caso da estabilidade, por exemplo, sua virtude foi manter as regras instituídas por outros. Lula sente a necessidade também de expropriar FHC de seu passado: precisa compulsivamente mutilar a biografia do antecessor; apagar imagens da fotografia; retocá-la com a determinação que tinham os stalinistas de reinventar o passado. Ah, sabemos: faz isso sem teoria mesmo, sem saber direito quem foi Stálin; sem ter qualquer motivo, vá lá, utópico (ainda que uma utopia torta) para apoiar ditadores como Fidel Castro ou Hugo Chávez.
Ora, ora... As regras da estabilidade que estão dadas, digo num post abaixo, custaram caro ao antecessor do petista. O beneficiário óbvio — porque está aí, no poder — do desgaste foi o próprio PT. Vejam, pois, que coisa formidável: tudo aquilo contra o que o partido lutou e que garantiu a sua ascensão é hoje o seu melhor patrimônio. Lula poderia, quando menos, silenciar, então, sobre o passado. Mas não: ele continua a demonizar FHC usando a régua e compasso que lhe deu... FHC!!!
“Ora, dirão, política é assim mesmo!” Não é, não. Caso se eleja um presidente da oposição, que não seja do gosto do petismo, posso apostar que o PSDB não saberá proceder a essa desconstrução do passado. Porque não é de sua natureza — e isso, se querem saber, é bom. Não acho que o petismo deva ser um modelo de ética para os demais partidos. Mas é bom ter claro: o PT sabe e soube, dentro e fora do poder, politizar os temas que são do interesse da sociedade; transforma tudo em uma guerra de valores: “nós” contra “eles”. O PSDB ainda não aprendeu a fazer isso. O DEM parece ter descoberto essa necessidade, e a luta contra a CPMF veio a demonstrá-lo. Se bem se lembram, os tucanos entraram tarde na peleja — e quase fazem besteira. A desnecessidade da CPMF, dado o recorde da arrecadação, está demonstrada. Os tucanos souberam aproveitar? No outro dia, já havia alguns deles ocupados em debater formas para recriar a contribuição... Santo Deus!
É preciso que as oposições, especialmente o PSDB, comecem a definir alguns temas pelos quais vale a pena lutar e se mobilizar. Até porque o “revanchismo triunfalista” se prepara para subir no palanque em 2008 e em 2010. Depois, então, de oito anos de governo petista, o palanqueiro Lula falará, uma vez mais, contra o... passado!!!
Por Reinaldo Azevedo
Ora, ele ganhou a eleição duas vezes depois de três derrotas — duas deles para FHC, e este fato não deve ser minimizado no seu rancor —; governa um pais que está com a economia em ordem porque, afinal, seus adversários de antes (e de agora) fizeram rigorosamente o contrário do que recomendava... Lula! E não seria difícil demonstrá-lo. Do Apedeuta — e isto não se faz com nenhum outro político no país —, não se cobra coerência, mas apenas eficiência. E ele é, sob certo ponto de vista, “eficiente”: justamente quando ignora tudo o que pregou o PT ao longo de mais de 20 anos. Como subsiste certo temor de que possa entrar em regressão, seus atos em favor da economia de mercado são calorosamente aplaudidos. Espera-se sempre que o som desses aplausos abafe certo alarido de seus esquerdistas, de seus nacional-desenvolvimentistas.
Lula tira, claro, proveito dessa figura sem passado em que se transformou. Explico: passado, ele tem, sim. Mas apenas o mítico: “o operário pobre que venceu as dificuldades, aderiu à esquerda e descobriu o mercado”. Ninguém dá bola é a seu passado histórico. Podem observar: cobra-se de FHC até hoje a união do intelectual marxista (que ele nunca foi, diga-se) com o PFL lá em 1994... Mas nada de perguntar o que faz Lula com os seus “conservadores”.
Peguei algumas estradas vicinais. Volto à principal. Essa condescendência, se concorre para amansar-lhe o espírito (ele adora dizer que supera FHC também nos valores, vá lá, de mercado), também cria uma figura que transita na política acima do bem e do mal. Por isso parece comum, até natural, que, mesmo vitorioso, surfando em índices formidáveis de aprovação, ele se comporte ainda como uma espécie de opositor do regime de... FHC!!!
Não basta que lhe reconheçam as obras, até as que não são suas: no caso da estabilidade, por exemplo, sua virtude foi manter as regras instituídas por outros. Lula sente a necessidade também de expropriar FHC de seu passado: precisa compulsivamente mutilar a biografia do antecessor; apagar imagens da fotografia; retocá-la com a determinação que tinham os stalinistas de reinventar o passado. Ah, sabemos: faz isso sem teoria mesmo, sem saber direito quem foi Stálin; sem ter qualquer motivo, vá lá, utópico (ainda que uma utopia torta) para apoiar ditadores como Fidel Castro ou Hugo Chávez.
Ora, ora... As regras da estabilidade que estão dadas, digo num post abaixo, custaram caro ao antecessor do petista. O beneficiário óbvio — porque está aí, no poder — do desgaste foi o próprio PT. Vejam, pois, que coisa formidável: tudo aquilo contra o que o partido lutou e que garantiu a sua ascensão é hoje o seu melhor patrimônio. Lula poderia, quando menos, silenciar, então, sobre o passado. Mas não: ele continua a demonizar FHC usando a régua e compasso que lhe deu... FHC!!!
“Ora, dirão, política é assim mesmo!” Não é, não. Caso se eleja um presidente da oposição, que não seja do gosto do petismo, posso apostar que o PSDB não saberá proceder a essa desconstrução do passado. Porque não é de sua natureza — e isso, se querem saber, é bom. Não acho que o petismo deva ser um modelo de ética para os demais partidos. Mas é bom ter claro: o PT sabe e soube, dentro e fora do poder, politizar os temas que são do interesse da sociedade; transforma tudo em uma guerra de valores: “nós” contra “eles”. O PSDB ainda não aprendeu a fazer isso. O DEM parece ter descoberto essa necessidade, e a luta contra a CPMF veio a demonstrá-lo. Se bem se lembram, os tucanos entraram tarde na peleja — e quase fazem besteira. A desnecessidade da CPMF, dado o recorde da arrecadação, está demonstrada. Os tucanos souberam aproveitar? No outro dia, já havia alguns deles ocupados em debater formas para recriar a contribuição... Santo Deus!
É preciso que as oposições, especialmente o PSDB, comecem a definir alguns temas pelos quais vale a pena lutar e se mobilizar. Até porque o “revanchismo triunfalista” se prepara para subir no palanque em 2008 e em 2010. Depois, então, de oito anos de governo petista, o palanqueiro Lula falará, uma vez mais, contra o... passado!!!
Por Reinaldo Azevedo
Thursday, February 21, 2008
Brasil já é credor externo: derrota histórica das esquerdas e vitória de FHC!!! - Blog do Reinaldo Azevedo - 21/02/08
Por Fernando Nakagawa, da Agência Estado. Volto em seguida:
Pela primeira vez, o Brasil tem em suas reservas internacionais dinheiro suficiente para quitar toda a dívida externa - pública e privada. O cálculo é do Banco Central e consta de um relatório divulgado nesta quinta-feira, 21, pela instituição, ressaltando a evolução recente dos indicadores de sustentabilidade externa do País. De acordo com o documento, a projeção do BC indica que em janeiro as reservas internacionais superaram a dívida externa em US$ 4 bilhões. Isso não significa, contudo, que o País vá quitar sua dívida, tampouco a das empresas, mas esta condição melhora a credibilidade do Brasil no exterior. O resultado das contas externas de janeiro será divulgado na próxima semana.
No documento intitulado "Indicadores de Sustentabilidade Externa do Brasil, Evolução Recente", o BC lembra que a posição devedora do Brasil era de US$ 165,2 bilhões ao final de 2003. Ao longo dos últimos quatro anos, o fortalecimento das reservas internacionais e o programa de recompra da dívida externa e de antecipação de pagamentos resultou na redução desse montante. Apenas no ano passado, as reservas internacionais cresceram 110% e chegaram a US$ 180,3 bilhões no final de dezembro.
Para o BC, as reservas apresentaram "evolução sem precedentes nos últimos anos", de US$ 16,3 bilhões, em 2002, quando excluídos os empréstimos do FMI, para US$ 180,3 bilhões ao final de 2007, "tendo crescido 110,1% apenas neste último ano", destaca o texto. Na avaliação da autoridade monetária, "o principal fator responsável por essa ampliação foi o superávit no mercado cambial, que acumulou US$ 150,6 bilhões de 2003 a 2007".
No relatório, o BC avalia que a compra feita pela própria instituição no mercado cambial respeita a política de câmbio flutuante. "Ou seja, não adicionando volatilidade (oscilação) ao mercado e não definindo pisos nem tendências", cita o documento. As compras líquidas de dólar feitas pelo BC alcançaram US$ 141,3 bilhões nos últimos cinco anos, dos quais 55,6% apenas em 2007.
O que isso significa?
O comentarista econômico do jornal O Estado de S. Paulo, Celso Ming, destaca que a posição credora do Brasil no mercado internacional traz conseqüências positivas para o País. Ele enumera:
1- Esta condição melhora a percepção do Brasil perante os investidores estrangeiros. Isso significa aumento de confiança nos títulos de empresas e do governo brasileiro.
2- Com a melhora da percepção do País, mais investidores compram títulos de empresas e do governo brasileiro. Isso significa mais dólares entrando no mercado interno.
3- A melhora da percepção também deixa o Brasil mais perto do grau de investimento - classificação dada a países com baixíssimo risco de calores.
4- Se a classificação de grau de investimento se confirmar, mais investidores estarão dispostos a investir no País e mais dólares entrarão no Brasil. Além disso, o juro do dívida cai e as condições de endividamento do País ficam ainda melhores.
Comento
Vejam só! É, dei um título ao texto para provocar mesmo os “tonton-maCUTs” do petralhismo.
- Quem não se lembra do plebiscito da CNBB — já bastaria que nossos bispos entendessem de religião, não é mesmo? — propondo a suspensão do pagamento da dívida externa?
- Quem não se lembra da pauta histórica das esquerdas, incluindo o PT, sim (aquele pré-poder)? “Pela suspensão do pagamento da dívida externa!”
- Quem não se lembra, como é mesmo, das “percas internacionais de Leonel Brizola?
- Quem não se lembra da moratória, saudada como um ato de coragem nacionalista, de Dílson Funaro?
Os números que estão aí são a conseqüência virtuosa do que os delinqüentes teóricos chamaram, ao longo dos oito anos de governo FHC, de “neoliberalismo”. Fosse, e dado que a política teve continuidade no governo Lula, entao se tem um mérito do Lula neoliberal!
E, sim, POR ISSO LULA DEVE SER ELOGIADO. Quem disse que não elogio nunca? QUANDO ELE NEGA, NA PRATICA, TUDO O QUE ELE PREGAVA NA TEORIA, merece o meu aplauso.
“Ah, então, vamos pagar tudo?” Não. Não é necessário. É mais vantajoso, para o país, manter as reservas e administrar a dívida, como vem fazendo. O que se tem aí é o resultado de 13 anos de uma política macroeconômica coerente, que fez a opção pela responsabilidade. Pode-se discordar disso ou daquilo, da valorização excessiva do câmbio aqui ou do juro ali, mas o rumo se manteve.
PARABÉNS AO PRESIDENTE LULA POR, AO MENOS NA POLÍTICA MACROECONÔMICA, TER DECIDIDO PRESERVAR A HERANÇA BENDITA.
Por Reinaldo Azevedo
Pela primeira vez, o Brasil tem em suas reservas internacionais dinheiro suficiente para quitar toda a dívida externa - pública e privada. O cálculo é do Banco Central e consta de um relatório divulgado nesta quinta-feira, 21, pela instituição, ressaltando a evolução recente dos indicadores de sustentabilidade externa do País. De acordo com o documento, a projeção do BC indica que em janeiro as reservas internacionais superaram a dívida externa em US$ 4 bilhões. Isso não significa, contudo, que o País vá quitar sua dívida, tampouco a das empresas, mas esta condição melhora a credibilidade do Brasil no exterior. O resultado das contas externas de janeiro será divulgado na próxima semana.
No documento intitulado "Indicadores de Sustentabilidade Externa do Brasil, Evolução Recente", o BC lembra que a posição devedora do Brasil era de US$ 165,2 bilhões ao final de 2003. Ao longo dos últimos quatro anos, o fortalecimento das reservas internacionais e o programa de recompra da dívida externa e de antecipação de pagamentos resultou na redução desse montante. Apenas no ano passado, as reservas internacionais cresceram 110% e chegaram a US$ 180,3 bilhões no final de dezembro.
Para o BC, as reservas apresentaram "evolução sem precedentes nos últimos anos", de US$ 16,3 bilhões, em 2002, quando excluídos os empréstimos do FMI, para US$ 180,3 bilhões ao final de 2007, "tendo crescido 110,1% apenas neste último ano", destaca o texto. Na avaliação da autoridade monetária, "o principal fator responsável por essa ampliação foi o superávit no mercado cambial, que acumulou US$ 150,6 bilhões de 2003 a 2007".
No relatório, o BC avalia que a compra feita pela própria instituição no mercado cambial respeita a política de câmbio flutuante. "Ou seja, não adicionando volatilidade (oscilação) ao mercado e não definindo pisos nem tendências", cita o documento. As compras líquidas de dólar feitas pelo BC alcançaram US$ 141,3 bilhões nos últimos cinco anos, dos quais 55,6% apenas em 2007.
O que isso significa?
O comentarista econômico do jornal O Estado de S. Paulo, Celso Ming, destaca que a posição credora do Brasil no mercado internacional traz conseqüências positivas para o País. Ele enumera:
1- Esta condição melhora a percepção do Brasil perante os investidores estrangeiros. Isso significa aumento de confiança nos títulos de empresas e do governo brasileiro.
2- Com a melhora da percepção do País, mais investidores compram títulos de empresas e do governo brasileiro. Isso significa mais dólares entrando no mercado interno.
3- A melhora da percepção também deixa o Brasil mais perto do grau de investimento - classificação dada a países com baixíssimo risco de calores.
4- Se a classificação de grau de investimento se confirmar, mais investidores estarão dispostos a investir no País e mais dólares entrarão no Brasil. Além disso, o juro do dívida cai e as condições de endividamento do País ficam ainda melhores.
Comento
Vejam só! É, dei um título ao texto para provocar mesmo os “tonton-maCUTs” do petralhismo.
- Quem não se lembra do plebiscito da CNBB — já bastaria que nossos bispos entendessem de religião, não é mesmo? — propondo a suspensão do pagamento da dívida externa?
- Quem não se lembra da pauta histórica das esquerdas, incluindo o PT, sim (aquele pré-poder)? “Pela suspensão do pagamento da dívida externa!”
- Quem não se lembra, como é mesmo, das “percas internacionais de Leonel Brizola?
- Quem não se lembra da moratória, saudada como um ato de coragem nacionalista, de Dílson Funaro?
Os números que estão aí são a conseqüência virtuosa do que os delinqüentes teóricos chamaram, ao longo dos oito anos de governo FHC, de “neoliberalismo”. Fosse, e dado que a política teve continuidade no governo Lula, entao se tem um mérito do Lula neoliberal!
E, sim, POR ISSO LULA DEVE SER ELOGIADO. Quem disse que não elogio nunca? QUANDO ELE NEGA, NA PRATICA, TUDO O QUE ELE PREGAVA NA TEORIA, merece o meu aplauso.
“Ah, então, vamos pagar tudo?” Não. Não é necessário. É mais vantajoso, para o país, manter as reservas e administrar a dívida, como vem fazendo. O que se tem aí é o resultado de 13 anos de uma política macroeconômica coerente, que fez a opção pela responsabilidade. Pode-se discordar disso ou daquilo, da valorização excessiva do câmbio aqui ou do juro ali, mas o rumo se manteve.
PARABÉNS AO PRESIDENTE LULA POR, AO MENOS NA POLÍTICA MACROECONÔMICA, TER DECIDIDO PRESERVAR A HERANÇA BENDITA.
Por Reinaldo Azevedo
Wednesday, February 20, 2008
O Coma Andante 1 - Não há ambigüidade: Fidel é um dos maiores assassinos da história - Blog do Reinaldo Azevedo de 19/02/08

Tenho um pouco de vergonha da minha profissão. Com as exceções de sempre e de praxe, afirmo de modo categórico: está tomada por pusilânimes, por idiotas, por cretinos incapazes de escolher entre o bem e o mal, entre a democracia e a ditadura, entre a vida e a morte. Li, quero crer, tudo o que a imprensa relevante publicou, no Brasil e no mundo, a respeito da renúncia de Fidel Castro, que deixou formalmente a presidência de Cuba, depois de uma ditadura de 49 anos. Não fiz uma contabilidade, mas creio que 90% dos textos apelam a uma covardia formidável: seu legado seria ambíguo; Fidel nem é o herói de que falam as esquerdas nem o facínora apontado pela direita. Até parece que ele é apenas um objeto ideológico sujeito a interpretações. Não por acaso, esquece-se de abordar, então, o seu legado segundo o ponto de vista da democracia.
A mais estúpida de todas as leituras é aquela que poderia ser assim sintetizada: “Fidel liderou uma ditadura, mas melhorou os índices sociais”. Isso que parece ingênuo, de uma objetividade crua e descarnada de qualquer ideologia, é, de fato, uma impostura formidável; aí está a fonte justificadora do mais assassino de todos os regimes políticos jamais inventados pela humanidade. A ditadura comunista viria, assim, embalada pelo mito da reparação social: "Não se tem liberdade, mas, ao menos, há saúde e educação para todos". Pergunto: uma ditadura de direita, então, se justificaria segundo esses mesmos termos?
Mas atenção! Não se trata apenas de criticar esse postulado indecente que aceita trocar liberdade por conquistas sociais. O milagre social da revolução cubana foi criado em cima de mentiras objetivas. Em 1952, Cuba tinha o terceiro PIB per capita da América Latina. Em 1982, estava em 15º lugar, à frente apenas de Nicarágua, El Salvador, Bolívia e Haiti. A fonte? La Lune et le Caudillo, de Jeannine Verdes-Leroux. O livro, de 1989, tem o sugestivo subtítulo de “O sonho dos intelectuais e o regime cubano”. Estuda como se implantou e consolidou o regime comunista no país entre 1957 (a revolução é de 1959) e 1971. Não foi só essa mentira. Ao chegar ao poder, Fidel afirmou que 50% da população da ilha era analfabeta. Mentira! Em 1958, a taxa era de 22%, contra 44% da população mundial.
Um ano depois da revolução, já não havia mais no governo nenhum dos liberais e democratas que também haviam combatido a ditadura de Fulgêncio Batista. Tinham renunciado ao poder, estavam exilados ou mortos. Logo nos primeiros dias da revolução, antes mesmo que se explicitasse a opção pelo comunismo, Fidel e sua turma executaram nada menos de 600 pessoas. Em 1960, pelo menos 50 mil pessoas oriundas da classe média, que haviam apoiado a revolução, já haviam deixado Cuba. Três anos depois, 250 mil. A Confederação dos Trabalhadores Cubanos, peça-chave na deposição do regime anterior, foi tomada pelos comunistas. Em 1962, imaginem, a CTC cobra de Fidel a “supressão do direito de greve”!!! O principal líder operário anti-Batista, que ajudou a fazer a revolução, David Salvador, foi encarcerado naquele ano.
Só nos anos 60, o regime de Fidel fuzilou entre 7 mil e 10 mil pessoas. Caracterizá-lo como um assassino não é uma questão de gosto, mas de fato; não se trata de tomar essa característica como parte de seu legado supostamente ambíguo. Não há nada de ambíguo em fuzilar 10 mil. É coisa de facínora. Como é incontroverso que ele e seu amiguinho, o Porco Fedorento Che Guevara, criaram campos de concentração na ilha, os da UMAP (Unidade Militar de Apoio à Produção), formados por prisioneiros políticos, que chegaram a 30 mil!!! Ali estavam religiosos, prostitutas, homossexuais, opositores do regime, criminosos comuns... Os movimentos gays, que costumam ser simpáticos à esquerda, deveriam saber que a Universidade Havana passou por uma depuração anti-homossexual. Isso mesmo. Em sessões públicas, os gays eram obrigados a reconhecer seus “vícios” e a renunciar a eles. As alternativas eram demissão e cana (em sentido literal e metafórico).
Segundo O Livro Negro do Comunismo, desde 1959, estima-se em 100 mil o número de pessoas que passaram pela cadeia ou pelos “campos” de reeducação no país. Os fuzilamentos são estimados entre 15 mil e 17 mil pessoas.
Quando Fidel fez 80 anos, escrevi neste blog o seguinte:
Em 1961, estima-se que Cuba tivesse 6,5 milhões de habitantes. Nada menos de 50 mil já tinham fugido da ditadura para o exílio. Ou seja: 0,77% da população. Isso não impediu, é claro, que José Dirceu fosse buscar abrigo na ilha quando veio o golpe militar. Ali ganhou uma nova cara e consta que treinou guerrilha — há quem diga que nunca deu um tiro. Em 1964, o Brasil tinha 80 milhões. Se os militares tivessem feito aqui o que o ditador cubano fez lá, nada menos de 616 mil brasileiros teriam ido embora. Cuba tem hoje 11 milhões de habitantes. Desde 1959, foram executadas na ilha 17 mil pessoas — não se sabe quantas morreram nas masmorras. Só os reconhecidamente executados são 0,154% da população. Postos os números em termos brasileiros, dada uma população atual de 180 milhões, os mortos seriam 277.200. Só nos primeiros cinco meses da revolução, foram sumariamente executadas 600 pessoas (0,0092% da população). É pouco? No Brasil de 1964, isso significaria 7.360 mortes logo de cara.
Os 21 anos de ditadura militar brasileira mataram, em números superestimados, 424 pessoas, incluindo os guerrilheiros do Araguaia. Desse total, por razões comprovadamente políticas, foram 293 pessoas. Os números sobre o Brasil estão no livro Dos Filhos Deste Solo, do petista e ex-ministro de Lula Nilmário Miranda. Em Cuba, de 1959 para cá, passaram por prisões políticas 100 mil pessoas (0,9% da população atual). Em Banânia, isso representaria 1.620.000 pessoas. Essa é a democracia que um grupo de petistas estava — ou está — se preparando para saudar no próximo dia 13 de agosto, quando Fidel faz (ou faria) 80 anos, 47 dos quais à frente de uma das ditaduras mais fechadas e sanguinárias no planeta. Mais detalhes no texto A América Latina e a Experiência Comunista, de Pascal Fontaine, que integra O Livro Negro do Comunismo – Crimes, Terror e Repressão (Editora Bertrand Brasil), recebido com um silêncio covarde e cúmplice por aqui. E também em Loué Soient nos Seigneurs, de Régis Debray (Editora Gallimard), que conheceu de perto, em Che Guevara, parceiro de Fidel, “o ódio eficaz que faz do homem uma eficaz, violenta, seletiva e fria máquina de matar”.
Nota: ainda hoje, as prisões cubanas são um exemplo acabado da degradação humana. A totalidade dos presos de Fidel preferiria, sem sombra de dúvidas, dividir celas com os terroristas de Guantánamo. Mas o mundo, claro, acha Bush um bandido e pára quando discursa o ditador de opereta."
Então...
Viram só? Por que os nossos ditadores, que não passam de soldadinhos de chumbo perto da máquina de matar que foi Fidel Castro, também não têm reconhecida a sua herança ambígua, não é mesmo? Já imaginaram. “Há quem diga que o general Emílio Médici foi um ditador, mas, para alguns, foi um verdadeiro herói...” Não! Isso os nossos jornalistas isentos jamais dirão.
Lembram-se daquela reação canalha à matéria de VEJA que evidenciava, com fatos, que o porco fedorento Che Guevara era um assassino? Pois é. Até hoje, há vagabundo que ainda a cita como exemplo de “falta de equilíbrio e de isenção”.
Cobram de nós a isenção diante de um dos maiores assassinos da história.
PS: No alto deste texto, vocês vêem um quadro, publicado pela VEJA em 20 de dezembro de 2006, com os mortos por 100 mil de algumas ditaduras. Os números de Cuba, do Arquivo Cuba, estao subestimados. Outras apurações independentes (leiam acima) apontam que o número de mortos está entre 15 mil e 17 mil. Mesmo assim, vejam lá, a ilha do Coma Andante é líder absoluta no campeonato na morte.
Por Reinaldo Azevedo
Saturday, February 16, 2008
As últimas da ministra das paroxítonas hiperparoxítonas - Blog do Reinaldo Azevedo - 15/02/08
Leia o que vai abaixo. Preste atenção ao que está em vermelho:
Por Wellington Bahnemann, da Agência Estado. Volto depois:
A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, afirmou nesta sexta-feira, 15, que o governo não teme "nenhuma investigação" sobre os gastos com os cartões corporativos, referindo-se à CPI mista protocolada no Senado na última quinta-feira. "Nossa liderança se posicionou favorável a realizar a CPI", afirmou. Dilma defende que a investigação inclua os gastos a partir 1998 (na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso) para que se verifique a melhora das despesas com cartão corporativo.
Segundo a ministra, a CPI é importante para que se aperfeiçoe a utilização do cartão corporativo. "Muita coisa precisa ser aperfeiçoada, só não podemos achar que o cartão é mau."
"O cartão é a melhor maneira de controlar essas pequenas despesas. Não apenas a União instituiu o cartão como também reduziu esses pequenos gastos. Em 2001, essas despesas eram de R$ 233 milhões. Ano passado, elas foram de R$ 177 milhões. Só não foi menor porque houve gastos com o Censo Agropecuário e com o Panamericano", disse. Apesar da celeuma envolvendo os cartões corporativos, Dilma afirmou que todo órgão público, seja prefeituras ou estados, utiliza esse meio de pagamento. Ela inclusive cobrou que se compare os gastos da União com outros Estados. "Li na imprensa que em São Paulo esse gasto é de R$ 108 milhões. É preciso olhar proporcionalmente, porque nós cobrimos do Oiapoque ao Chuí", disse.
Comento
Viram só? A ministra das paroxítonas hiperparoxítonas não esconde o objetivo de se fazer a CPI retroativa a 1998: demonstrar que o governo Lula é melhor. Entenderam? Descobre-se a lambança com os cartões, o que só serve de pretexto para provar a superioridade do... governo Lula! Não é só: CPI agora virou espaço de aperfeiçoamento da administração. Santo Deus!
Não acabou: ela também fala dos gastos de São Paulo e investe na fraude comparativa que ainda está presente em parte da imprensa: seriam R$ 108 milhões do governo de São Paulo contra os R$ 177 milhões do governo federal.
Pelo menos se corrigiu parte da fraude, não é? De tanto que se martelou aqui. Até outro dia, falavam em R$ 75,6 milhões. Há uma diferença importante, de saída, que a mídia “isentista” não quer fazer: só se conhece a destinação de 11% dos gastos federais. No caso de São Paulo, é possível rastrear 100% dos gastos. No caso dos federais, há verbas secretas; em São Paulo, não há.
Mas isso não é tudo. Dilma insiste em que, em 2001, os gastos emergenciais eram de R$ 233 milhões, e, no ano passado, de R$ 177 milhões. Huuummm. Para os idiotas do petralhismo que ficam enviando comentários para cá, isso basta.
Para mim não basta, não. Quero saber, daqueles R$ 233 milhões, quanto era gasto secreto e saque na boca do caixa. E hoje? Essa é a pergunta que interessa. Também é preciso saber se houve despesas que passaram a ser supridas pelo Orçamento, deixando a condição de emergenciais.
Mais um ministro de estado — Tarso Genro já fez isso — demonstra que o objetivo da CPI não é apurar nada, mas buscar um atestado de inocência para Lula e de condenação para FHC. E, por incrível que pareça, não há qualquer denúncia contra o governo tucano: eles vão “apurar” para saber se houve irregularidade. E isso é inédito na história.
Por Reinaldo Azevedo
Por Wellington Bahnemann, da Agência Estado. Volto depois:
A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, afirmou nesta sexta-feira, 15, que o governo não teme "nenhuma investigação" sobre os gastos com os cartões corporativos, referindo-se à CPI mista protocolada no Senado na última quinta-feira. "Nossa liderança se posicionou favorável a realizar a CPI", afirmou. Dilma defende que a investigação inclua os gastos a partir 1998 (na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso) para que se verifique a melhora das despesas com cartão corporativo.
Segundo a ministra, a CPI é importante para que se aperfeiçoe a utilização do cartão corporativo. "Muita coisa precisa ser aperfeiçoada, só não podemos achar que o cartão é mau."
"O cartão é a melhor maneira de controlar essas pequenas despesas. Não apenas a União instituiu o cartão como também reduziu esses pequenos gastos. Em 2001, essas despesas eram de R$ 233 milhões. Ano passado, elas foram de R$ 177 milhões. Só não foi menor porque houve gastos com o Censo Agropecuário e com o Panamericano", disse. Apesar da celeuma envolvendo os cartões corporativos, Dilma afirmou que todo órgão público, seja prefeituras ou estados, utiliza esse meio de pagamento. Ela inclusive cobrou que se compare os gastos da União com outros Estados. "Li na imprensa que em São Paulo esse gasto é de R$ 108 milhões. É preciso olhar proporcionalmente, porque nós cobrimos do Oiapoque ao Chuí", disse.
Comento
Viram só? A ministra das paroxítonas hiperparoxítonas não esconde o objetivo de se fazer a CPI retroativa a 1998: demonstrar que o governo Lula é melhor. Entenderam? Descobre-se a lambança com os cartões, o que só serve de pretexto para provar a superioridade do... governo Lula! Não é só: CPI agora virou espaço de aperfeiçoamento da administração. Santo Deus!
Não acabou: ela também fala dos gastos de São Paulo e investe na fraude comparativa que ainda está presente em parte da imprensa: seriam R$ 108 milhões do governo de São Paulo contra os R$ 177 milhões do governo federal.
Pelo menos se corrigiu parte da fraude, não é? De tanto que se martelou aqui. Até outro dia, falavam em R$ 75,6 milhões. Há uma diferença importante, de saída, que a mídia “isentista” não quer fazer: só se conhece a destinação de 11% dos gastos federais. No caso de São Paulo, é possível rastrear 100% dos gastos. No caso dos federais, há verbas secretas; em São Paulo, não há.
Mas isso não é tudo. Dilma insiste em que, em 2001, os gastos emergenciais eram de R$ 233 milhões, e, no ano passado, de R$ 177 milhões. Huuummm. Para os idiotas do petralhismo que ficam enviando comentários para cá, isso basta.
Para mim não basta, não. Quero saber, daqueles R$ 233 milhões, quanto era gasto secreto e saque na boca do caixa. E hoje? Essa é a pergunta que interessa. Também é preciso saber se houve despesas que passaram a ser supridas pelo Orçamento, deixando a condição de emergenciais.
Mais um ministro de estado — Tarso Genro já fez isso — demonstra que o objetivo da CPI não é apurar nada, mas buscar um atestado de inocência para Lula e de condenação para FHC. E, por incrível que pareça, não há qualquer denúncia contra o governo tucano: eles vão “apurar” para saber se houve irregularidade. E isso é inédito na história.
Por Reinaldo Azevedo
Friday, February 15, 2008
Sobre o terror: "Mas que diabo de católico é você?" - Blog do Reinaldo Azevedo - 15/02/08
O post sobre a morte do facínora Imad Mughniyeh, chefe militar do Hizbollah, traz, até agora, um único comentário publicado. Estão aqui guardados. Vou vê-los daqui a pouco. Dona Reinalda preferiu que eu mesmo os avaliasse. Ela me diz que um bom grupo de leitores pergunta que diabo de católico sou eu, já que escrevi que o mundo está melhor sem ele, e se não sou contra a pena de morte.
É engraçado. Costumam confundir catolicismo com fraqueza de caráter. Esperam de um católico que seja idiota, não que seja convicto. Os críticos do catolicismo acham que a religião só se justificaria se seus adeptos estivessem permanentemente de joelhos, expiando culpas — sobretudo as que não têm.
O que queria Imad Mughniyeh? Um mundo pacífico, em que as diferenças políticas e religiosas fossem decididas por meio do diálogo? Como ele lidava com o seu impressionante estoque de cadáveres? Mostrou, em algum momento, alguma forma de arrependimento? Prometeu não matar mais? Os métodos a que ele recorria eram uma das formas possíveis da ação política no terreno do que compreendemos ser a civilização? No caso particular do Oriente Médio, lutava, sei lá, por dois estados independentes na região de Israel-Palestina ou por uma federação de estados? Nada! Queria o fim de Israel e a expulsão dos judeus da região.
Mesmo assim, sua “luta” poderia se limitar a financiar políticos que defendessem esse ponto de vista, certo? Mas não! Ele se organizava para matar inocentes. Não só a vida dos palestinos não melhorou em conseqüência de seus atos, como a dos libaneses se transformou num inferno Um católico, um cristão, não deve, sem que isso macule seus princípios, optar pela morte, pela eliminação física do outro, como forma ativa de política. Mas, se quiserem, dá para encontrar a pena capital em Deuteronômios. Não se escolhe a morte. Mas também não se a acolhe como um fatalismo.
Dá pra matar, de modo cristão (afinal, aquele livro do Velho Testamento é acatado pelos católicos), apelando à letra do texto bíblico. Mas a ética cristã e católica avançou em outra direção. Ali Kamel, no seu excelente Sobre O Islã — é leitura obrigatória — demonstra, por exemplo, que as 72 virgens que esperariam os suicidas-homicidas no Paraíso, para onde o morto poderia indicar outros setenta parentes (uma espécie de nepotismo celestial), não é coisa do Islã, mas de uma seita fundada em 1090 pelo persa xiita Hassan e-Sabbah. Escreve Kamel: “O crime devia acontecer à luz do dia, no lugar mais movimentado da cidade, de preferência numa mesquita bem cheia, durante as orações de sexta-feira. Para que o ato tivesse ampla repercussão e provocasse medo”. A primeira vítima desse tipo de crime é de 1092: Nizam el-Mulk, um vizir turco que, durante 30 anos, organizara o poder sunita. O que era um sectarismo na disputa entre xiitas e sunitas foi recuperado no mundo contemporâneo como forma de luta política. Estamos lidando com reacionários delirantes, que conspurcam o Corão para matar.
O que fazer diante desse delírio? Entregar-se em holocausto? Ficar esperando o próximo ataque dos Imads? Oferecer a outra face? A nossa face ou a face da imensa massa de inocentes mundo afora? Olhem aqui: não preciso recorrer a Deuteronômios para endossar o ato. Apelo ao direito à autodefesa. Temos de fazer, nesse caso, como Nasser fez no Egito, em 1966, com Sayyd Qutb, então principal ideólogo da terrorsita Irmandade Muçulmana: forca. Anuar Sadat, lembram-se dele?, resolveu relaxar o cerco à turma. Foi assassinado.
A morte de qualquer homem nos diminui. A de um terrorista nos eleva e consola. E nada nos impede de rezar por sua alma.
Por Reinaldo Azevedo
É engraçado. Costumam confundir catolicismo com fraqueza de caráter. Esperam de um católico que seja idiota, não que seja convicto. Os críticos do catolicismo acham que a religião só se justificaria se seus adeptos estivessem permanentemente de joelhos, expiando culpas — sobretudo as que não têm.
O que queria Imad Mughniyeh? Um mundo pacífico, em que as diferenças políticas e religiosas fossem decididas por meio do diálogo? Como ele lidava com o seu impressionante estoque de cadáveres? Mostrou, em algum momento, alguma forma de arrependimento? Prometeu não matar mais? Os métodos a que ele recorria eram uma das formas possíveis da ação política no terreno do que compreendemos ser a civilização? No caso particular do Oriente Médio, lutava, sei lá, por dois estados independentes na região de Israel-Palestina ou por uma federação de estados? Nada! Queria o fim de Israel e a expulsão dos judeus da região.
Mesmo assim, sua “luta” poderia se limitar a financiar políticos que defendessem esse ponto de vista, certo? Mas não! Ele se organizava para matar inocentes. Não só a vida dos palestinos não melhorou em conseqüência de seus atos, como a dos libaneses se transformou num inferno Um católico, um cristão, não deve, sem que isso macule seus princípios, optar pela morte, pela eliminação física do outro, como forma ativa de política. Mas, se quiserem, dá para encontrar a pena capital em Deuteronômios. Não se escolhe a morte. Mas também não se a acolhe como um fatalismo.
Dá pra matar, de modo cristão (afinal, aquele livro do Velho Testamento é acatado pelos católicos), apelando à letra do texto bíblico. Mas a ética cristã e católica avançou em outra direção. Ali Kamel, no seu excelente Sobre O Islã — é leitura obrigatória — demonstra, por exemplo, que as 72 virgens que esperariam os suicidas-homicidas no Paraíso, para onde o morto poderia indicar outros setenta parentes (uma espécie de nepotismo celestial), não é coisa do Islã, mas de uma seita fundada em 1090 pelo persa xiita Hassan e-Sabbah. Escreve Kamel: “O crime devia acontecer à luz do dia, no lugar mais movimentado da cidade, de preferência numa mesquita bem cheia, durante as orações de sexta-feira. Para que o ato tivesse ampla repercussão e provocasse medo”. A primeira vítima desse tipo de crime é de 1092: Nizam el-Mulk, um vizir turco que, durante 30 anos, organizara o poder sunita. O que era um sectarismo na disputa entre xiitas e sunitas foi recuperado no mundo contemporâneo como forma de luta política. Estamos lidando com reacionários delirantes, que conspurcam o Corão para matar.
O que fazer diante desse delírio? Entregar-se em holocausto? Ficar esperando o próximo ataque dos Imads? Oferecer a outra face? A nossa face ou a face da imensa massa de inocentes mundo afora? Olhem aqui: não preciso recorrer a Deuteronômios para endossar o ato. Apelo ao direito à autodefesa. Temos de fazer, nesse caso, como Nasser fez no Egito, em 1966, com Sayyd Qutb, então principal ideólogo da terrorsita Irmandade Muçulmana: forca. Anuar Sadat, lembram-se dele?, resolveu relaxar o cerco à turma. Foi assassinado.
A morte de qualquer homem nos diminui. A de um terrorista nos eleva e consola. E nada nos impede de rezar por sua alma.
Por Reinaldo Azevedo
Um fenômeno no Youtube - Blog do Reinaldo Azevedo - 15/02/08
A maioria de vocês já assistiu ao vídeo acima. Ele me foi enviado quando havia não mais do que dezenas de visitas, há dias. Já foi acessado por 82.186 pessoas. Alguém de ótimo humor pôs no ar imagens do filme A Queda, de Oliver Hirschbiegel, com Hitler tendo um ataque de fúria e apoplexia na reta final de seu reinado de morte, e a elas sobrepôs legendas contando, em linguagem satírica, a história dos cartões corporativos. O resultado é impagável.Não postei antes porque há uma passagem ou outra que considero um tanto incômodas. Limitei-me a publicar os links na área de comentários, como vocês sabem. Publico agora: afinal, estou reportando um fenômeno no Youtube. Se não conseguir acessar clicando na imagem acima, clique aqui.
Por Reinaldo Azevedo
Quem é o Chomsky do Irã? - Blog do Reinaldo Azevedo - 15/02/08
Aí escreve o leitor sobre a morte do terrorista:
Terrorismo é ruim, mas, se for terrorismo de Estado, maravilhoso.Crime é crime... Feito por grupos como o Hamas ou por estados como Israel ou EUA.Sou contra o Hamas, mas abomino que tais práticas sejam adotadas pelos países acima mencionados ou qualquer outro, independente de ideologia ou religião que o legitimem.Coerência, Reinaldo, senão a credibilidade....
Comento
Ah, se eu dependesse disso que você chama “coerência” e que eu chamo covardia, isentismo, pusilanimidade, pararia de escrever. Na esfera, vamos dizer, do simbolismo religioso, eu chamo esse seu pensamento de “coisa do capeta”, hehe. O demônio é aquele que vem para chamar o bem de mal, o certo de errado, o virtuoso de criminoso — ou o contrário. O demônio faz com que duvidemos de nossas mais profundas convicções com sua lógica ilógica.
Por que comento o texto acima? Porque esse leitor não é um, mas uma legião. Está sendo vítima do que Olavo de Carvalho chama “O Imbecil Coletivo” — leiam o livro. Então vamos ver o que me propõe o valente:
1 – Eu, porque sou cristão, sou contra a pena de morte, certo? Como tenho de viver segundo os meus princípios, devo me opor a que ela seja aplicada a qualquer homem. Pois bem.
2 – Um “outro”, porque não é cristão — na verdade, ele quer destruir o que chama de união dos “judeus com os cruzados” —, pode, então, segundo os seus princípios, aplicar a pena de morte a seus adversários, o que me inclui.
Deixe-me ver se entendi a fórmula: eu, porque acredito na convivência entre os diferentes e aposto na tolerância, devo permitir que aquele que não acredita em nada disso me elimine, de sorte que a minha coerência deva coincidir necessariamente com a minha morte.
É isso?
Um judeu ou um cristão, para ser um bom judeu ou um bom cristão, caminha para a morte sem piar. Já um extremista islâmico — contrariando, diga-se, a essência de sua religião —, ao decretar suas penas de morte estaria apenas agindo segundo os seus valores.
Donde se conclui que:
- quando um terrorista islâmico mata alguém, estaria dando prova de coerência;
- quando um cristão ou um judeu mata um terrorista (há suspeitas de que a própria Síria eliminou o facínora, num conflito de meliantes morais), isso, sim, é que seria o verdadeiro terrorismo.
Eis uma das formidáveis confusões de nossa época, nascida do relativismo moral e cultural — e, curiosamente, do multiculturalismo em sua expressão mais deformada.
Comigo, não, violão! A morte de um terrorista é um canto de glória em defesa da vida.
E para encerrar: essa conversa de “terrorismo de estado” é só um desses jargões imbecilizantes postos para circular pelas esquerdas mundo afora e por delinqüentes morais como Noam Chomsky, que abusa de sua condição de judeu para provar a sua suposta “independência” intelectual. Esse cretino acha que pode privatizar a vertente universalista do pensamento judaico e pô-la a serviço do terror.
Os atos terroristas do Hamas são terrorismo de Estado. Os atos terroristas do Hizbollah são terrorismo de estado. Afinal, são grupos sustentados por... estados: Irã e Síria à frente. Quer dizer que uma ação de países democráticos e que defendem os valores que nos permitem ser livres e donos de nosso nariz é necessariamente nefasta, mas a dos facínoras é só uma expressão da resistência?
Que gente curiosa!
Se um dia essas vertentes teratológicas do islamismo assumissem o poder para valer no mundo, os idiotas úteis que combatem os EUA e Israel seriam os primeiros a ir para a forca. Vejam lá o que os aiatolás fizeram com seus esquerdistas, seus ateus, suas feministas, seus homossexuais, seus artistas, seus multiculturalistas. Quem não morreu ou está na cadeia está de bico fechado.
Quem é o Chomsky do Irã?
Por Reinaldo Azevedo
Terrorismo é ruim, mas, se for terrorismo de Estado, maravilhoso.Crime é crime... Feito por grupos como o Hamas ou por estados como Israel ou EUA.Sou contra o Hamas, mas abomino que tais práticas sejam adotadas pelos países acima mencionados ou qualquer outro, independente de ideologia ou religião que o legitimem.Coerência, Reinaldo, senão a credibilidade....
Comento
Ah, se eu dependesse disso que você chama “coerência” e que eu chamo covardia, isentismo, pusilanimidade, pararia de escrever. Na esfera, vamos dizer, do simbolismo religioso, eu chamo esse seu pensamento de “coisa do capeta”, hehe. O demônio é aquele que vem para chamar o bem de mal, o certo de errado, o virtuoso de criminoso — ou o contrário. O demônio faz com que duvidemos de nossas mais profundas convicções com sua lógica ilógica.
Por que comento o texto acima? Porque esse leitor não é um, mas uma legião. Está sendo vítima do que Olavo de Carvalho chama “O Imbecil Coletivo” — leiam o livro. Então vamos ver o que me propõe o valente:
1 – Eu, porque sou cristão, sou contra a pena de morte, certo? Como tenho de viver segundo os meus princípios, devo me opor a que ela seja aplicada a qualquer homem. Pois bem.
2 – Um “outro”, porque não é cristão — na verdade, ele quer destruir o que chama de união dos “judeus com os cruzados” —, pode, então, segundo os seus princípios, aplicar a pena de morte a seus adversários, o que me inclui.
Deixe-me ver se entendi a fórmula: eu, porque acredito na convivência entre os diferentes e aposto na tolerância, devo permitir que aquele que não acredita em nada disso me elimine, de sorte que a minha coerência deva coincidir necessariamente com a minha morte.
É isso?
Um judeu ou um cristão, para ser um bom judeu ou um bom cristão, caminha para a morte sem piar. Já um extremista islâmico — contrariando, diga-se, a essência de sua religião —, ao decretar suas penas de morte estaria apenas agindo segundo os seus valores.
Donde se conclui que:
- quando um terrorista islâmico mata alguém, estaria dando prova de coerência;
- quando um cristão ou um judeu mata um terrorista (há suspeitas de que a própria Síria eliminou o facínora, num conflito de meliantes morais), isso, sim, é que seria o verdadeiro terrorismo.
Eis uma das formidáveis confusões de nossa época, nascida do relativismo moral e cultural — e, curiosamente, do multiculturalismo em sua expressão mais deformada.
Comigo, não, violão! A morte de um terrorista é um canto de glória em defesa da vida.
E para encerrar: essa conversa de “terrorismo de estado” é só um desses jargões imbecilizantes postos para circular pelas esquerdas mundo afora e por delinqüentes morais como Noam Chomsky, que abusa de sua condição de judeu para provar a sua suposta “independência” intelectual. Esse cretino acha que pode privatizar a vertente universalista do pensamento judaico e pô-la a serviço do terror.
Os atos terroristas do Hamas são terrorismo de Estado. Os atos terroristas do Hizbollah são terrorismo de estado. Afinal, são grupos sustentados por... estados: Irã e Síria à frente. Quer dizer que uma ação de países democráticos e que defendem os valores que nos permitem ser livres e donos de nosso nariz é necessariamente nefasta, mas a dos facínoras é só uma expressão da resistência?
Que gente curiosa!
Se um dia essas vertentes teratológicas do islamismo assumissem o poder para valer no mundo, os idiotas úteis que combatem os EUA e Israel seriam os primeiros a ir para a forca. Vejam lá o que os aiatolás fizeram com seus esquerdistas, seus ateus, suas feministas, seus homossexuais, seus artistas, seus multiculturalistas. Quem não morreu ou está na cadeia está de bico fechado.
Quem é o Chomsky do Irã?
Por Reinaldo Azevedo
É claro que Bush estava certo! - Blog Reinaldo Azevedo - 15/02/08
Escreve um leitor habitual deste blog, que não é um petralha (ele em azul, eu em preto):
Há para mim um equívoco no seu argumento, e ele tem a ver exatamente com os princípios cristãos que alega ter o "olho por olho". Ou seja, para evitar os que nos querem "destruir", devemos trucidá-los, empalá-los, explodi-los.
Quem disse que isso é um princípio cristão, Ricardo? Não é, não. Nem cristão nem meu em particular.
Uma coisa é capturá-los e julgá-los de acordo com as leis. Outra, completamente diferente, é usar a regra de Talião. Pois assim praticamente nos igualamos às bestas.
Epa! Errado! O que você propunha? Que os EUA ou Israel invadisse a Síria para capturar o assassino compulsivo?
Por mim, o sr. Sharon deveria ter morrido também, mas isso não passaria por sua cabeça, acredito eu, já que ele é um "defensor" da democracia (que eu chamo teocrática).
A história de que Israel é uma teocracia, data venia, é uma bobagem formidável, Ricardo. Vocês pode achar o que quiser, mas não conseguiria provar. Jamais fui um admirador de Sharon, especialmente o carniceiro de Sabra e Chatila. Mas fez a coisa certa quando fundou um novo partido e decidiu a desocupação unilateral da Faixa de Gaza. Mas as lideranças palestinas jogaram fora cada miserável chance de fazer o processo de paz avançar. Volte no tempo e pesquise: se Arafat tivesse aceitado o plano de Ehud Barak, a história seria outra. Em vez disso, sempre procurou usar a seu favor o terrorismo islâmico. Veja no que deu.
Concordo em quase tudo que você escreve sobre política nacional, mas é impressionante como nossa visão é quase oposta em política internacional. Felizmente, tenho sido mais correto em minhas análises, como o fiasco do Iraque se provou.
Que fiasco? O pós-guerra foi desastrado, sim. Mas a intervenção americana, além de correta, é um sucesso no que respeita ao combate ao terror. O Iraque iria se transformar num campo de treinamento dos vários terrorismos, Al Qaeda incluída.
Boa parte de seu juízo e motivada, Ricardo, pelas mentiras espalhadas pelo senador democrata Carl Levin, segundo quem jamais houve indícios ou provas de que a Al Qaeda e o Iraque de Saddam Hussein mantivessem contato. A realidade é bem outra. No dia 8 de setembro de 2006, veio à luz no Senado dos EUA um documento intitulado: “Descobertas do pós-guerra sobre os programas iraquianos de armas de destruição em massa e ligações do Iraque com o terrorismo, e como essas descobertas se relacionam com as informações do pré-guerra”. No dia da divulgação do relatório, Levin, que presidia a Comissão das Forças Armadas, divulgou um duro texto contra Bush e Cheney, acusando-os de mentir ao mundo de forma deliberada.
E o tal relatório, vejam só, evidenciava que os contatos da Al Qaeda com Saddam Hussein datavam de... 1990! E olhem que o texto ainda ignorava, estranhamente, carta enviada à Comissão de Inteligência por George Tenet, então diretor da CIA, no dia 7 de novembro de 2002 em que se afirmava:
- “Temos relatos de contatos de alto escalão entre Iraque e Al Qaeda que já ocorrem há uma década”;
- "Informações confiáveis indicam que o Iraque e a Al Qaeda já discutiram as questões de asilo e não-agressão mútua”;
- “Desde a operação ‘Liberdade Duradoura’, temos provas concretas da presença de membros da Al Qaeda no Iraque, inclusive soubemos que alguns estiveram em Bagdá”;
- "Temos relatos confiáveis de que líderes da Al Qaeda procuraram contatos no Iraque que os ajudassem as adquirir armas de destruição em massa. Esses relatos acrescentam que o Iraque forneceu treinamento para membros da Al Qaeda nas áreas de venenos e gases e na construção de bombas convencionais”;
- “O crescente apoio do Iraque a grupos palestinos extremistas, juntamente com os crescentes indícios de ligações com a Al Qaeda, sugere que o relacionamento de Bagdá com o terrorismo deverá aumentar, mesmo na ausência de qualquer ação militar por parte dos EUA”.
São dados de documentos oficiais, coletados por Ali Kamel no livro Sobre o Islã, que recomendo de novo. Bush não teria outra coisa a fazer a não ser o que fez. É o que eu também faria. A idéia de que Bush foi o Lobo Mau que só queria papar o petróleo de Chapeuzinho Vermelho é um infantilismo político, a que nos acostumaram as esquerdas mundo afora. Mas, claro, é uma fábula.
Caro Ricardo, você diz que a sua oposição à guerra se revelou correta. No meu entendimento, não. A guerra, tudo somado, foi bem-sucedida. E era histórica e moralmente justificável.
Por Reinaldo Azevedo
Há para mim um equívoco no seu argumento, e ele tem a ver exatamente com os princípios cristãos que alega ter o "olho por olho". Ou seja, para evitar os que nos querem "destruir", devemos trucidá-los, empalá-los, explodi-los.
Quem disse que isso é um princípio cristão, Ricardo? Não é, não. Nem cristão nem meu em particular.
Uma coisa é capturá-los e julgá-los de acordo com as leis. Outra, completamente diferente, é usar a regra de Talião. Pois assim praticamente nos igualamos às bestas.
Epa! Errado! O que você propunha? Que os EUA ou Israel invadisse a Síria para capturar o assassino compulsivo?
Por mim, o sr. Sharon deveria ter morrido também, mas isso não passaria por sua cabeça, acredito eu, já que ele é um "defensor" da democracia (que eu chamo teocrática).
A história de que Israel é uma teocracia, data venia, é uma bobagem formidável, Ricardo. Vocês pode achar o que quiser, mas não conseguiria provar. Jamais fui um admirador de Sharon, especialmente o carniceiro de Sabra e Chatila. Mas fez a coisa certa quando fundou um novo partido e decidiu a desocupação unilateral da Faixa de Gaza. Mas as lideranças palestinas jogaram fora cada miserável chance de fazer o processo de paz avançar. Volte no tempo e pesquise: se Arafat tivesse aceitado o plano de Ehud Barak, a história seria outra. Em vez disso, sempre procurou usar a seu favor o terrorismo islâmico. Veja no que deu.
Concordo em quase tudo que você escreve sobre política nacional, mas é impressionante como nossa visão é quase oposta em política internacional. Felizmente, tenho sido mais correto em minhas análises, como o fiasco do Iraque se provou.
Que fiasco? O pós-guerra foi desastrado, sim. Mas a intervenção americana, além de correta, é um sucesso no que respeita ao combate ao terror. O Iraque iria se transformar num campo de treinamento dos vários terrorismos, Al Qaeda incluída.
Boa parte de seu juízo e motivada, Ricardo, pelas mentiras espalhadas pelo senador democrata Carl Levin, segundo quem jamais houve indícios ou provas de que a Al Qaeda e o Iraque de Saddam Hussein mantivessem contato. A realidade é bem outra. No dia 8 de setembro de 2006, veio à luz no Senado dos EUA um documento intitulado: “Descobertas do pós-guerra sobre os programas iraquianos de armas de destruição em massa e ligações do Iraque com o terrorismo, e como essas descobertas se relacionam com as informações do pré-guerra”. No dia da divulgação do relatório, Levin, que presidia a Comissão das Forças Armadas, divulgou um duro texto contra Bush e Cheney, acusando-os de mentir ao mundo de forma deliberada.
E o tal relatório, vejam só, evidenciava que os contatos da Al Qaeda com Saddam Hussein datavam de... 1990! E olhem que o texto ainda ignorava, estranhamente, carta enviada à Comissão de Inteligência por George Tenet, então diretor da CIA, no dia 7 de novembro de 2002 em que se afirmava:
- “Temos relatos de contatos de alto escalão entre Iraque e Al Qaeda que já ocorrem há uma década”;
- "Informações confiáveis indicam que o Iraque e a Al Qaeda já discutiram as questões de asilo e não-agressão mútua”;
- “Desde a operação ‘Liberdade Duradoura’, temos provas concretas da presença de membros da Al Qaeda no Iraque, inclusive soubemos que alguns estiveram em Bagdá”;
- "Temos relatos confiáveis de que líderes da Al Qaeda procuraram contatos no Iraque que os ajudassem as adquirir armas de destruição em massa. Esses relatos acrescentam que o Iraque forneceu treinamento para membros da Al Qaeda nas áreas de venenos e gases e na construção de bombas convencionais”;
- “O crescente apoio do Iraque a grupos palestinos extremistas, juntamente com os crescentes indícios de ligações com a Al Qaeda, sugere que o relacionamento de Bagdá com o terrorismo deverá aumentar, mesmo na ausência de qualquer ação militar por parte dos EUA”.
São dados de documentos oficiais, coletados por Ali Kamel no livro Sobre o Islã, que recomendo de novo. Bush não teria outra coisa a fazer a não ser o que fez. É o que eu também faria. A idéia de que Bush foi o Lobo Mau que só queria papar o petróleo de Chapeuzinho Vermelho é um infantilismo político, a que nos acostumaram as esquerdas mundo afora. Mas, claro, é uma fábula.
Caro Ricardo, você diz que a sua oposição à guerra se revelou correta. No meu entendimento, não. A guerra, tudo somado, foi bem-sucedida. E era histórica e moralmente justificável.
Por Reinaldo Azevedo
Wednesday, January 30, 2008
OS NÚMEROS DA VIOLÊNCIA E POR QUE AS ESQUERDAS FAZEM MAL AO PAÍS - Blog do Reinaldo Azevedo - 30/01/08
Caros,
O texto que vai abaixo é longo, bem longo, mas está, a meu juízo, entre os mais importantes que escrevi neste blog. Passem-no adiante, divulguem-no, façam panfletagem se necessário. Uma grande trapaça política, intelectual e moral está em curso.
Denunciemo-la.
*
Sim, os embusteiros que tomaram de assalto a política no Brasil têm de ser permanentemente identificados: porque mentem, trapaceiam e empurram o país para o buraco. São capazes de tudo. Até de torturar os números para que eles confessem as suas teses esquerdopatas. O que foi desta vez, Reinaldo? Vocês devem ter visto que a Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla) e os ministérios da Justiça e da Saúde divulgaram ontem os dados do Mapa da Violência nos Municípios referentes a 2006. Entre 2003 e 2006, o número de homicídios no país inteiro caiu de 50.980 para 46.660.
São Paulo
O fenômeno que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo já havia percebido e apontado aparece agora nesse levantamento também. Atenção: entre o estudo do ano passado e o tornado público ontem, a capital paulista, que ocupava o 182º no ranking de homicídios, despencou para 492º. É isso mesmo: a cidade ganhou 310 posições. A relação do número de mortes por 100 mil habitantes (proporção que caracteriza a taxa de homicídios) na capital paulista caiu de 48,2 em 2004 para 31,1 em 2006. Os homicídios recuaram 40,4%: de 4.275 para 2.546 dois anos depois. Note-se: a tal Ritla e os ministérios da Justiça e da Saúde trabalham com uma base de dados diferente dos da Secretaria de Segurança Pública, que não considera os homicídios culposos — praticados sem a intenção de matar. Só para vocês poderem comparar: nesse levantamento, Recife tem uma taxa de 90 mortos por 100 mil habitantes.
A taxa de homicídios na cidade e no estado de São Paulo vem caindo de forma continuada e sustentada desde 1999 (tabela aqui). “Qual será o segredo?”, perguntam-se os especialistas. Eu tenho uma explicação objetiva, material, aritmética:
- São Paulo tem 40% dos presos do país — não prende demais, não; os outros é que prendem de menos;
- Existem 227,63 presos por 100 mil habitantes no Brasil; em São Paulo essa relação salta para 341,98 por 100 mil habitantes;
- Em 2001, o estado de São Paulo tinha 67.649 presos; em 2006, eles eram 143.310 — mais do que o dobro.
- Entre 1996 e 2006 (ano do levantamento divulgado ontem), o número de presos aumentou 10 vezes;
- Até julho de 2006, haviam ingressado no sistema prisional do estado 4.832 pessoas — 800 por mês ou um preso por hora.
Só eu tenho esses números. Não! São públicos. Todo mundo tem.
Não é mesmo fantástico? Mais bandidos presos, mais pessoas vivas! Quem seria capaz de negar essa evidência? Pois acreditem: a esquerdopatia militante nega, sim! E fica encontrando falsos motivos e subterfúgios para explicar o espantoso sucesso da cidade e do estado.
O que eles dizem
A Folha foi ouvir especialistas. A USP tem um tal Núcleo de Estudos da Violência (NEV). Jamais o vi reconhecer a eficiência da Polícia paulista. Leiam o que disse ao jornal o pesquisador do NEV Marcelo Batista Nery: “Se você perguntar para o poder público, ele vai dizer que foram as suas intervenções, como o policiamento; outros vão dizer que foram as ações das ONGs, que melhoraram as inter-relações sociais entre as pessoas. Para mim, foi tudo isso junto". Uma pinóia, meu senhor! Acima, eu exibi dados. E não sou “pesquisador”. Quais são os seus sobre a efetividade do trabalho das “ONGs” para reduzir a violência? Quais trabalhos? Quais organizações? Onde estão os números?
Mesmo no levantamento um tanto perturbado (direi por quê) da tal Ritlta e dos ministérios, as mortes na capital paulista caíram 40,4% de 2004 para 2006 — de 4.275 para 2.546. Pergunto ao pesquisador: as outras capitais também não contam com ONGs que melhoram “as inter-relações sociais entre as pessoas”? Aliás, a expressão do moço deveria lhe render algumas chicotadas para aprender a falar “enquanto gente”, não “enquanto sociólogo”. Como os números não lhe parecem bons o bastante para o proselitismo, ele resolve criar subcategorias: “Os dados mostram uma queda geral em São Paulo. Mas é preciso considerar que a cidade é muito complexa. As situações de Moema [bairro de classes média e alta] e Brasilândia [periferia da cidade], por exemplo, são muito diferentes." Ah, são. Aí a própria Folha escreve: “Os indicadores do Observatório Cidadão Nossa São Paulo, lançados na semana passada, mostram essa disparidade. Enquanto na região da Subprefeitura da Vila Mariana houve 8,97 crimes violentos por 100 mil habitantes em 2006, em Parelheiros (ambos na zona sul) foram 47,88 casos.” Esse tal Observatório é um aparelho do PT dirigido por Oded Grajew, ex-assessor especial de Lula. Tão especial, que ninguém nunca soube o que ele fazia lá.
Agora leiam o que diz Paula Miraglia, diretora-executiva do Ilanud, órgão da ONU (aquela entidade de petralhas globais) sobre delitos e tratamento do delinqüente: "Não há uma causa única para essa queda expressiva. Há uma tendência clara de queda em São Paulo desde 1999. Até agora, nenhum trabalho deu uma resposta conclusiva para esse fato". Não deu porque a moça não quer. Porque as esquerdas adoram odiar a Polícia. Eu repito e, se ela quiser, desenho:
- o número de presos em São Paulo, entre 1996 e 2006, aumentou 10 vezes;
- em 1999, no estado de São Paulo, havia 52,58 homicídios dolosos por 100 mil habitantes; em 2006, eles eram 18,39 por 100 mil.
- Atenção: em 2007 (ano que está fora daquele relatório), os homicídios dolosos na capital paulista caíram outros 22% em relação ao ano anterior: de 1.984 para 1.538. Assim, em vez dos 18,39 por 100 mil, o número caiu para 15 por 100 mil;
- Dos 96 distritos da capital, já há 29 com menos de 10 mortes por 100 mil habitantes, um índice de país civilizado. O paupérrimo Sapopemba está entre eles;
- No estado, o número de assassinatos caiu18%. Num universo de 645 cidades, 427 estão com índices abaixo de 10 assassinatos por 100 mil habitantes. Em 2006, eram 396.
- Os números acima incluem apenas os homicídios dolosos, critério que me parece melhor do que o outro como indicador de violência.
Mais besteiras
O festival de besteiras ainda não havia chegado ao fim. Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da equipe que preparou o mapa, afirmou o seguinte ao Estadão: “A queda da mortalidade em São Paulo começou em 1999. Houve melhorias do aparato policial, mas, principalmente, uma reação da sociedade civil, com a criação dos Institutos Sou da Paz e São Paulo Contra a Violência”. E mesmo? Quais ações objetivas ele poderia apontar dessas ONGs? A moça Miraglia, aquela lá da ONU, falou também a esse jornal. Foi um pouco mais eloqüente do que com a Folha: “Desde o aumento da eficiência do Departamento de Homicídios, passando pela redução da circulação de armas, aumento das prisões, conversões religiosas, hip-hop etc. Todas ajudam a compreender um fenômeno extremamente complexo.” Como se vê, no seu sarapatel de motivos, a polícia é apenas um fator. Diga-me aí, dona Paula, nas outras capitais:
- não existe conversão religiosa?;
- não existe redução da circulação de armas?;
- não existe hip-hop (ou porcaria parecida)?
Vai ver, para a moça, mais do que a ação da polícia, quem fez diminuir mesmo a violência em São Paulo foi o Mano Brown...
Concluo
Sabem por que São Paulo caminha para ter índices de homicídio considerados aceitáveis pela Organização Mundial da Saúde? Porque o Estado têm mantido, já há bastante tempo, longe do poder os cleptocratas, os populistas e as esquerdas, capazes de afirmar as porcarias que se lêem acima. E, pior de tudo, esses três grupos agora prometem caminhar juntos.Se eles chegarem ao Palácio dos Bandeirantes algum dia, os números virtuosos regredirão, certo como a luz do dia. Negando toda a experiência nacional e internacional a respeito, tentarão combater a violência com ONGs, com hip-hop, com assembleísmo de entidades supostamente defensoras de direitos humanos... Em vez de meter bandido nas cadeias, tentarão abrir as portas dos presídios.A maior cidade do Brasil e a terceira ou quarta maior do mundo é um exemplo no combate à violência, embora muito precise ser feito. O estado que mais prende tem ainda um déficit de 40 mil vagas. Quando elas forem criadas e preenchidas, estaremos ainda mais seguros. Esses humanistas do pé quebrado querem fazer crer que há um fenômeno metafísico em São Paulo. Não há, não. Há uma escolha correta: bandido tem de ficar preso, e gente boa tem de andar com liberdade.
Por Reinaldo Azevedo
O texto que vai abaixo é longo, bem longo, mas está, a meu juízo, entre os mais importantes que escrevi neste blog. Passem-no adiante, divulguem-no, façam panfletagem se necessário. Uma grande trapaça política, intelectual e moral está em curso.
Denunciemo-la.
*
Sim, os embusteiros que tomaram de assalto a política no Brasil têm de ser permanentemente identificados: porque mentem, trapaceiam e empurram o país para o buraco. São capazes de tudo. Até de torturar os números para que eles confessem as suas teses esquerdopatas. O que foi desta vez, Reinaldo? Vocês devem ter visto que a Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla) e os ministérios da Justiça e da Saúde divulgaram ontem os dados do Mapa da Violência nos Municípios referentes a 2006. Entre 2003 e 2006, o número de homicídios no país inteiro caiu de 50.980 para 46.660.
São Paulo
O fenômeno que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo já havia percebido e apontado aparece agora nesse levantamento também. Atenção: entre o estudo do ano passado e o tornado público ontem, a capital paulista, que ocupava o 182º no ranking de homicídios, despencou para 492º. É isso mesmo: a cidade ganhou 310 posições. A relação do número de mortes por 100 mil habitantes (proporção que caracteriza a taxa de homicídios) na capital paulista caiu de 48,2 em 2004 para 31,1 em 2006. Os homicídios recuaram 40,4%: de 4.275 para 2.546 dois anos depois. Note-se: a tal Ritla e os ministérios da Justiça e da Saúde trabalham com uma base de dados diferente dos da Secretaria de Segurança Pública, que não considera os homicídios culposos — praticados sem a intenção de matar. Só para vocês poderem comparar: nesse levantamento, Recife tem uma taxa de 90 mortos por 100 mil habitantes.
A taxa de homicídios na cidade e no estado de São Paulo vem caindo de forma continuada e sustentada desde 1999 (tabela aqui). “Qual será o segredo?”, perguntam-se os especialistas. Eu tenho uma explicação objetiva, material, aritmética:
- São Paulo tem 40% dos presos do país — não prende demais, não; os outros é que prendem de menos;
- Existem 227,63 presos por 100 mil habitantes no Brasil; em São Paulo essa relação salta para 341,98 por 100 mil habitantes;
- Em 2001, o estado de São Paulo tinha 67.649 presos; em 2006, eles eram 143.310 — mais do que o dobro.
- Entre 1996 e 2006 (ano do levantamento divulgado ontem), o número de presos aumentou 10 vezes;
- Até julho de 2006, haviam ingressado no sistema prisional do estado 4.832 pessoas — 800 por mês ou um preso por hora.
Só eu tenho esses números. Não! São públicos. Todo mundo tem.
Não é mesmo fantástico? Mais bandidos presos, mais pessoas vivas! Quem seria capaz de negar essa evidência? Pois acreditem: a esquerdopatia militante nega, sim! E fica encontrando falsos motivos e subterfúgios para explicar o espantoso sucesso da cidade e do estado.
O que eles dizem
A Folha foi ouvir especialistas. A USP tem um tal Núcleo de Estudos da Violência (NEV). Jamais o vi reconhecer a eficiência da Polícia paulista. Leiam o que disse ao jornal o pesquisador do NEV Marcelo Batista Nery: “Se você perguntar para o poder público, ele vai dizer que foram as suas intervenções, como o policiamento; outros vão dizer que foram as ações das ONGs, que melhoraram as inter-relações sociais entre as pessoas. Para mim, foi tudo isso junto". Uma pinóia, meu senhor! Acima, eu exibi dados. E não sou “pesquisador”. Quais são os seus sobre a efetividade do trabalho das “ONGs” para reduzir a violência? Quais trabalhos? Quais organizações? Onde estão os números?
Mesmo no levantamento um tanto perturbado (direi por quê) da tal Ritlta e dos ministérios, as mortes na capital paulista caíram 40,4% de 2004 para 2006 — de 4.275 para 2.546. Pergunto ao pesquisador: as outras capitais também não contam com ONGs que melhoram “as inter-relações sociais entre as pessoas”? Aliás, a expressão do moço deveria lhe render algumas chicotadas para aprender a falar “enquanto gente”, não “enquanto sociólogo”. Como os números não lhe parecem bons o bastante para o proselitismo, ele resolve criar subcategorias: “Os dados mostram uma queda geral em São Paulo. Mas é preciso considerar que a cidade é muito complexa. As situações de Moema [bairro de classes média e alta] e Brasilândia [periferia da cidade], por exemplo, são muito diferentes." Ah, são. Aí a própria Folha escreve: “Os indicadores do Observatório Cidadão Nossa São Paulo, lançados na semana passada, mostram essa disparidade. Enquanto na região da Subprefeitura da Vila Mariana houve 8,97 crimes violentos por 100 mil habitantes em 2006, em Parelheiros (ambos na zona sul) foram 47,88 casos.” Esse tal Observatório é um aparelho do PT dirigido por Oded Grajew, ex-assessor especial de Lula. Tão especial, que ninguém nunca soube o que ele fazia lá.
Agora leiam o que diz Paula Miraglia, diretora-executiva do Ilanud, órgão da ONU (aquela entidade de petralhas globais) sobre delitos e tratamento do delinqüente: "Não há uma causa única para essa queda expressiva. Há uma tendência clara de queda em São Paulo desde 1999. Até agora, nenhum trabalho deu uma resposta conclusiva para esse fato". Não deu porque a moça não quer. Porque as esquerdas adoram odiar a Polícia. Eu repito e, se ela quiser, desenho:
- o número de presos em São Paulo, entre 1996 e 2006, aumentou 10 vezes;
- em 1999, no estado de São Paulo, havia 52,58 homicídios dolosos por 100 mil habitantes; em 2006, eles eram 18,39 por 100 mil.
- Atenção: em 2007 (ano que está fora daquele relatório), os homicídios dolosos na capital paulista caíram outros 22% em relação ao ano anterior: de 1.984 para 1.538. Assim, em vez dos 18,39 por 100 mil, o número caiu para 15 por 100 mil;
- Dos 96 distritos da capital, já há 29 com menos de 10 mortes por 100 mil habitantes, um índice de país civilizado. O paupérrimo Sapopemba está entre eles;
- No estado, o número de assassinatos caiu18%. Num universo de 645 cidades, 427 estão com índices abaixo de 10 assassinatos por 100 mil habitantes. Em 2006, eram 396.
- Os números acima incluem apenas os homicídios dolosos, critério que me parece melhor do que o outro como indicador de violência.
Mais besteiras
O festival de besteiras ainda não havia chegado ao fim. Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da equipe que preparou o mapa, afirmou o seguinte ao Estadão: “A queda da mortalidade em São Paulo começou em 1999. Houve melhorias do aparato policial, mas, principalmente, uma reação da sociedade civil, com a criação dos Institutos Sou da Paz e São Paulo Contra a Violência”. E mesmo? Quais ações objetivas ele poderia apontar dessas ONGs? A moça Miraglia, aquela lá da ONU, falou também a esse jornal. Foi um pouco mais eloqüente do que com a Folha: “Desde o aumento da eficiência do Departamento de Homicídios, passando pela redução da circulação de armas, aumento das prisões, conversões religiosas, hip-hop etc. Todas ajudam a compreender um fenômeno extremamente complexo.” Como se vê, no seu sarapatel de motivos, a polícia é apenas um fator. Diga-me aí, dona Paula, nas outras capitais:
- não existe conversão religiosa?;
- não existe redução da circulação de armas?;
- não existe hip-hop (ou porcaria parecida)?
Vai ver, para a moça, mais do que a ação da polícia, quem fez diminuir mesmo a violência em São Paulo foi o Mano Brown...
Concluo
Sabem por que São Paulo caminha para ter índices de homicídio considerados aceitáveis pela Organização Mundial da Saúde? Porque o Estado têm mantido, já há bastante tempo, longe do poder os cleptocratas, os populistas e as esquerdas, capazes de afirmar as porcarias que se lêem acima. E, pior de tudo, esses três grupos agora prometem caminhar juntos.Se eles chegarem ao Palácio dos Bandeirantes algum dia, os números virtuosos regredirão, certo como a luz do dia. Negando toda a experiência nacional e internacional a respeito, tentarão combater a violência com ONGs, com hip-hop, com assembleísmo de entidades supostamente defensoras de direitos humanos... Em vez de meter bandido nas cadeias, tentarão abrir as portas dos presídios.A maior cidade do Brasil e a terceira ou quarta maior do mundo é um exemplo no combate à violência, embora muito precise ser feito. O estado que mais prende tem ainda um déficit de 40 mil vagas. Quando elas forem criadas e preenchidas, estaremos ainda mais seguros. Esses humanistas do pé quebrado querem fazer crer que há um fenômeno metafísico em São Paulo. Não há, não. Há uma escolha correta: bandido tem de ficar preso, e gente boa tem de andar com liberdade.
Por Reinaldo Azevedo
Thursday, November 22, 2007
Os “soviéticos” da economia brasileira – Um documento asqueroso - Blog Reinaldo Azevedo - 22/11/07
Estou entre enojado e escandalizado. Os soviéticos estão chegando. Os soviéticos já chegaram. Recebi uma “moção” de apoio a Márcio Pochmann, o patrulheiro do Ipea (vocês se lembram), assinada pelo Conselho Regional de Economia do Estado do Rio de Janeiro (Co.R.Econ-RJ), pelo Sindicato dos Economistas do Estado do Rio de Janeiro (Sindecon-RJ) e pelo (Centro de Estudos para o Desenvolvimento). Acreditem: essas entidades
- hipotecam integral apoio a Pochmann;
- demonizam os economistas demitidos do Ipea (a culpa é das vítimas);
- deixam claro que os quatro economistas foram mesmo “punidos” por não rezarem segundo a cartilha do governo: trata-se de uma questão ideológica;
- dizem que ainda é pouco e que mais precisa ser feito.
O texto é tão asqueroso no seu oficialismo, tão estúpido nos conceitos que emite, tão energúmeno na sua gramática moral e da língua portuguesa, que cheguei a duvidar de que pudesse ser verdadeiro. Entrei na página do Corecon na Internet. Não encontrei a tal moção. Tinha um pequeno fiapo de esperança. Talvez fosse um desses falsos e-mails. “Ninguém seria tão canalha”, cheguei a pensar. “Não é possível que exista gente que se disponha a exibir o nariz marrom desse jeito”, duvidei, cheio de esperança. Fiquei com o pé atrás quando vi que os valentes chamam “site” de “sítio”. Sim, claro, a mesma coisa... Ocorre que, no Brasil, só opta por “sítio” quem é atacado pelo complexo vira-lata de Policarpo Quaresma.
Aí cumpri o meu dever. Liguei para o Corecon — Tel: (21) 2103-0178 ou pelo FAX: (21) 2103-0106 —: “Tenho aqui uma moção que estaria sendo enviada aos economistas...”. Em suma: era tudo verdade. Eles realmente haviam redigido o texto que segue em vermelho. Citei o sovietismo, não é? Acho que fui muito severo com os camaradas. Nem os comissariados profissionais do stalinismo seriam tão sabujos quanto o que vai abaixo. Faço ainda intervenções em azul:
MOÇÃO
Em reunião de 14 de novembro último o CORECON – RJ, o SINDECON e o CED, aprovaram e recomendaram a ampla divulgação da seguinte moção.A imprensa vem criticando duramente os recém-nomeados presidente e diretor do IPEA, Márcio Pochmann e João Sicsú, pelo fato de terem dispensado quatro pesquisadores da instituição. Tendo sido essa decisão supostamente devida ao fato de serem os mesmos contrários a política econômica do Governo.
Vou me abster de comentar os erros de língua portuguesa e as grosserias de estilo. Alguns dos meus amigos mais inteligentes são economistas — um já trabalhou para este governo; não digo o nome nem debaixo de chicote. Mas os que redigiram esta “moção” são analfabetos.
Com respeito à questão, o fato a ser inicialmente sublinhado é que a mudança no comando de instituição de pesquisa oficial (e não acadêmica) traduz o desejo do Poder Público de dar nova orientação aos trabalhos da entidade. No caso em análise, a mudança no comando do IPEA traduz a nova orientação (embora ainda tímida e incompleta) do Presidente Lula no sentido de melhorar os resultados obtidos pelo Brasil em termos de desenvolvimento.
Como se vê, há o endosso cego da política oficial e o que, para mim, corresponde a uma confissão: houve mesmo expurgo; houve mesmo punição ideológica. Observem que os bravos esperam ainda mudanças. Eles acham pouco.
O Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, a criação do Ministério Extraordinário de Ações Estratégicas, com a indicação de Mangabeira Unger para comandá-lo, a nomeação de Guido Mantega para o Ministério da Fazenda e de Luciano Coutinho para o BNDES, constituem importantes corolários dessa decisão de imprimir novos rumos à economia brasileira. É, portanto, perfeitamente natural e necessário que o IPEA, órgão oficial de apoio à definição de políticas econômicas, seja comandado por dirigentes afinados com a nova orientação desejada pelo Governo. E esses dirigentes, para levarem adiante sua tarefa, devem ajustar a equipe técnica do órgão às suas novas funções.
Você pode não ter entendido direito o que vai acima, dadas a pontuação porca, a sintaxe claudicante, a vírgula entre o sujeito e o predicado etc. Mas é só um elogio do oficialismo, explicitando que o afastamento dos quatro pesquisadores faz parte de uma estratégia.
Mais grave, porém, é a alegação de que a dispensa dos quatro pesquisadores, cuja capacidade profissional e contribuição científica não se discute, teria decorrido de serem eles contra a política econômica oficial.
Observem que “grave”, para os soviéticos, não é o afastamento dos economistas, mas a leitura que se faz dela. Querem regular a interpretação da notícia. Em tempo: eles reconhecem a “capacidade profissional e contribuição científica” dos afastados...
Ora, o fato incontestável com respeito a esta,”
Com respeito a esta”??? Cadê o meu pau-de-arara estilístico?
é que os economistas brasileiros se dividem hoje entre os que aceitam, ou rejeitam, a visão neoliberal do Banco Central que, presentemente, comanda os destinos econômicos do país. Visão que concede absoluta prioridade à manutenção dos equilíbrios fundamentais (cambial, fiscal e monetário) relativamente à necessidade de incremento acelerado do PIB brasileiro. Com a conseqüência de ter sido o crescimento da economia brasileira muito inferior ao de países em condições bem menos favoráveis que as nossas para o desenvolvimento econômico.
O que essa gramática símia acima está dizendo é que o reconhecido equilíbrio cambial, fiscal e monetário impede o Brasil de crescer mais. Logo, para os valentes do Corecon (esta sigla com nome de remédio anticaspa), para crescer mais, é preciso provocar um desequilíbrio dos fundamentos... Quem sabe uma gastança ainda maior, quem sabe uma inflação maior, quem sabe a centralização do câmbio... Olhem: também tenho críticas à política econômica. Já as fiz aqui. Mas o que vai acima é um desserviço prestado àqueles que possam ter reservas técnicas à política do Banco Central. Se eu fosse Henrique Meirelles, adoraria ter críticos energúmenos como estes. Ademais, quem nomeia o presidente do BC é Luiz Inácio Lula da Silva, não Fábio Giambiagi.
Com base nesse critério, o que se pode afirmar é não terem os quatro economistas desligados do IPEA jamais se colocado firmemente (o que possivelmente seria sua obrigação) contra o conservadorismo alienante do Banco Central traduzido, entre outros fatos, nos altíssimos juros, na sobrevalorização do real e na recusa em intervir na livre movimentação do capital estrangeiro especulativo.”
Obrigação” por quê? Quer dizer que eles são proibidos de estar lotados num órgão do estado e, eventualmente, concordar com a política monetária? O que vai acima é a admissão tácita de que o Ipea pretende ser uma frente avançada de combate à política do Banco Central.
Quanto à posição dos novos dirigentes do IPEA é suficiente referirmo-nos à dois livros recentes de autoria e co-autoria de João Sicsú. Neles vamos encontrar três críticas, baseadas em impecáveis argumentações científicas, quais sejam: a) ao uso, para manter a inflação sob controle, de altíssimos juros, que paralisam a economia, e são desnecessários por existirem instrumentos alternativos, igualmente eficazes; b) a sobrevalorização do real, que está conduzindo a economia brasileira a indesejável especialização em “commodities” agrícolas e industriais e c) a liberdade, e até encorajamento, concedidos ao capital especulativo estrangeiro, o que coloca o Brasil diante do risco permanente de crises cambiais. Com respeito à taxa de câmbio, Sicsú classifica como irresponsável a aceitação de qualquer relação real/dólar inferior a 2,8.
Como a gente vê, Sicsú, sozinho, descobriu o que é bom para o Brasil. Agora dividindo o comando do Ipea com Márcio Pochmann, impõe a linha justa. Seu livro não é mais uma das leituras possíveis da economia brasileira: é uma cartilha.
Ou seja, em termos de posição a favor ou contra a política econômica oficial, é a nova direção do IPEA, e não os quatro pesquisadores dispensados, que deve ser considerada contrária à política econômica oficial, comandada pelo Banco Central.
Então deveria ser demitida segundo os mesmos critérios que levam Pochmann a afastar os quatro economistas dos quais diverge. Eis a lógica dos “economistas” que pretendem substituir os “neoliberais”. Deus me livre! Tentariam nos convencer a tomar sorvete com a testa.
É, finalmente, necessário lembrar que Márcio Pochmann e João Sicsú são unanimemente apontados como desenvolvimentistas e, portanto, visceralmente contrários a uma política econômica que já levou o país à quase três décadas de semi-estagnação.
O problema dessa gente começa na estrutura binária: basta ver como gosta de pôr crase onde não precisa e de tirar de onde precisa. “Três décadas de semi-estagnação” por causa da política econômica, que eles chamam “neoliberal”??? Então vamos ver. Teria sido o “neoliberalismo” o responsável, entre outras coisas:- pela moratória da dívida externa, com Dílson Funaro (neoliberais, vocês sabem, gostam de calote...);- pelo congelamento de preços do Plano Cruzado (neoliberais, vocês, sabem, odeiam o mercado...);- pelo câmbio fixo do Plano Real (vocês sabem: neoliberais não acreditam em flutuações de mercado...).Trata-se de asneira ditada por um misto evidente de burrice com ideologia. Depois reclamam da minha má vontade com sindicalistas e afins, essa gente que se junta em associações profissionais para defender “usdireitcho da catchiguria”. Se for trabalhador pobre, vá lá... Mas por que alguém precisa de um sindicato de economistas? Economista que presta sabe se defender sozinho, não é mesmo?
O CORECON-RJ, o SINDECON e o CED desejam e esperam que o IPEA, sob nova direção, volte a desempenhar sua tarefa básica, por muito tempo esquecida, de comandar definição de estratégia capaz de recolocar o país na trilha do crescimento acelerado.
Assinaturas:
Conselho Regional de Economia do Estado do Rio de Janeiro – Co.R.Econ-RJ
Sindicato dos Economistas do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Estudos para o Desenvolvimento
É isso aí. Assinem essa impostura. Que o documento sirva como prova da indigência técnica e política dessa gente.Ah, sim: os valentes acima elegeram Márcio Pochmann o “economista do ano”.
Por Reinaldo Azevedo
- hipotecam integral apoio a Pochmann;
- demonizam os economistas demitidos do Ipea (a culpa é das vítimas);
- deixam claro que os quatro economistas foram mesmo “punidos” por não rezarem segundo a cartilha do governo: trata-se de uma questão ideológica;
- dizem que ainda é pouco e que mais precisa ser feito.
O texto é tão asqueroso no seu oficialismo, tão estúpido nos conceitos que emite, tão energúmeno na sua gramática moral e da língua portuguesa, que cheguei a duvidar de que pudesse ser verdadeiro. Entrei na página do Corecon na Internet. Não encontrei a tal moção. Tinha um pequeno fiapo de esperança. Talvez fosse um desses falsos e-mails. “Ninguém seria tão canalha”, cheguei a pensar. “Não é possível que exista gente que se disponha a exibir o nariz marrom desse jeito”, duvidei, cheio de esperança. Fiquei com o pé atrás quando vi que os valentes chamam “site” de “sítio”. Sim, claro, a mesma coisa... Ocorre que, no Brasil, só opta por “sítio” quem é atacado pelo complexo vira-lata de Policarpo Quaresma.
Aí cumpri o meu dever. Liguei para o Corecon — Tel: (21) 2103-0178 ou pelo FAX: (21) 2103-0106 —: “Tenho aqui uma moção que estaria sendo enviada aos economistas...”. Em suma: era tudo verdade. Eles realmente haviam redigido o texto que segue em vermelho. Citei o sovietismo, não é? Acho que fui muito severo com os camaradas. Nem os comissariados profissionais do stalinismo seriam tão sabujos quanto o que vai abaixo. Faço ainda intervenções em azul:
MOÇÃO
Em reunião de 14 de novembro último o CORECON – RJ, o SINDECON e o CED, aprovaram e recomendaram a ampla divulgação da seguinte moção.A imprensa vem criticando duramente os recém-nomeados presidente e diretor do IPEA, Márcio Pochmann e João Sicsú, pelo fato de terem dispensado quatro pesquisadores da instituição. Tendo sido essa decisão supostamente devida ao fato de serem os mesmos contrários a política econômica do Governo.
Vou me abster de comentar os erros de língua portuguesa e as grosserias de estilo. Alguns dos meus amigos mais inteligentes são economistas — um já trabalhou para este governo; não digo o nome nem debaixo de chicote. Mas os que redigiram esta “moção” são analfabetos.
Com respeito à questão, o fato a ser inicialmente sublinhado é que a mudança no comando de instituição de pesquisa oficial (e não acadêmica) traduz o desejo do Poder Público de dar nova orientação aos trabalhos da entidade. No caso em análise, a mudança no comando do IPEA traduz a nova orientação (embora ainda tímida e incompleta) do Presidente Lula no sentido de melhorar os resultados obtidos pelo Brasil em termos de desenvolvimento.
Como se vê, há o endosso cego da política oficial e o que, para mim, corresponde a uma confissão: houve mesmo expurgo; houve mesmo punição ideológica. Observem que os bravos esperam ainda mudanças. Eles acham pouco.
O Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, a criação do Ministério Extraordinário de Ações Estratégicas, com a indicação de Mangabeira Unger para comandá-lo, a nomeação de Guido Mantega para o Ministério da Fazenda e de Luciano Coutinho para o BNDES, constituem importantes corolários dessa decisão de imprimir novos rumos à economia brasileira. É, portanto, perfeitamente natural e necessário que o IPEA, órgão oficial de apoio à definição de políticas econômicas, seja comandado por dirigentes afinados com a nova orientação desejada pelo Governo. E esses dirigentes, para levarem adiante sua tarefa, devem ajustar a equipe técnica do órgão às suas novas funções.
Você pode não ter entendido direito o que vai acima, dadas a pontuação porca, a sintaxe claudicante, a vírgula entre o sujeito e o predicado etc. Mas é só um elogio do oficialismo, explicitando que o afastamento dos quatro pesquisadores faz parte de uma estratégia.
Mais grave, porém, é a alegação de que a dispensa dos quatro pesquisadores, cuja capacidade profissional e contribuição científica não se discute, teria decorrido de serem eles contra a política econômica oficial.
Observem que “grave”, para os soviéticos, não é o afastamento dos economistas, mas a leitura que se faz dela. Querem regular a interpretação da notícia. Em tempo: eles reconhecem a “capacidade profissional e contribuição científica” dos afastados...
Ora, o fato incontestável com respeito a esta,”
Com respeito a esta”??? Cadê o meu pau-de-arara estilístico?
é que os economistas brasileiros se dividem hoje entre os que aceitam, ou rejeitam, a visão neoliberal do Banco Central que, presentemente, comanda os destinos econômicos do país. Visão que concede absoluta prioridade à manutenção dos equilíbrios fundamentais (cambial, fiscal e monetário) relativamente à necessidade de incremento acelerado do PIB brasileiro. Com a conseqüência de ter sido o crescimento da economia brasileira muito inferior ao de países em condições bem menos favoráveis que as nossas para o desenvolvimento econômico.
O que essa gramática símia acima está dizendo é que o reconhecido equilíbrio cambial, fiscal e monetário impede o Brasil de crescer mais. Logo, para os valentes do Corecon (esta sigla com nome de remédio anticaspa), para crescer mais, é preciso provocar um desequilíbrio dos fundamentos... Quem sabe uma gastança ainda maior, quem sabe uma inflação maior, quem sabe a centralização do câmbio... Olhem: também tenho críticas à política econômica. Já as fiz aqui. Mas o que vai acima é um desserviço prestado àqueles que possam ter reservas técnicas à política do Banco Central. Se eu fosse Henrique Meirelles, adoraria ter críticos energúmenos como estes. Ademais, quem nomeia o presidente do BC é Luiz Inácio Lula da Silva, não Fábio Giambiagi.
Com base nesse critério, o que se pode afirmar é não terem os quatro economistas desligados do IPEA jamais se colocado firmemente (o que possivelmente seria sua obrigação) contra o conservadorismo alienante do Banco Central traduzido, entre outros fatos, nos altíssimos juros, na sobrevalorização do real e na recusa em intervir na livre movimentação do capital estrangeiro especulativo.”
Obrigação” por quê? Quer dizer que eles são proibidos de estar lotados num órgão do estado e, eventualmente, concordar com a política monetária? O que vai acima é a admissão tácita de que o Ipea pretende ser uma frente avançada de combate à política do Banco Central.
Quanto à posição dos novos dirigentes do IPEA é suficiente referirmo-nos à dois livros recentes de autoria e co-autoria de João Sicsú. Neles vamos encontrar três críticas, baseadas em impecáveis argumentações científicas, quais sejam: a) ao uso, para manter a inflação sob controle, de altíssimos juros, que paralisam a economia, e são desnecessários por existirem instrumentos alternativos, igualmente eficazes; b) a sobrevalorização do real, que está conduzindo a economia brasileira a indesejável especialização em “commodities” agrícolas e industriais e c) a liberdade, e até encorajamento, concedidos ao capital especulativo estrangeiro, o que coloca o Brasil diante do risco permanente de crises cambiais. Com respeito à taxa de câmbio, Sicsú classifica como irresponsável a aceitação de qualquer relação real/dólar inferior a 2,8.
Como a gente vê, Sicsú, sozinho, descobriu o que é bom para o Brasil. Agora dividindo o comando do Ipea com Márcio Pochmann, impõe a linha justa. Seu livro não é mais uma das leituras possíveis da economia brasileira: é uma cartilha.
Ou seja, em termos de posição a favor ou contra a política econômica oficial, é a nova direção do IPEA, e não os quatro pesquisadores dispensados, que deve ser considerada contrária à política econômica oficial, comandada pelo Banco Central.
Então deveria ser demitida segundo os mesmos critérios que levam Pochmann a afastar os quatro economistas dos quais diverge. Eis a lógica dos “economistas” que pretendem substituir os “neoliberais”. Deus me livre! Tentariam nos convencer a tomar sorvete com a testa.
É, finalmente, necessário lembrar que Márcio Pochmann e João Sicsú são unanimemente apontados como desenvolvimentistas e, portanto, visceralmente contrários a uma política econômica que já levou o país à quase três décadas de semi-estagnação.
O problema dessa gente começa na estrutura binária: basta ver como gosta de pôr crase onde não precisa e de tirar de onde precisa. “Três décadas de semi-estagnação” por causa da política econômica, que eles chamam “neoliberal”??? Então vamos ver. Teria sido o “neoliberalismo” o responsável, entre outras coisas:- pela moratória da dívida externa, com Dílson Funaro (neoliberais, vocês sabem, gostam de calote...);- pelo congelamento de preços do Plano Cruzado (neoliberais, vocês, sabem, odeiam o mercado...);- pelo câmbio fixo do Plano Real (vocês sabem: neoliberais não acreditam em flutuações de mercado...).Trata-se de asneira ditada por um misto evidente de burrice com ideologia. Depois reclamam da minha má vontade com sindicalistas e afins, essa gente que se junta em associações profissionais para defender “usdireitcho da catchiguria”. Se for trabalhador pobre, vá lá... Mas por que alguém precisa de um sindicato de economistas? Economista que presta sabe se defender sozinho, não é mesmo?
O CORECON-RJ, o SINDECON e o CED desejam e esperam que o IPEA, sob nova direção, volte a desempenhar sua tarefa básica, por muito tempo esquecida, de comandar definição de estratégia capaz de recolocar o país na trilha do crescimento acelerado.
Assinaturas:
Conselho Regional de Economia do Estado do Rio de Janeiro – Co.R.Econ-RJ
Sindicato dos Economistas do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Estudos para o Desenvolvimento
É isso aí. Assinem essa impostura. Que o documento sirva como prova da indigência técnica e política dessa gente.Ah, sim: os valentes acima elegeram Márcio Pochmann o “economista do ano”.
Por Reinaldo Azevedo
Thursday, November 15, 2007
Comuno-fascistóides 1 – Presidente petista o Ipea promove expurgos - Blog do Reinaldo Azevedo - 15/11/07
Por Guilherme Barros, na Folha desta sexta. Volto depois:
Quatro pesquisadores independentes e considerados não alinhados ao atual pensamento econômico do governo foram afastados nesta semana do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), no Rio, pela nova direção do instituto, vinculado ao Núcleo de Assuntos Estratégicos, comandado por Roberto Mangabeira Unger. São eles: Fabio Giambiagi, Otávio Tourinho, Gervásio Rezende e Regis Bonelli. Os dois primeiros, que estavam cedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), foram informados de que seus convênios não seriam renovados no vencimento, em dezembro. Já para os outros dois, que estão no Ipea há 40 anos e faziam trabalhos regulares para o instituto, a alegação foi a de que eles já estavam aposentados.
Procurados pela Folha, por meio de suas assessoria de imprensa, os economistas Marcio Pochmann, presidente do Ipea, e João Sicsú, diretor de Estudos Macroeconômicos do órgão, considerada a mais importante posição do instituto, e que fica instalada no Rio, não se pronunciaram. A assessoria da Ipea confirmou a saída dos quatro pesquisadores, mas deu motivos diferentes dos que foram apurados pela Folha. (...) O ex-deputado Delfim Netto, que comandou a economia no período de 1979 a 1985, durante o regime militar, chegando a ser chamado de superministro, lamentou e criticou a saída dos quatro pesquisados do Ipea. Delfim foi até chamado por Pochmann -e aceitou- para assumir o cargo de conselheiro do Ipea. "Tenho esses profissionais [os quatro pesquisadores afastados] em alta conta. São economistas dedicados à pesquisa, com boa formação acadêmica e trabalhos relevantes prestados à economia brasileira", afirmou o ex-deputado.Assinante lê mais aqui
Voltei
Pochmann foi secretário de Trabalho de Marta Suplicy. Na pasta, produzia mais pesquisas furadas do que Lula produz sandices. É um marqueteiro de mão cheia. Tanto que virou um dos principais fornecedores de estatísticas para Eremildo, o Idiota. E, assim, acabou ganhando a injustificada fama de economista sério.A sua obra mais notável até hoje foi uma pesquisa produzida em 2002 — ele na prefeitura petista, e o governo, é claro, era o de FHC — em que demonstrava, com base em vários dados (sim, sim, claro...) que o Brasil era o segundo país NO MUNDO em número absoluto de desempregados. Isto mesmo que vocês entenderam: o valente fez um ranking de desempregados que considerava OS NÚMEROS ABSOLUTOS NO PLANETA. Segundo Pochmann, Banânia só perdia para a Índia...Não! Ele não excluía de seu levantamento nem mesmo os 25% da humanidade da China. Pochmann foi o primeiro economista a obter dados confiáveis sobre emprego no gigante comunista. Conseguiu atravessar também o cipoal de castas, religiões e culturas na Índia para medir com precisão o que nem o governo daquele país se atreveria a dizer: quantos são os desempregados. Com um pouco mais de senso de oportunidade, teria provado que o Brasil é tão injusto, mas tão injusto, que tem mais milionários do que o milionário Principado de Mônaco...Deram-lhe trela. Ele virou notícia de jornal. Mais: a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a sempre petralha SBPC, achou seu estudo tão bacana, que o mantém em seu site (aqui). Esse cara é hoje o chefão do Ipea.
Tá com medinho, 13?
Curioso Pochmann não falar com a imprensa, justo ele, não é mesmo? Até chegar ao Ipea, ela era a sua principal parceira. Na hora em que tem de dar explicações, foge. A verdade é esta: começou a fase de caça às bruxas, o comuno-fascismo light à moda petista. Vejam o caso dos dois economistas que estavam no órgão há 40 anos. Resistiram à ditadura, à redemocratização, a Collor, a Itamar e a FHC. Mas sucumbiram diante da democracia popular petista.É uma vergonha, um escárnio. Tudo muito próprio de quem assumiu a direção do instituto defendendo o aumento de gastos públicos e a contratação de mais servidores — afinal, ele se quer um “desenvolvimentista”. Conheço economistas, alguns do PT. Não há um único, unzinho só que seja, que o leve a sério. Só jornalistas lhe deram bola. Mas, como se vê, ele não está lá para produzir estudos. Sua função é fazer a depuração ideológica. E, para realizar o serviço sujo, nada como um burocrata medíocre.
Por Reinaldo Azevedo
Quatro pesquisadores independentes e considerados não alinhados ao atual pensamento econômico do governo foram afastados nesta semana do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), no Rio, pela nova direção do instituto, vinculado ao Núcleo de Assuntos Estratégicos, comandado por Roberto Mangabeira Unger. São eles: Fabio Giambiagi, Otávio Tourinho, Gervásio Rezende e Regis Bonelli. Os dois primeiros, que estavam cedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), foram informados de que seus convênios não seriam renovados no vencimento, em dezembro. Já para os outros dois, que estão no Ipea há 40 anos e faziam trabalhos regulares para o instituto, a alegação foi a de que eles já estavam aposentados.
Procurados pela Folha, por meio de suas assessoria de imprensa, os economistas Marcio Pochmann, presidente do Ipea, e João Sicsú, diretor de Estudos Macroeconômicos do órgão, considerada a mais importante posição do instituto, e que fica instalada no Rio, não se pronunciaram. A assessoria da Ipea confirmou a saída dos quatro pesquisadores, mas deu motivos diferentes dos que foram apurados pela Folha. (...) O ex-deputado Delfim Netto, que comandou a economia no período de 1979 a 1985, durante o regime militar, chegando a ser chamado de superministro, lamentou e criticou a saída dos quatro pesquisados do Ipea. Delfim foi até chamado por Pochmann -e aceitou- para assumir o cargo de conselheiro do Ipea. "Tenho esses profissionais [os quatro pesquisadores afastados] em alta conta. São economistas dedicados à pesquisa, com boa formação acadêmica e trabalhos relevantes prestados à economia brasileira", afirmou o ex-deputado.Assinante lê mais aqui
Voltei
Pochmann foi secretário de Trabalho de Marta Suplicy. Na pasta, produzia mais pesquisas furadas do que Lula produz sandices. É um marqueteiro de mão cheia. Tanto que virou um dos principais fornecedores de estatísticas para Eremildo, o Idiota. E, assim, acabou ganhando a injustificada fama de economista sério.A sua obra mais notável até hoje foi uma pesquisa produzida em 2002 — ele na prefeitura petista, e o governo, é claro, era o de FHC — em que demonstrava, com base em vários dados (sim, sim, claro...) que o Brasil era o segundo país NO MUNDO em número absoluto de desempregados. Isto mesmo que vocês entenderam: o valente fez um ranking de desempregados que considerava OS NÚMEROS ABSOLUTOS NO PLANETA. Segundo Pochmann, Banânia só perdia para a Índia...Não! Ele não excluía de seu levantamento nem mesmo os 25% da humanidade da China. Pochmann foi o primeiro economista a obter dados confiáveis sobre emprego no gigante comunista. Conseguiu atravessar também o cipoal de castas, religiões e culturas na Índia para medir com precisão o que nem o governo daquele país se atreveria a dizer: quantos são os desempregados. Com um pouco mais de senso de oportunidade, teria provado que o Brasil é tão injusto, mas tão injusto, que tem mais milionários do que o milionário Principado de Mônaco...Deram-lhe trela. Ele virou notícia de jornal. Mais: a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a sempre petralha SBPC, achou seu estudo tão bacana, que o mantém em seu site (aqui). Esse cara é hoje o chefão do Ipea.
Tá com medinho, 13?
Curioso Pochmann não falar com a imprensa, justo ele, não é mesmo? Até chegar ao Ipea, ela era a sua principal parceira. Na hora em que tem de dar explicações, foge. A verdade é esta: começou a fase de caça às bruxas, o comuno-fascismo light à moda petista. Vejam o caso dos dois economistas que estavam no órgão há 40 anos. Resistiram à ditadura, à redemocratização, a Collor, a Itamar e a FHC. Mas sucumbiram diante da democracia popular petista.É uma vergonha, um escárnio. Tudo muito próprio de quem assumiu a direção do instituto defendendo o aumento de gastos públicos e a contratação de mais servidores — afinal, ele se quer um “desenvolvimentista”. Conheço economistas, alguns do PT. Não há um único, unzinho só que seja, que o leve a sério. Só jornalistas lhe deram bola. Mas, como se vê, ele não está lá para produzir estudos. Sua função é fazer a depuração ideológica. E, para realizar o serviço sujo, nada como um burocrata medíocre.
Por Reinaldo Azevedo
Monday, November 12, 2007
Do blog do Aguinaldo Silva de 10/11/07
Em 1978, quando a ditadura já seguia em velocidade de cruzeiro e muitos intelectuais de esquerda haviam dado um jeito de mamar de novo nas tetas do governo que supostamente ainda condenavam, eu ganhei o I Prêmio Abril de Jornalismo no gênero “melhor reportagem individual”, com uma matéria intitulada “Pobres Homens de Ouro”.Os Homens de Ouro, se vocês não sabem, era o ovo da serpente do qual nasceu o Esquadrão da Morte e seus afiliados da época, todos de sinistra memória. Então, aos olhos de todos, inclusive os meus, os mocinhos (ou seja, a polícia) eram os bandidos.
Esse foi um cacoete que adquirimos naqueles tempos difíceis, e do qual muitos não se livraram até hoje: para estes, a polícia não presta. E os bandidos, mesmo aquele psicopata sedento de sangue do ônibus 174, são apenas heróis românticos, justiceiros dispostos a expropriar o que lhes pertence e que nós, a chamada “elite”, lhes roubamos, porque temos o atrevimento de trabalhar e ganhar dinheiro.Naquela época, os Homens de Ouro, que eram sete e incluíam o famoso Mariel Mariscot, era o que havia de mais temível. Ao escrever sobre eles, e mostrar como eles progrediram na vida através do terror e da mão grande, eu fui premiado, mas causei preocupação aos amigos, que me perguntavam a toda hora: “você não tem medo?” Eu tinha. Então eu era – desculpem a falta de modéstia – uma das “estrelas” dos jornais alternativos Opinião e Movimento, para os quais fazia matérias semanaisMuitas vezes eu saía de madrugada de minha casa no então ameno bairro de Santa Teresa para entregar meus textos na redação dos jornais no Jardim Botânico. E enquanto atravessava a Rua das Laranjeiras, o Cosme Velho e o Túnel Rebouças no meu Fusca, tinha a nítida sensação de que estava sendo seguido. Em geral estava. Mas as ameaças nunca passavam disso.Então eu já tinha sido preso (fiquei 70 dias na Ilha das Flores, 45 dos quais incomunicável), e também fui processado três vezes, sempre por delitos de opinião, que permitiam ao então Ministro da Justiça, o dr. Armando “no coments” Falcão, me enquadrar na Lei de Imprensa.Podia, por causa da prisão e dos processos, ter pedido indenização ao governo atual, como fizeram muitos. Mas não acho que o povo tenha que pagar pelos agravos que sofri em virtude de minhas convicções políticas. Por isso prefiro viver às minhas próprias custas. E se tem alguma coisa da qual vou me orgulhar na hora da morte é de sempre ter vivido do meu trabalho e jamais ter mamado nas tetas de nenhum governo.Sim, na época eu tinha medo. Mas por mais sangrenta que fosse a ditadura, as aflições que então sofríamos por causa disso não tinham tanto peso quanto têm as aflições de hoje, quando somos supostamente livres. É que na época os militares até podiam impor arbitrariamente sua vontade. Mas pelo menos não eram fundamentalistas, não achavam que tinham a missão divina de reorganizar e assim salvar o mundo. E agora...Agora os que não concordam com o que está aí também sentem medo. E são seguidos na calada da noite. E são ameaçados. E têm suas contas bancárias secretamente devassadas. E recebem telefonemas sinistros disparados de celulares com IDs privados. E morrem sim, porque alguns, como aquele prefeito lá de Santo André, são mortos nunca se sabe porquê nem como.Digo a vocês sem maiores rodeios. Neste momento eu sinto medo, e tenho sérias razões pra isso. A julgar pelo que dizem os telefonemas disparados dos tais celulares com IDs privados, por motivos alheios à minha vontade posso até nem terminar a novela DUAS CARAS, que tanta discussão está gerando.Mas fica o aviso: se eu parar não será por minha própria vontade. E embora, no final de contas, o que eu faço seja “apenas Chinatown”, ou seja, uma novela, se eu não puder terminá-la porque amanheci, como dizem os tais telefonemas: “com a boca cheia de formigas”, espero que um dia Mamãe História se pronuncie e alguém venha a ser responsabilizado por isso.Mas não se preocupem. Isso ainda não é uma despedida. Até o próximo texto!
Esse foi um cacoete que adquirimos naqueles tempos difíceis, e do qual muitos não se livraram até hoje: para estes, a polícia não presta. E os bandidos, mesmo aquele psicopata sedento de sangue do ônibus 174, são apenas heróis românticos, justiceiros dispostos a expropriar o que lhes pertence e que nós, a chamada “elite”, lhes roubamos, porque temos o atrevimento de trabalhar e ganhar dinheiro.Naquela época, os Homens de Ouro, que eram sete e incluíam o famoso Mariel Mariscot, era o que havia de mais temível. Ao escrever sobre eles, e mostrar como eles progrediram na vida através do terror e da mão grande, eu fui premiado, mas causei preocupação aos amigos, que me perguntavam a toda hora: “você não tem medo?” Eu tinha. Então eu era – desculpem a falta de modéstia – uma das “estrelas” dos jornais alternativos Opinião e Movimento, para os quais fazia matérias semanaisMuitas vezes eu saía de madrugada de minha casa no então ameno bairro de Santa Teresa para entregar meus textos na redação dos jornais no Jardim Botânico. E enquanto atravessava a Rua das Laranjeiras, o Cosme Velho e o Túnel Rebouças no meu Fusca, tinha a nítida sensação de que estava sendo seguido. Em geral estava. Mas as ameaças nunca passavam disso.Então eu já tinha sido preso (fiquei 70 dias na Ilha das Flores, 45 dos quais incomunicável), e também fui processado três vezes, sempre por delitos de opinião, que permitiam ao então Ministro da Justiça, o dr. Armando “no coments” Falcão, me enquadrar na Lei de Imprensa.Podia, por causa da prisão e dos processos, ter pedido indenização ao governo atual, como fizeram muitos. Mas não acho que o povo tenha que pagar pelos agravos que sofri em virtude de minhas convicções políticas. Por isso prefiro viver às minhas próprias custas. E se tem alguma coisa da qual vou me orgulhar na hora da morte é de sempre ter vivido do meu trabalho e jamais ter mamado nas tetas de nenhum governo.Sim, na época eu tinha medo. Mas por mais sangrenta que fosse a ditadura, as aflições que então sofríamos por causa disso não tinham tanto peso quanto têm as aflições de hoje, quando somos supostamente livres. É que na época os militares até podiam impor arbitrariamente sua vontade. Mas pelo menos não eram fundamentalistas, não achavam que tinham a missão divina de reorganizar e assim salvar o mundo. E agora...Agora os que não concordam com o que está aí também sentem medo. E são seguidos na calada da noite. E são ameaçados. E têm suas contas bancárias secretamente devassadas. E recebem telefonemas sinistros disparados de celulares com IDs privados. E morrem sim, porque alguns, como aquele prefeito lá de Santo André, são mortos nunca se sabe porquê nem como.Digo a vocês sem maiores rodeios. Neste momento eu sinto medo, e tenho sérias razões pra isso. A julgar pelo que dizem os telefonemas disparados dos tais celulares com IDs privados, por motivos alheios à minha vontade posso até nem terminar a novela DUAS CARAS, que tanta discussão está gerando.Mas fica o aviso: se eu parar não será por minha própria vontade. E embora, no final de contas, o que eu faço seja “apenas Chinatown”, ou seja, uma novela, se eu não puder terminá-la porque amanheci, como dizem os tais telefonemas: “com a boca cheia de formigas”, espero que um dia Mamãe História se pronuncie e alguém venha a ser responsabilizado por isso.Mas não se preocupem. Isso ainda não é uma despedida. Até o próximo texto!
Friday, November 09, 2007
Atentai, jornalistas, para Mexilhão! - Blog do Reinaldo Azevedo - 09/11/07
Vocês querem ver como são as coisas?
Em setembro de 2003, a Petrobras anunciou a descoberta de um campo gigantesco de gás em Santos: Mexilhão. Era a nossa redenção. Estamos no fim de 2007. Até agora, não se tirou de Mexilhão gás para produzir um pum. Querem um bom divertimento? Façam uma pesquisa na Internet sobre o palavrório a respeito. Se gogó movesse turbina, o Brasil seria mesmo uma potência mundial.
No dia 13 de junho de 2005, informava o jornal Valor Econômico:
“Na reunião com a Fiesp, Dilma [Rousseff] também informou que a Petrobras deverá focar seu objetivo na antecipação de 2009 para 2007 da produção de gás do campo de Mexilhão, na Bacia de Santos, disponibilizando 12 milhões de metros cúbicos diários do insumo; e de outros 10 milhões de metros cúbicos por dia da Bacia do Espírito Santo também em 2007, segundo informação do presidente da Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, que participou da reunião.”
Viram só? Aconteceu? Não! Os investidores reclamavam e continuam reclamando da falta de clareza dos marcos regulatórios.
Uma fonte da empresa, na mesma reportagem, era menos otimista do que a ministra: "'A previsão para Mexilhão entrar em operação é junho de 2008 e esse será o projeto mais rápido a entrar em operação na história da Petrobras. Não é possível antecipar Mexilhão para 2007, porque vamos precisar de uma unidade de processamento de gás natural com capacidade para processar 12 a 15 milhões de metros cúbicos por dia, da plataforma e precisamos fazer os contratos. Tudo isso toma tempo', explicou a fonte da estatal.
"Entendo...
Em 26 de julho de 2006, 13 meses depois da fala da Dilma, noticiava a Folha On Line: “O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo, anunciou a aprovação do estudo de viabilidade técnico-econômica do pólo de gás de Mexilhão, um dos cinco complexos de produção a serem implantados na Bacia de Santos”. Epa! A reserva foi descoberta em 2003; em 2005, a ministra anunciou gás para 2007, mas o estudo sobre a viabilidade só ficou pronto em junho de 2006? Ah, claro, no mesmo texto, informava o presidente da Petrobras: “O projeto do pólo de Mexilhão, orçado em US$ 2 bilhões (R$ 4,3 bilhões), prevê a produção diária de 8 a 9 milhões de metros cúbicos de gás no primeiro semestre de 2009. Já sua capacidade máxima deve ser atingida em 2011, quando serão produzidos até 15 milhões de metros cúbicos de gás”
Vocês leram direito. Um campo descoberto em 2003, anunciado também com aquela paixão inaugural do lulismo, só vai produzir plenamente, se produzir, oito anos depois — em 2011. Um especialista da área me conta que Mexilhão está atrasado.
Se é assim com um campo de gás, imaginem como será com o petróleo, dadas as dificuldades lembradas pela própria Petrobras e a necessidade de criação de uma tecnologia específica. O caso de Mexilhão é exemplar. Tudo tivesse se dado conforme o anúncio oficial, o país não estaria hoje rezando para não faltar chuva — já que a crise do gás é, de fato, uma crise do setor elétrico.
Como diria Mão Santa, “atentai, jornalistas, para Mexilhão”.
Os pauteiros podem fingir que nada disso existe, claro. Podem fingir que o que os seus próprios veículos escreveram jamais foi escrito.
Por Reinaldo Azevedo
Em setembro de 2003, a Petrobras anunciou a descoberta de um campo gigantesco de gás em Santos: Mexilhão. Era a nossa redenção. Estamos no fim de 2007. Até agora, não se tirou de Mexilhão gás para produzir um pum. Querem um bom divertimento? Façam uma pesquisa na Internet sobre o palavrório a respeito. Se gogó movesse turbina, o Brasil seria mesmo uma potência mundial.
No dia 13 de junho de 2005, informava o jornal Valor Econômico:
“Na reunião com a Fiesp, Dilma [Rousseff] também informou que a Petrobras deverá focar seu objetivo na antecipação de 2009 para 2007 da produção de gás do campo de Mexilhão, na Bacia de Santos, disponibilizando 12 milhões de metros cúbicos diários do insumo; e de outros 10 milhões de metros cúbicos por dia da Bacia do Espírito Santo também em 2007, segundo informação do presidente da Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, que participou da reunião.”
Viram só? Aconteceu? Não! Os investidores reclamavam e continuam reclamando da falta de clareza dos marcos regulatórios.
Uma fonte da empresa, na mesma reportagem, era menos otimista do que a ministra: "'A previsão para Mexilhão entrar em operação é junho de 2008 e esse será o projeto mais rápido a entrar em operação na história da Petrobras. Não é possível antecipar Mexilhão para 2007, porque vamos precisar de uma unidade de processamento de gás natural com capacidade para processar 12 a 15 milhões de metros cúbicos por dia, da plataforma e precisamos fazer os contratos. Tudo isso toma tempo', explicou a fonte da estatal.
"Entendo...
Em 26 de julho de 2006, 13 meses depois da fala da Dilma, noticiava a Folha On Line: “O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo, anunciou a aprovação do estudo de viabilidade técnico-econômica do pólo de gás de Mexilhão, um dos cinco complexos de produção a serem implantados na Bacia de Santos”. Epa! A reserva foi descoberta em 2003; em 2005, a ministra anunciou gás para 2007, mas o estudo sobre a viabilidade só ficou pronto em junho de 2006? Ah, claro, no mesmo texto, informava o presidente da Petrobras: “O projeto do pólo de Mexilhão, orçado em US$ 2 bilhões (R$ 4,3 bilhões), prevê a produção diária de 8 a 9 milhões de metros cúbicos de gás no primeiro semestre de 2009. Já sua capacidade máxima deve ser atingida em 2011, quando serão produzidos até 15 milhões de metros cúbicos de gás”
Vocês leram direito. Um campo descoberto em 2003, anunciado também com aquela paixão inaugural do lulismo, só vai produzir plenamente, se produzir, oito anos depois — em 2011. Um especialista da área me conta que Mexilhão está atrasado.
Se é assim com um campo de gás, imaginem como será com o petróleo, dadas as dificuldades lembradas pela própria Petrobras e a necessidade de criação de uma tecnologia específica. O caso de Mexilhão é exemplar. Tudo tivesse se dado conforme o anúncio oficial, o país não estaria hoje rezando para não faltar chuva — já que a crise do gás é, de fato, uma crise do setor elétrico.
Como diria Mão Santa, “atentai, jornalistas, para Mexilhão”.
Os pauteiros podem fingir que nada disso existe, claro. Podem fingir que o que os seus próprios veículos escreveram jamais foi escrito.
Por Reinaldo Azevedo
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